Assim com as mães atípicas, profissionais de saúde mental que lidam com pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) também enfrentam a exaustão. Em um bate-papo exclusivo com VIDA E AÇÃO, a especialista em Terapia Comportamental, Cinthia Kliman, trouxe à tona questões urgentes sobre o impacto do Burnout, da ansiedade e do estresse nos terapeutas que estão na “linha de frente” do enfrentamento ao autismo.

Durante o Congresso Jornada do Autismo, realizado no último final de semana (dias 28 e 29), no Rio de Janeiro, a especialista enfatizou a importância de priorizar o autocuidado, especialmente para aqueles que cuidam das crianças autistas, ao participar de um painel significativo sobre O Olhar Para o Profissional, ao lado da fisioterapeuta Roberta Coviello. 

Cinthia Kliman compartilhou sua experiência e visão sobre a crescente necessidade de os profissionais da saúde mental, em especial os terapeutas, se atentarem ao próprio bem-estar. “A jornada do autismo nos convida a refletir sobre o cuidado do profissional. O burnout, a ansiedade, o estresse – todos esses fatores podem levar um terapeuta a um ponto de exaustão. Isso pode até fazê-lo questionar a própria vocação”, afirmou a especialista.

Com uma sólida formação em Terapia Comportamental, Programação Neurolinguística (PNL) e Disciplina Positiva, Cinthia ressaltou o significado de resgatar a motivação do profissional, trazendo-os de volta ao propósito que os levou a escolher essa carreira tão nobre e desafiadora. “Meu papel aqui é lembrá-lo do momento em que você fez essa escolha, para que você não desista da sua própria jornada”. 

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Entre agendas lotadas e a pressão de familiares e planos de saúde

Para quem atua na linha de frente,  muitas vezes têm uma carga de trabalho exaustiva com agendas lotadas, horários extensos e a pressão das demandas familiares e de planos de saúde, o autocuidado parece ser algo secundário. A especialista destaca que a saúde mental desses profissionais fica em segundo plano, o que pode gerar um ciclo vicioso de esgotamento físico e emocional.

O maior desafio para esses profissionais hoje é manter a saúde mental em foco”, observou Cinthia. “Estamos apenas trabalhando para atender às demandas dos outros, enquanto nós mesmos vamos nos deixando de lado. É aí que o burnout acontece de forma inesperada.”

É essencial que um profissional que cuida de uma criança com autismo faça terapia? Ela reforça: “Sim, é fundamental. Não tem como cuidar de alguém se o terapeuta não está emocionalmente preparado. É uma questão de amor próprio, de autocuidado. Eu não consigo entregar aquilo que não tenho”.

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Autocuidado é essencial para atuar com crianças autistas

Segundo ela, a saúde mental de quem cuida deve ser uma prioridade para garantir a qualidade do trabalho com os pacientes e a continuidade da própria jornada profissional. A falta de cuidado com o profissional acaba criando um ciclo de doença, tanto física quanto psicossocial.

Para Cinthia Kliman, o autocuidado é essencial para garantir que o terapeuta tenha condições de oferecer o melhor atendimento ao paciente. Ela ainda deixou um alerta importante para os terapeutas que atuam em instituições multidisciplinares com crianças autistas:

Olhe para o que você faz e para o que você quer resgatar e cuidar. Não dá para cuidar do outro se, ao mesmo tempo, você está criando uma doença em si mesmo.  Cuide de si para que você tenha condições de cuidar do outro”, concluiu.

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