Ele sobreviveu ao desafio extremo do ‘Quarto Branco’ do Big Brother Brasil 2026, mas não resistiu à reprovação em massa do público. A eliminação de Matheus Moreira no paredão desta terça-feira (27/01) trouxe à tona mais um episódio de cancelamento. O gaúcho foi eliminado com mais de 79,48% dos votos e uma rejeição imensa nas redes sociais devido a falas problemáticas sobre diversos temas. Matheus se envolveu em polêmicas com as sisters Ana Paula Renault e Milena e foi acusado de misoginia e homofobia.
Durante uma das festas do programa, o bancário de 25 anos, que também atua como professor de boxe em Porto Alegre (RS), foi flagrado imitando pejorativamente os trejeitos de um homem gay enquanto dançava. A cena foi vista pelo médico Marcelo Alves, um homem gay, que se ofendeu com o comportamento e acusou o brother de homofobia. O caso é investigado pelo Ministério Público de São Paulo.
Matheus não esta sozinho na galeria de “cancelados” do BBB. Entre os mais rejeitados pelo público em edições anteriores estão Karol Conká, Nego Di e Viih Tube, que lideraram índices de rejeição. Novos nomes como Aline, Patrícia e Felipe Cobra também enfrentaram alta rejeição. Rodriguinho, Wanessa Camargo e Projota não bateram recordes, mas tiveram falas polêmicas.
- Imitações pejorativas: Matheus foi denunciado por imitar, de forma caricata e pejorativa, os trejeitos de homens gays dentro da casa. O episódio ocorreu após um desfile de looks, onde ele ridicularizou outros participantes em vez de mostrar seu estilo.
- Comentários sobre roupas: O participante Juliano Floss relatou ter sido alvo de falas homofóbicas após usar uma calça que se transformava em shorts, com Matheus insinuando que a peça era feminina ou “de gay”.
- Investigação judicial: A denúncia foi apresentada por Agripino Magalhães, presidente da Associação do Orgulho LGBTQIAPN+, e aceita pelo Ministério Público de São Paulo, que solicitou a abertura de inquérito para investigar o crime de homofobia.
- Questionamento da Intimidade: Matheus causou desconforto ao questionar publicamente a virgindade da participante Gabriela, atitude considerada indevida e machista pelo público e colegas.
- Conflitos e Provocações: Ele utilizou termos como “patroa” de forma proposital para provocar a participante Ana Paula, sendo criticado por reproduzir falas que depreciam mulheres
Os impactos emocionais do cancelamento
A cultura do cancelamento segue em voga dentro e fora das plataformas das redes sociais, em que tudo é altamente instável. Independentemente dos motivos que levaram à eliminação de Matheus, o caso levanta mais uma vez a discussão sobre saúde mental e internet, mesmo quando o cancelamento é replicado no ambiente offline por colegas de trabalho, amigos e até mesmo a família.
De acordo com o psiquiatra Roberto Ratzke, em atuação no Hospital Heidelberg, exclusivo para atendimento psicológico e psiquiátrico, a rejeição de um cancelamento pode provocar frustração imediata, sensação de desvalorização e perda de controle, sobretudo quando a expectativa era encerrar ou evitar uma situação.
Esse tipo de negativa tende a intensificar emoções como ansiedade, raiva e culpa, além de gerar desgaste emocional prolongado e recorrência de pensamentos sobre o ocorrido. Em relações interpessoais ou no ambiente profissional, o impacto pode ser ainda mais profundo, afetando a autoestima, a confiança e a disposição para futuras negociações, já que a pessoa passa a se sentir ignorada em seus limites e necessidades”, ressalta.
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Impactos profissionais e financeiros
A prática deste comportamento pode ter impactos não só na saúde mental, mas também financeira das pessoas. No caso do Big Brother Brasil, pessoas que são julgadas por agir com incoerência frente ao que pregam são crucificadas tanto no universo online, quanto por parceiros financeiros, acarretando em quebras de contrato e boicotes.
Para o médico psiquiatra Bruno Brandão, uma pessoa que transmite uma mensagem de forma infeliz ou erra em algum comportamento não deve receber julgamentos pelo resto da vida, pois essas falhas são comuns no ser humano. “Todos nós somos passíveis de erros, e colocar essas pessoas como as piores do mundo não é certo”.
O especialista ainda afirma que a cultura do cancelamento colabora para as pessoas acreditarem que podem fazer justiça com as próprias mãos.
Quem está de fora passa a agir como se estivesse lá dentro, e começa a cobrar posturas dos outros, que se não forem seguidas, deverá ser excluída, diante dos julgamentos. Dessa forma, fica evidente que a intolerância, comportamento bem típico na internet, pode até mesmo adoecer as pessoas, pois quando saírem do reality, não imaginam o que vão receber no mundo externo, visto que já foram julgadas e canceladas das mais variadas formas”.
Cuidados com os comportamentos tóxicos e imorais
Para Bruno Brandão, nem presencialmente é possível conhecermos o outro por completo. “Deveríamos praticar o hábito de julgar menos as pessoas. Todo mundo erra, e entender isso é importante para não acabar fazendo más interpretações em determinadas situações. Não podemos definir uma pessoa por uma frase mal colocada ou um comportamento inadequado”, afirma.
O especialista destaca que situações nas quais prevalece o desrespeito, a falta de educação, a intolerância e até mesmo preconceitos devem ser tratadas com cautela, pois nesses casos podem ser desvios psíquicos que as pessoas enfrentam, e um tratamento médico é a melhor opção.
Muitos no reality podem aprender com os erros, e perceber que esses comportamentos que foram tóxicos e imorais não devem ser reproduzidos aqui fora. Mas, cancelar uma pessoa só porque ela faz algo que você não concorda não é certo. Devem ser avaliadas as falas, o contexto e os motivos, antes de apedrejar quem quer que seja. Essa análise é crucial para sabermos diferenciar o que é uma atitude isolada e o que pode ser um desvio moral de comportamento”, conclui Brandão.
Como a família do cancelado pode ajudar?
O psiquiatra Roberto Ratzke alerta que é preciso saber que o cancelamento termina, por mais que demore. “O cancelamento é percebido como uma forma extrema de rejeição e ostracismo social, mas ele acaba”, conta.
De acordo com o psiquiatra Roberto Ratzke, amigos e familiares têm papel fundamental no apoio a pessoas que passam por situações de cancelamento, oferecendo presença, escuta e acolhimento. “É importante reforçar que o cancelamento é um fenômeno que ganha força, atinge um pico e, com o tempo, perde visibilidade até ser substituído por outro tema.
Também cabe à rede de apoio lembrar que a vida nas redes sociais não representa a vida real, o que acontece no Instagram, TikTok ou X não define a existência fora do ambiente online, onde as relações e experiências são concretas”, enfatiza.
Além disso, é essencial ajudar a pessoa a separar o que é virtual do que é pessoal. Nas redes, muitas atitudes são tomadas com a falsa sensação de impunidade, como se o ambiente digital fosse uma “terra sem regras”, ainda que existam leis que coíbam abusos.
Para atravessar esse período com menos sofrimento, recomenda-se um afastamento temporário das redes sociais, reduzindo o contato com conteúdos hostis e permitindo que o impacto emocional diminua enquanto a onda do cancelamento passa.
Casos emblemáticos de ex-BBBs cancelados
- Karol Conká (BBB 21): Detém o recorde absoluto de rejeição da história do programa, com 99,17% dos votos. O cancelamento ocorreu devido ao seu comportamento agressivo e manipulador com outros participantes, como Lucas Penteado.
- Viih Tube (BBB 21): Foi cancelada por suas estratégias de jogo consideradas “falsas” pelo público, saindo com 96,69% de rejeição.
- Patrícia Leitte (BBB 18): Durante anos, segurou o recorde de maior rejeição em um paredão triplo (94,26%) após ser vista como a vilã de sua edição.
- Camilla Maia (BBB 25): Recentemente, a trancista entrou para o ranking das maiores rejeições com 94,67% dos votos.
- Projota e Nego Di (BBB 21): Ambos integraram o chamado “Gabinete do Ódio” da edição e sofreram perdas financeiras e de seguidores após saírem com rejeições acima de 90%.
- Angela Munhoz (BBB 14): Sofreu forte reprovação na web por sugerir soluções extremas e absurdas para problemas de saúde pública durante o confinamento.
- Key Alves (BBB 23): Acusada de intolerância religiosa e de fomentar rivalidade feminina, enfrentando críticas pesadas nas redes sociais.
- Marcela Mc Gowan (BBB 20): Favorita no início, acabou cancelada por falas consideradas racistas e pela perda de protagonismo no jogo, chegando a precisar de ajuda médica no pós-confinamento devido às críticas.
Alguns participantes são “cancelados” assim que seus nomes são anunciados, geralmente devido a publicações antigas em redes sociais. Exemplos incluem participantes do BBB 21 cujos perfis foram vasculhados pelo público antes mesmo do início do programa.








