Alzheimer: muito além dos avanços no diagnóstico e tratamento

Acolhimento e afeto são essenciais para a qualidade de vida de quem vive com a doença. Confira as novidades para detectar o Alzheimer

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O Ministério da Saúde estima que mais de 1,2 milhão de brasileiros vivam com a Doença de Alzheimer, a maior parte deles ainda sem diagnóstico. Setembro é lembrado como o Mês Mundial do Alzheimer, sendo o dia 21 uma data relevante para esclarecer sintomas e falar de diagnóstico e alternativas de tratamento para a doença, ajudando a lembrar também a importância do cuidado, acolhimento e afeto como atitudes necessárias nessa jornada.

Para José Leite, médico nuclear e coordenador do Setor de PET/CT do CDPI e da Alta Excelência Diagnóstica, pertencentes à rede Dasa, a medicina ganhou importantes aliados para a detecção do Alzheimer nos últimos anos, mas o afeto e o acolhimento continuam sendo os diferenciais para o tratamento.

“A doença de Alzheimer sempre teve um diagnóstico extremamente difícil e, até então, era apenas clínico, obtido conforme a história do paciente e por meio de testes neuropsicológicos, mas é importante lembrar que são necessárias paciência, observação e uma rede de apoio em torno do paciente, que são insubstituíveis. A medicina de ponta é uma aliada, mas a doença requer grande necessidade de acolhimento”, destaca ele.

Envelhecimento, adoecimento e apoio

Segundo ele, com o envelhecimento da população brasileira, governos, profissionais da saúde e a própria sociedade civil devem olhar com mais respeito para o idoso e pensar em mais estrutura para atender a suas necessidades. “Já somos um país de idosos e em uma ou duas décadas isso será muito marcante”, reitera José Leite.

Entre as necessidades dos pacientes que sofrem com a doença de Alzheimer está, além do acompanhamento especializado, a paz. “É necessário evitar momentos de agitação e estresse para o paciente. Nada de brigas, barulho alto, confusão por perto. É importante preservar a tranquilidade do paciente de fato. Manter o ambiente preparado para os idosos em casa, de modo que acidentes sejam evitados, visto que a capacidade cognitiva está prejudicada, também é recomendado!.

Podem ser usadas barras de apoios pela casa, em corredores e banheiros; devem-se evitar tapetes e pisos escorregadios para prevenir quedas. Além disso, como é o ideal para os idosos, são essenciais uma alimentação balanceada, a preservação do asseio e da autoestima e o contato com familiares.

Cuidar do sono, procurar passear e ter paciência em momentos de confusão mental também é crucial, como quando as perguntas e os assuntos se repetem diversas vezes. Os familiares também devem ter um suporte psicológico para si. E o afeto com quem vive com Alzheimer ajuda muito. Essas pessoas são as mesmas que conhecemos ainda saudáveis, só necessitam mais de nós”, conclui José Leite.

Exame permite detecção precoce do Alzheimer

Avanços no diagnóstico e no tratamento têm permitido que os pacientes com a doença de Alzheimer tenham mais qualidade de vida. Recentemente, o Laboratório CDPI, que faz parte da Dasa, realizou o primeiro teste para identificar as placas amiloides, formadas por proteínas que indicam a presença da doença de Alzheimer.

“Essa análise, por meio de um exame chamado PET Amiloide Florbetabeno (PET-CT com Florbetabeno-18F), é um teste de imagem não invasivo. Ele é capaz de fazer a medição do volume de placas beta-amiloides que, quando acumuladas, interferem no funcionamento das células cerebrais e são consideradas como digitais do Alzheimer pelos médicos”, explica José.

Segundo ele, o exame é relativamente simples. “O que fazemos é injetar um medicamento minimamente radioativo que segue pelo corpo e se liga às tais placas no cérebro, de modo que é possível ver, nos pacientes, por meio de tomografia por emissão de pósitrons, o depósito delas no córtex cerebral quando ali estão, ou simplesmente descartamos esse fator quando não são encontradas placas desse tipo”. A primeira paciente a fazer o exame, no Rio de Janeiro, teve identificadas essas placas marcadoras da doença.

Outro teste que também descobre o nível de placas amiloides no cérebro, disponível na rede privada, é um exame de sangue, não invasivo, que utiliza a espectrometria de massas para identificar moléculas em pequenas concentrações. Com alta sensibilidade analítica, o novo exame procura localizar dois tipos de proteína beta-amiloide – a 40 e a 42”, comenta Leite.

Tanto esse exame de sangue quanto o de imagem são recomendados para pessoas com comprometimento cognitivo leve ou com suspeita de demência. Ambos colaboram para a conduta médica e evitam a realização da punção lombar para a coleta do liquor, procedimento que é usado para estimar os níveis das placas amiloides.

Tratamento precoce com droga aprovada nos EUA

Dr José Leite explica que o Alzheimer é uma das inúmeras formas de demência neurodegenerativa que, geralmente, afeta os idosos, mas pode aparecer em indivíduos mais jovens. Sua causa ainda não é completamente conhecida, sendo multifatorial, mas com um cunho genético importante. Porém, há, ainda hoje, também, uma associação muito grande do Alzheimer com quadros depressivos.

“Uma variedade de informações que geram suspeitas, por exemplo, quando pacientes, que são muito bem instruídos, passam a apresentar dificuldades antes incomuns em seu cotidiano, como a perda de cognição. Sabemos, portanto, que o diagnóstico precoce possibilita desacelerar a progressão da doença e garante mais controle sobre os sintomas”, diz Leite.

Segundo Marcus Tulius, neurologista do Complexo Hospitalar de Niterói (CHN), o novo exame possibilita a detecção precoce da condição e, juntamente com a avaliação dos sintomas existentes, é possível tentar estabilizá-los.

“Quando são identificados os primeiros sintomas, como problemas para realizar tarefas que antes eram simples, mudanças de humor, perda de memória e afastamento social, iniciamos o tratamento mais precoce possível, para que a evolução da doença seja mais lenta e o idoso tenha mais independência nas atividades rotineiras por um tempo maior de vida.”

Além do surgimento de novas análises, avança a possibilidade de tratamento medicamentoso. Em 2021, uma droga capaz de remover as placas beta-amiloides do cérebro foi aprovada nos Estados Unidos. “Uma vez identificada a presença dessas placas no cérebro, é possível que esses pacientes sejam candidatos a uma nova terapia. Aí está a parte que nos dá esperança sobre a evolução da saúde e das técnicas da medicina moderna sobre a doença”, ressalta Dr Tulius.

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