Dados recentes da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) revelam um crescimento alarmante na detecção do câncer de pele no Brasil. Em uma década, o número de diagnósticos saltou de 4.237, em 2014, para 72.728, em 2024. O avanço reflete tanto o envelhecimento populacional e a exposição solar quanto melhorias na vigilância epidemiológica e novas exigências de registro, como o uso obrigatório do CID-10 em biópsias desde 2018.
A doença é a mais comum no país. Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), o câncer de pele representa três em cada dez diagnósticos de câncer no Brasil. Para 2025, a estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca) é de 220.490 novos casos do tipo não melanoma e quase 9 mil do tipo melanoma, a forma mais agressiva da neoplasia.
O abismo entre a saúde pública e a privada
Regiões Sul e Sudeste concentram as taxas mais elevadas da doença.
O levantamento da SBD expõe uma severa desigualdade no acesso a especialistas. Usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) enfrentam uma dificuldade 2,6 vezes maior para agendar consultas com dermatologistas em comparação ao setor privado. Enquanto na saúde suplementar o volume de consultas ultrapassou 10 milhões em 2024, no SUS o número foi de 3,97 milhões.
Essa demora impacta diretamente o tempo de resposta terapêutica. Nas regiões Sul e Sudeste, o tratamento costuma ser iniciado em até 30 dias. Já no Norte e Nordeste, a espera frequentemente ultrapassa os 60 dias, elevando o risco de agravamento do quadro.
Além disso, a infraestrutura está concentrada: estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul detêm a maior parte dos centros de alta complexidade (Cacons e Unacons). Em contraste, Acre, Amazonas e Amapá contam com apenas uma unidade cada, o que obriga pacientes a longos deslocamentos e contribui para diagnósticos em estágios avançados.
Incidência de câncer de pele por estado em 2024
Fonte: Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).
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Tipos e gravidade: do carcinoma ao melanoma
A SBCO explica que os tumores de pele são divididos principalmente em dois grupos:
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Não melanoma: É o tipo mais frequente e de menor mortalidade. Inclui o carcinoma basocelular (80% dos casos) e o carcinoma espinocelular. Recentemente, o tema ganhou destaque após o diagnóstico do ex-presidente Jair Bolsonaro com lesões “in situ” — termo latino que indica que o carcinoma está restrito à camada superficial da pele, apresentando excelente prognóstico.
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Melanoma: Embora menos comum, é altamente agressivo devido ao seu potencial de metástase (espalhar-se para outros órgãos). Origina-se nos melanócitos, as células que produzem a pigmentação da pele.
“Se o tumor é detectado precocemente, o paciente tem alta probabilidade de cura, superior a 90%”, afirma o cirurgião oncológico e presidente da SBCO, Rodrigo Nascimento Pinheiro.
Prevenção e a regra do ABCDE
A principal arma contra o câncer de pele continua sendo a proteção solar. A SBD, inclusive, articula junto ao Congresso Nacional a inclusão do filtro solar como item essencial na Reforma Tributária para reduzir seu custo.
Para auxiliar na identificação precoce, a SBCO recomenda a regra do ABCDE para avaliar manchas e pintas:
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A (Assimetria): Metades diferentes.
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B (Bordas): Irregulares ou mal definidas.
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C (Cor): Variações de tons na mesma lesão.
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D (Diâmetro): Maior que 6 milímetros.
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E (Evolução): Mudanças rápidas de tamanho, forma ou cor.
Com informações da SBD e SBCO



