A escritora britânica Madeleine Wickham, conhecida pelo pseudônimo Sophie Kinsella, morreu aos 55 anos em decorrência de um câncer cerebral. A morte foi confirmada pela família nesta quarta-feira (10) nas redes sociais da autora, reconhecida internacionalmente pelo best-seller Os Delírios de Consumo de Becky Bloom.

Em comunicado, os familiares afirmaram que Kinsella “morreu em paz, com seus últimos dias preenchidos por seus verdadeiros amores: família, música, aconchego, Natal e alegria”. Em 2023, a escritora informou ter sido diagnosticada, no ano anterior, com glioblastoma, tipo agressivo de câncer no cérebro, no qual passou por cirurgia, radioterapia e quimioterapia.

Além de “Os Delírios de Consumo de Becky Bloom”, Kinsella publicou títulos como “The Tennis Party”, seu primeiro livro, assinado com o nome de nascimento, “O Segredo de Emma Corrigan”, “Samantha Sweet”, “Executiva do Lar” e “O Burnout”, sua obra mais recente. Ela deixa o marido e cinco filhos.

Entenda sobre o câncer cerebral

Segundo dados do Global Cancer Observatory (Globocan, 2022), mais de 321 mil novos casos de tumores no cérebro e sistema nervoso central (SNC) foram diagnosticados no mundo em 2022, com cerca de 248 mil mortes.

No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima mais de 11 mil novos casos a cada ano, entre 2023 e 2025, entre adultos e crianças. Já nos Estados Unidos, estimativas de 2024 indicam 25.400 novos casos e 18.760 mortes. A incidência costuma ser maior em indivíduos brancos, enquanto a mortalidade é mais elevada entre homens.

Apesar de raros em comparação a outros tipos de câncer, os tumores cerebrais estão entre os mais letais, especialmente em sua forma mais agressiva, o glioblastoma.

Leia mais

Câncer cerebral mata influenciadora de 19 anos: entenda a doença
Craig Russell com câncer cerebral: entenda as chances de cura
Uso de smartphones pode causar câncer cerebral?

Classificação e tipos de tumores cerebrais

Os tumores cerebrais são classificados como primários (originados no cérebro ou nas meninges) ou secundários (resultantes de metástases de outros cânceres, como pulmão, mama ou pele). De acordo com o médico oncologista Flávio Brandão, entre os primários, destacam-se os meningiomas, gliomas e meduloblastomas.

Existem inúmeros tipos de tumores cerebrais, cada um derivado de células diferentes. Os mais comuns são os meningiomas, originados das células da meninge — membrana que recobre o sistema nervoso central —, e os gliomas, que se formam a partir das células da glia, responsáveis por sustentar os neurônios.

Já os meduloblastomas, são mais frequentes em crianças e com possibilidade de disseminação pelo líquor”, explica o oncologista. Ependimomas, craniofaringiomas, adenomas hipofisários e outros tipos raros,  também compõem o espectro dos tumores primários.

Sinais silenciosos: quando investigar?

Os sintomas variam de acordo com a localização do tumor no cérebro e costumam ser progressivos. Entre os mais comuns estão:

  • Dor de cabeça persistente, especialmente ao acordar ou ao se deitar
  • Náuseas e vômitos sem causa aparente
  • Convulsões em pessoas sem histórico
  • Alterações de visão, audição, fala ou equilíbrio
  • Perda de memória, confusão mental e mudanças de comportamento
  • Fraqueza em um lado do corpo

“Como muitos desses sinais podem ser confundidos com outras doenças neurológicas, o diagnóstico muitas vezes é tardio. Por essa razão, qualquer sintoma persistente ou progressivo deve ser avaliado com exames de imagem, como tomografia computadorizada e preferencialmente ressonância magnética”.

Tratamento exige abordagem integrada

O tratamento do câncer cerebral depende do tipo, da localização e da gravidade do tumor, além da idade e condição clínica do paciente. A cirurgia continua sendo a principal estratégia com intenção curativa, sempre que possível, buscando a remoção máxima do tumor sem comprometer funções neurológicas importantes.

“A radioterapia é frequentemente utilizada como complemento à cirurgia ou como principal forma de tratamento quando a remoção do tumor não é possível. Já a quimioterapia tem mostrado boa resposta em determinados gliomas”, destaca Brandão.

Avanços em terapias como anticorpos, terapias-alvo e estudos com células CAR-T para glioblastomas recidivados são estudados como possibilidades terapêuticas no futuro. Paralelamente, a reabilitação — com fisioterapia, fonoaudiologia e apoio psicológico — é fundamental para preservar a funcionalidade e a qualidade de vida dos pacientes. “Muitas vezes os pacientes têm que passar por um processo de reabilitação na tentativa de readquirir algumas funções perdidas”.

De acordo com a National Brain Tumor Society, a taxa de sobrevivência relativa em cinco anos para pacientes americanos com tumores cerebrais malignos é de 35,7%. No caso do glioblastoma, esse índice cai para apenas 6,9%. Contudo, esse número pode melhorar com acesso rápido ao diagnóstico, centros especializados e terapias de ponta.

É possível prevenir?

A maioria dos tumores cerebrais não tem causa conhecida e, portanto, não são preveníveis. No entanto, fatores de risco incluem síndromes genéticas hereditárias, exposição à radiação  ionizante ou até a infecções, como os linfomas

História familiar de tumores cerebrais ou outras neoplasias pode indicar síndromes genéticas como a de Li-Fraumeni, Neurofibromatose, von Hippel-Lindau, Turcot ou Esclerose Tuberosa. Além disso, infecções como Epstein-Barr e HIV, imunossupressão e exposição a substâncias como o cloreto de vinil (usado na produção de PVC) também podem elevar o risco. A recomendação é evitar exposição desnecessária à radiação e realizar acompanhamento periódico quando há risco genético elevado”, finaliza o oncologista.

Shares:

Posts Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *