Esclerose Múltipla X Esclerose Lateral Amiotrófica: como diferenciar?

Apesar de a palavra “esclerose” estar no nome das duas doenças, são muitas as diferenças entre elas. Entenda

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Em 30 de agosto, o Brasil celebra o Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla (EM), uma data de extrema importância para os pacientes e familiares, dedicada a divulgar e reconhecer os desafios enfrentados por quem convive com essa doença neurológica, autoimune e potencialmente incapacitante. A data integra o Agosto Laranja, campanha que incentiva a promoção de escuta, acolhimento e qualidade de vida sobre a doença.

A Esclerose Múltiplap é uma das mais comuns do sistema nervoso central e pode se apresentar de forma diversa em cada pessoa, com uma gama variada de sintomas, que podem regredir, causar danos permanentes ou se manifestar de maneira cíclica.  É a doença desmielinizante do Sistema Nervoso Central mais prevalente.

“É uma condição multifatorial, autoimune, que se caracteriza por ter componente inflamatório, degenerativo e desmielinizante, afetando o cérebro, tronco encefálico e medula espinhal. Vale lembrar que estamos falando de uma doença que ainda não tem cura, mas que, acompanhada de perto por um médico especialista, normalmente tem um controle clínico e evolutivo adequados”, explica Mirella Fazzito, médica neurologista da Clínica Araújo & Fazzito.

Diferenças com a Esclerose Lateral Amiotrófica

O fotógrafo e marido da atriz Sandra Bullock, Bryan Randall, que lutava contra a esclerose lateral amiotrófica há três anos, morreu recentemente. Segundo especialistas, muitas vezes a EM pode ser confundida com a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), principalmente por conta do nome, mas são duas condições distintas.

“A Esclerose Lateral Amiotrófica, também conhecida como doença de Lou Gehrig, é uma doença do neurônio motor progressiva que afeta as células nervosas (neurônios) responsáveis pelo controle dos movimentos musculares voluntários”, explica a Dra Mirella.

As duas condições se diferenciam em vários aspectos, começando pelo sistema que cada uma afeta. “Enquanto a EM afeta o sistema nervoso central, a ELA afeta, principalmente, o sistema motor, ou seja, os neurônios que controlam os músculos, o que faz com que os sintomas sejam diferentes também”, comenta.

“Enquanto na Esclerose Múltipla o paciente tem uma variedade de sintomas neurológicos, como problemas de equilíbrio, visão, sensibilidade e força , na Esclerose Lateral as pessoas sentem fraqueza muscular progressiva e dificuldades de movimento, além de alterações na fala e deglutição”, completa a neurologista.

O tipo de cada uma das condições também varia: enquanto a EM é uma doença autoimune, ou seja, o sistema imunológico ataca o próprio organismo, a ELA tem uma causa menos compreendida, envolvendo degeneração dos neurônios motores. “Além disso, a progressão da esclerose múltipla pode ser variável com as diferentes formas de manifestação da doença, no outro caso não, ela é progressiva desde o início, levando a uma perda gradual da função muscular”.

Como já dito anteriormente, a Esclerose Múltipla é uma doença relativamente comum, afetando muitas pessoas em todo o mundo, diferentemente da ELA. “A Esclerose Lateral é considerada rara, o que dificulta o diagnóstico e tratamento, por isso a importância de consultar sempre um médico”, finaliza.

EM X ELA: Pesquisadores apontam as principais diferenças

Marcondes Cavalcante França Jr., professor livre-docente do departamento de Neurologia da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp e especialista em doenças neuromusculares e neurogenéticas, também esclarece as principais diferenças entre as duas doenças. Confira!

·       Mecanismo das doenças: a ELA ocorre a partir da degeneração dos neurônios, que se desgastam ou morrem, impedindo a comunicação com os músculos¹; enquanto a EM surge por meio de uma ação inflamatória autoimune que ataca a bainha de mielina, o isolamento que envolve os nervos no cérebro e na medula espinhal². 

·       Causas: as causas de ambas as doenças são desconhecidas, mas sabe-se que em cerca de 10% dos casos, a ELA é causada por um defeito genético¹; já na EM, desconfia-se que fatores genéticos e ambientais estejam relacionados ao desencadeamento da enfermidade². 

·       Grupos de risco: a idade é o fator preditor mais importante para a ocorrência da ELA, sendo mais prevalente em pessoas entre 55 e 75 anos de idade; enquanto a EM atinge principalmente mulheres e jovens adultos, com idade entre 18 e 55 anos. 

·       Sintomas: a ELA é caracterizada por sintomas como relacionados à força e coordenação muscular, como a incapacidade de realizar tarefas rotineiras, como subir escadas, andar e levantar; dificuldades para respirar e engolir; engasgar-se com facilidade; babar; gagueira; entre outros. A EM expressa sintomas mais diversos, que variam muito de paciente para paciente, entre eles, os principais são: problemas de visão, dificuldade para andar ou manter o equilíbrio, dificuldade em pensar com clareza, dormência ou fraqueza especialmente nos braços e pernas, rigidez muscular, depressão e cansaço². 

·       Expectativa de vida: os pacientes com ELA vêm a óbito, em geral, entre três e cinco anos após o diagnóstico¹.  Já os pacientes com EM têm uma expectativa de vida média de 75 anos4, próxima a expectativa de vida global da população no geral.  

·       Tratamento: a ELA pode ser tratada de forma interdisciplinar, por meio de medicamentos que podem atuar no retardamento da progressão da doença, bem como no aumento da sobrevida e no controle dos sintomas; na EM, os tratamentos são diferentes para cada caso, dependendo do estágio da doença e dos sintomas. São usadas terapias modificadoras da doença, esteroides, entre outros medicamentos, com o objetivo de reduzir a frequência e a gravidade das recaídas, retardar a progressão da doença, controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida. 

Com Assessorias

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