Captura híbrida: conheça outro exame para detectar o HPV

Exame deve ser feito por mulheres que tiveram alguma alteração no Papanicolau ou que estejam dentro do grupo de risco de pegar HPV

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câncer do colo do útero, também chamado de câncer cervical, é profundamente relacionado à infecção persistente por alguns tipos do papilomavírus humano, o HPV. Dados do Ministério da Saúde apontam que 75% das mulheres sexualmente ativas entrarão em contato com o HPV ao longo da vida e cerca de 5% delas vão desenvolver o tumor maligno em um prazo de dois a dez anos.

Existem mais de 80 subtipos do HPV, os mais perigosos são o 16 e 18, associados com a maior parte dos tumores de colo de útero e da área da vulva, canal anal, pênis dos homens e na região da faringe de homens e mulheres. Neste Janeiro Verde, de conscientização sobre o câncer de cólo do útero, chamamos atenção para a importância do diagnóstico precoce. Mas como detectar este vírus?

Entre as medidas de prevenção estão as consultas e exames essenciais, que devem fazer parte do calendário anual do público feminino. Como vimos aqui, o câncer de cólo do útero geralmente é diagnosticado com exames de rotina como o Papanicolau, por exemplo. Uma novidade são os testes moleculares – como o do PCR do vírus da Covid-19 – , que já vêm sendo experimentados no Brasil e podem vir a ser incluídos no Sistema Único de Saúde (SUS).

Captura híbrida: quando exame avançado é mais indicado?

Um exame considerado ainda mais preciso para detectar o HPV, o principal causador da doença, é a captura híbrida. A detecção precoce do vírus por esse método evita um tratamento mais agressivo e quando diagnosticado em fase inicial, as chances de cura do câncer de colo de útero são de quase 100%, segundo especialistas.

“O exame de captura híbrida serve para ajudar no diagnóstico da infecção pelo vírus HPV e deve ser feito por todas as mulheres que tiveram alguma alteração no exame de Papanicolau ou que estejam dentro do grupo de risco de pegar HPV, como aquelas que têm muitos parceiros sexuais”, afirmam os ginecologistas e obstetras Domingos Mantelli e Erica Mantelli.

câncer de colo do útero não costuma apresentar sintomas iniciais e, quando aparecem, pode ser um indício de avanço da doença. Além da realização anual dos exames de rotina, é preciso atenção para alterações como sangramento vaginal sem causa aparente, corrimento alterado, dor abdominal ou pélvica constante, sensação de pressão no abdômen, vontade frequente de urinar e perda rápida de peso. Ao surgimento desses sintomas é recomendado buscar ajuda médica com urgência.

“Embora o Papanicolau e a colposcopia sejam os mais solicitados pelos médicos, testes como a captura híbrida são considerados os mais confiáveis para detectar a presença do HPV. Trata-se de uma solução muito mais sensível e avançada, capaz de identificar a contaminação antes mesmo de surgir a primeira lesão”, explica Raphael Oliveira, gerente para Diagnósticos Moleculares da QIAGEN, multinacional alemã especialista em diagnósticos.

Segundo ele, o exame já existe há mais de 20 anos, sendo o exame mais utilizado em todo o mundo e mais de 100 milhões de mulheres já fizeram este teste. No entanto, no Brasil, ela está disponível apenas no sistema de saúde privado, ou seja, para mulheres que possuem planos de saúde, algo que representa em torno de 1% de todas as brasileiras que são elegíveis ao teste. “Mesmo assim, as pacientes que possuem convênio médico devem insistir com seu ginecologista para que ele prescreva o exame. Essa iniciativa é capaz de ajudar a salvar milhares de vidas”, alerta.

Quando e como fazer a captura híbrida

Eficaz na detecção precoce do HPV, exame pode ser realizado por mulheres a partir dos 30 anos de idade

O exame de captura híbrida é feito através da raspagem de uma pequena amostra do muco vaginal no colo do útero, vagina ou vulva. O material recolhido é colocado num tubo de ensaio e enviado para o laboratório para análise.

No laboratório, a amostra é processada por um equipamento semi-automatizado, que realiza as reações e a partir dos resultados obtidos, libera a conclusão laboratorial, que é analisada pelo médico.

“O exame de captura híbrida não dói, mas a paciente pode sentir algum desconforto no momento da coleta”. esclarecem os médicos.

A Captura Híbrida é indicada para ser realizada por mulheres a partir dos 30 anos de idade. Caso apresente um resultado negativo, um novo rastreio pode ser feito dentro de um intervalo de cinco anos.

As pacientes que apresentam um diagnóstico positivo para a presença do vírus, devem receber um acompanhamento mais próximo. O monitoramento frequente, assim como os tratamentos precoces, caso seja necessário, ampliam as chances de cura.

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Papanicolau também ajuda na prevenção de outras doenças

Transmitido por contato direto com a pele ou mucosas infectadas, o vírus do HPV apresenta mais de 200 variações, com 90% dos casos representado uma contaminação transitória, onde o próprio sistema imunológico consegue se defender.

O alerta prevalece para algumas variantes que costumam ser mais resistentes e com o passar do tempo causam lesões no colo do útero, transformando-se em feridas e evoluindo de forma maligna. Por isso é tão importante detectar precocemente o HPV e iniciar o tratamento mais indicado para cada caso, afirmam os especialistas.

O Papanicolaou é um exame que pode ser feito durante uma consulta comum ao ginecologista. No exame, células do colo do útero são coletadas e analisadas para identificar a presença de lesões. 

O exame permite, através da análise microscópica de uma amostragem de células coletadas do colo do útero, detectar células anormais pré-malignas  ou cancerosas. Sua simplicidade não exclui sua importância, visto que é um dos exames mais eficazes quando se fala  de prevenção da saúde da mulher.

“O tumor em fase inicial não apresenta sintomas, por isso dizemos que o Papanicolaou é um exame preventivo: ele visa detectar as alterações celulares antes mesmo de os sintomas aparecerem”, afirmam os especialistas.

Além disso, a realização desse exame pode ajudar a descobrir a existência de outros males que colocam a saúde da mulher em risco e precisam ser tratados como infecções vaginais (Tricomoníase, Candidíase etc) e outras sexualmente transmissíveis (Sífilis, Gonorreia, Condilomatose, Clamídia etc).

Vacinação em meninas e meninos como principal aliado da prevenção

Um dos principais aliados no combate ao problema é a prevenção. Atualmente, uma medida de prevenção ainda mais eficiente está disponível para a nova geração, é a vacinação dos adolescentes. As meninas devem receber a vacina anti-HPV aos 9 anos e os meninos, aos 11.

“A vacina é incrivelmente eficaz para quem não teve ainda início na vida sexual e contato com o HPV para evitar que essa pessoa desenvolva uma infecção por HPV”, esclarecem os ginecologistas.

O terceiro tumor maligno mais presente nas mulheres

O Janeiro Verde é marcado pela conscientização e combate ao terceiro tipo de câncer mais comum entre as mulheres: o de colo do útero. Somente em 2023, foram diagnosticados mais de 17 mil novos casos da doença, de acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Com esse enorme grau de recorrência, a campanha destaca a importância da detecção precoce do HPV (Papilomavírus Humano), principal causador do câncer de colo de útero.

Mesmo sendo uma doença altamente prevenível, os dados ainda são alarmantes: para o ano de 2023 foram estimados 17.010 casos novos de o câncer do colo do útero, o que representa uma um risco considerado de 13,25 casos a cada 100 mil mulheres, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca).

Excluídos os de tumores de pele não melanoma, é o terceiro tumor maligno mais frequente na população feminina (atrás do câncer de mama e do colorretal), e a quarta causa de morte de mulheres no Brasil relacionada à doença.

Por ser uma doença considerada silenciosa, 35% dos casos acaba levando à morte de pacientes. Entre os principais sintomas estão sangramento vaginal, principalmente depois da relação sexual, dores pélvicas, desconforto abdominal e, nos casos avançados, inchaço na região pélvica.

Pandemia X detecção de câncer

A pandemia do novo coronavírus acabou afastando as mulheres dos hospitais e clínicas. Com medo de serem contaminadas, pacientes adiaram consultas e exames primordiais para identificação do câncer de colo de útero, que tem 100% de chance de cura se diagnosticado em fase inicial.

Nos Estado Unidos, por exemplo, em três meses, 100 mil casos deixaram de ser diagnosticados de câncer de colo de útero, de intestino, mama, próstata e pulmão, que são os tumores onde há possibilidade de antever o diagnóstico mais tardio. Para as mulheres em específico, a indicação dos especialistas é manter em dia os exames de rotina.

Sobre as fontes

Erica Mantelli, ginecologista, obstetra e especialista em saúde sexual, graduada pela Faculdade de Medicina da Universidade de Santo Amaro (Unisa), com título de especialista em Ginecologia e Obstetrícia. Pós-graduada em disciplinas como Medicina Legal e Perícias Médicas pela Universidade de São Paulo (USP)e Sexologia/Sexualidade Humana. É formada também em Programação Neolinguística, por Mateusz Grzesiak (Elsever Institute).

Domingos Mantelli, ginecologista e obstetra, autor do livro “Gestação: mitos e verdades sob o olhar do obstetra”. Formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Santo Amaro (Unisa), com residência médica na área de Ginecologia e Obstetrícia pela mesma instituição. Dr. Domingos Mantelli tem pós-graduação em Ultrassonografia Ginecológica e Obstétrica, e em Medicina Legal e Perícias Médicas.

Com Assessorias

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