A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acendeu o sinal amarelo para os consumidores de suplementos e medicamentos à base de cúrcuma (o popular açafrão-da-terra). Um alerta de farmacovigilância publicado nesta sexta-feira (06/03/2026) adverte sobre o risco de inflamações e danos graves ao fígado associados ao uso de cápsulas e extratos concentrados da substância.

A medida acompanha uma tendência global. Autoridades de saúde da França, Itália, Austrália e Canadá já haviam registrado casos de intoxicação hepática vinculados ao consumo excessivo de curcuminoides. O problema central, segundo as investigações, não é o tempero usado na cozinha, mas sim fórmulas tecnológicas desenhadas para aumentar drasticamente a absorção da curcumina pelo organismo, atingindo níveis muito acima do consumo nutricional comum.

O perigo da concentração: suplemento não é tempero

É fundamental separar o “joio do trigo”: o uso da cúrcuma em pó como tempero culinário ou aditivo alimentar continua sendo considerado seguro. O risco reside exclusivamente em produtos processados que prometem alta biodisponibilidade.

“A diferença é que em medicamentos e suplementos o produto possui concentrações mais altas e uma capacidade de ser mais absorvido pelo organismo”, destaca o comunicado da Anvisa.

Esta não é a primeira vez que a agência endurece o cerco contra irregularidades no setor. Recentemente, a Anvisa intensificou a fiscalização e suspendeu a comercialização de diversos suplementos alimentares que não apresentavam comprovação de segurança ou que continham substâncias não autorizadas, reforçando o cuidado necessário ao adquirir produtos de “promessas milagrosas”.

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Fique atento aos sinais de alerta

O consumo de suplementos de cúrcuma deve ser interrompido imediatamente se o usuário apresentar sintomas que indiquem sobrecarga do fígado.

Principais sintomas de toxicidade hepática:

  • Icterícia: Pele ou olhos amarelados.

  • Alterações urinárias: Urina com cor muito escura (semelhante a chá ou refrigerante de cola).

  • Fadiga: Cansaço excessivo e sem explicação aparente.

  • Desconforto digestivo: Náuseas e dores na região abdominal.

Caso apresente esses sinais, procure ajuda médica. Suspeitas de eventos adversos devem ser notificadas pelos canais oficiais: VigiMed (para medicamentos) ou e-Notivisa (para suplementos).

Novas regras para fabricantes

Como medida imediata, a Anvisa determinou a atualização das bulas dos medicamentos Motore® e Cumiah®, que agora devem conter avisos explícitos de segurança.

Para o mercado de suplementos, o cenário é de reavaliação técnica. A agência iniciará um processo para revisar o uso dessas substâncias e passará a exigir frases de advertência obrigatórias nos rótulos sobre a possibilidade de efeitos adversos.

A decisão baseia-se em dados robustos, como os da ANSES (Agência Nacional de Segurança Sanitária da França), que identificou dezenas de relatos de hepatite no âmbito de seu sistema de nutrivigilância. O alerta serve como um lembrete de que “natural” não é sinônimo de “isento de riscos”, especialmente quando manipulado em altas doses laboratoriais.

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