Os recursos têm como destino 781 hospitais e clínicas que já atendem os pacientes do SUS, além de 48 novos serviços de TRS que o ministério está habilitando para atuação em 16 estados. Com o investimento, o governo federal pretende reduzir o tempo de espera para o tratamento.
O reajuste, uma demanda do setor, é uma das iniciativas do Agora Tem Especialistas visando a redução do tempo de espera por Terapia Renal Substitutiva (TRS), já que garante a manutenção da qualidade dos serviços prestados atualmente”, informou o ministério, em nota nesta sexta-feira (13).
Segundo o Ministério, a sessão de hemodiálise passa a ter uma remuneração de R$ 277,12, um aumento de 26,84% em relação a 2022, quando o valor era de R$ 218,47. O reajuste começa a valer ainda em março.
O percentual maior de reajuste foi possível pela adoção de uma modalidade mista de orçamentação. Isso porque, além dos recursos do Orçamento Geral da União e Fundo de Ações Estratégicas e Compensação, o aumento no valor da sessão de hemodiálise também terá um incentivo com o uso dos créditos financeiros garantidos pelo programa Agora Tem Especialistas”, disse o secretário de Atenção Especializada à Saúde, do MS, Mozart Sales.
De acordo com o ministério, além da hemodiálise, outras modalidades de tratamento passarão a ser contempladas pelo Agora Tem Especialistas: a diálise peritoneal e a pré-diálise, ambas com 100% de aumento. A diálise peritoneal substitui a função dos rins com uso do próprio corpo para filtrar o sangue; já na pré-diálise ocorre o acompanhamento médico do paciente antes de a diálise ser necessária.
Todos esses reajustes buscam incentivar ainda mais o aumento da oferta dessas modalidades de Terapia Renal Substitutiva pelos serviços que já atendem o SUS e pelos 48 novos serviços, que já começam a atuar com os aumentos anunciados hoje”, acrescentou o secretário.
Defasagem na tabela é pleito recorrente do setor
A correção da tabela do SUS atende a um pleito antigo de médicos e empresários do setor. Desde 2018, a Associação Brasileira de Centros de Diálise (ABCDT), com apoio da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), realiza a campanha ‘Vidas Importam – A diálise não pode parar‘ buscando apoio de instituições públicas e privadas em ações de valorização do tratamento que garante a vida de mais de 155 mil brasileiros.
A iniciativa coincide com o Dia Nacional da Diálise, que passou a ser celebrado na última quinta-feira do mês de agosto, após ser instituído pela Lei nº 14.650, de 23 de agosto 2023, com o objetivo de conscientizar sobre doenças renais e prevenir o seu agravamento, fatores de risco, comorbidades e a diálise.
De acordo com o médico nefrologista André Pimentel, diretor técnico da ABCDT, a doença renal é um problema de saúde pública no mundo contemporâneo. “Um dado alarmante é que cerca de 50 mil pessoas no Brasil morrem sem saber ou sequer ter acesso ao tratamento da doença renal“, afirma.
A campanha pelo Dia Mundial do Rim foi criada em 2006, como um esforço colaborativo de várias instituições de nefrologia ao redor do mundo para informar as pessoas sobre o principal papel dos rins no organismo, e o impacto que provoca na saúde quando ocorre um comprometimento da função renal.
Precisamos reduzir a frequência e o impacto da doença renal. Assim como os exames para avaliação da função renal devem ser disponibilizados para quem tem algum fator de risco para desenvolver a doença renal, o acesso às orientações e ao tratamento também devem ser acessíveis para todos”, afirma o nefrologista.
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Doença silenciosa: o diagnóstico precoce é fundamental
As doenças renais são causadas principalmente pela hipertensão e o diabetes. Ambas as doenças atingem grande parte da população brasileira e em todo o mundo. Para se ter uma ideia, cerca de uma em cada três pessoas sofrem de uma ou de ambas as doenças.
E o maior problema é que são doenças silenciosas. Ou seja, há poucos ou nenhum sintoma, o que dificulta muito o diagnóstico precoce. Quando as pessoas ficam mais velhas é que elas são descobertas, já provocando doença renal em fase avançada”, afirma.
Alimentação interfere na progressão da doença
Segundo ele, a alimentação interfere na progressão da doença renal. Os rins são órgãos de limpeza das impurezas, que são decorrentes daquilo que nós ingerimos, daquilo que nós alimentamos. O diabetes é uma doença metabólica, está diretamente relacionado à alimentação, assim como a hipertensão, diretamente relacionada à ingesta abusiva de sal e de alimentos industrializados.
Isso vai refletir na progressão da doença renal quando ingeridos de forma inadequada. Precisa de uma orientação alimentar para controlar a doença, e nós temos boas alternativas para isso com a ajuda de um nutricionista para acompanhar esse desenvolvimento. É importante que se saiba disso”.
Fatores de risco para a doença renal crônica
Pessoas com obesidade ou com excesso de peso, pessoas com familiares que apresentam algum tipo de doença renal ou inclusive aquelas pessoas que têm alguma doença cardiovascular previamente devem dar maior atenção à saúde renal. “Eles possuem fatores de risco e precisam ser acompanhados por um médico”.
Mais do que os exames, todas as pessoas que apresentam algum fator de risco, precisam de uma avaliação da função renal. “Pessoas que também apresentam infecções urinárias de repetição, cálculos renais de repetição, ou que têm alguma doença autoimune ou lúpus, por exemplo, além também daquelas que apresentam um histórico genético de alguma doença renal, precisam monitorar seus rins”.
Tabagistas também precisam realizar avaliações especializadas. Você deve conversar com o seu médico e criar com ele ou com o nefrologista o que nós chamamos de plano terapêutico, que vai te ajudar a saber qual a periodicidade de você retornar para avaliação e um acompanhamento adequado da sua função renal.”
Sintomas das doenças renais
Nas fases iniciais da doença renal, ela é completamente assintomática ou com poucos sintomas. Precisa que a pessoa realize exames que possam detectá-la. “Quando existe uma progressão da doença, um mau controle da hipertensão e do diabetes, a doença progride lentamente, podendo a pessoa apresentar fraqueza, desânimo, indisposição para realizar aquelas tarefas da atividade diária. Numa fase mais avançada, esses sintomas progridem com emagrecimento, falta de apetite, náuseas, vômitos, queda do estado geral e na maioria das vezes a pessoa pode necessitar de um tratamento de dialise de urgência.
Não há cura para doença renal, mas sim um controle dela e medidas de proteção da função renal para que não se agrave. “Temos hoje medicamentos importantes, desenvolvidos recentemente e já disponíveis para a população, que reduzem a mortalidade e retardam a progressão da função renal. As pessoas precisam saber disso, existe muita coisa que pode ser feita para a gente cuidar as pessoas que estão cometidas por doença renal”, enfatiza.
Como é feito o tratamento?
O tratamento da doença renal tem duas etapas importantes. A primeira, nas fases mais iniciais da doença renal, o cuidado e o controle da hipertensão e o diabetes são fundamentais. A medida que a doença evolui, medidas protetoras da função renal podem ser necessárias, como o controle da anemia e de doença óssea, que na maioria das vezes estão associadas ao desenvolvimento da doença renal”, explica Pimentel.
A última fase da doença, é quando surge a indicação de uma terapia renal de substituição, isto é, a diálise, que pode ser a hemodiálise, realizada no sangue, ou a diálise peritonial, que é uma outra forma de tratamento. Além disso, há a possibilidade de se fazer o transplante renal.
É importante que as pessoas saibam que nós temos soluções para os problemas renais nas suas diversas fases. Para cada um desses estágios, nós temos orientações, medicamentos e uma atuação multidisciplinar para acompanhar o desenvolvimento da doença e, principalmente, retardar a sua progressão. A doença renal é uma doença crônica, de evolução lenta, mas hoje nós temos várias possibilidades de evitar a progressão com um bom acompanhamento médico”.
Com informações da Agência Brasil e ABCDT






