

Se este cenário se concretizar, países como Brasil, Laos, Nigéria, Sudão do Sul e a República Centro-Africana enfrentarão aumentos significativos e perigosos em suas temperaturas. Nações muito populosas como Índia, Nigéria, Indonésia, Bangladesh, Paquistão e Filipinas também sentirão fortemente os efeitos do aquecimento.
Para os pesquisadores, todas essas regiões estão despreparadas para enfrentar esse nível de calor e muitos moradores desses lugares terão de fazer uma “corrida” aos aparelhos de ar-condicionado já nos próximos cinco anos.
Países de climas mais frios como Finlândia, Rússia e Canadá vão experimentar uma mudança relativa muito maior, com vários dias de calor intenso. Nestas áreas, mesmo um pequeno aumento na temperatura, segundo o estudo, terá um impacto severo, uma vez que estes países têm suas estruturas pensadas para enfrentar as baixas temperaturas.
Nossas descobertas devem funcionar como um alerta. Ultrapassar o limite de 1,5ºC de aquecimento terá um impacto sem precedentes em tudo, da educação à saúde e da migração à agricultura”, alerta Radhika Khosla, um dos líderes da pesquisa da Oxford.
Para Khosla, o único caminho para a humanidade é promover o desenvolvimento sustentável “com emissões líquidas zero para reverter essa tendência de dias cada vez mais quentes”.
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Irritabilidade sem motivo, dificuldade de concentração, sensação de esgotamento logo no início do dia e dores de cabeça frequentes. Em períodos de calor intenso, esses sintomas se tornam cada vez mais comuns — e não são sinal de preguiça ou falta de força de vontade. A neurociência explica: o corpo e o cérebro entram em estado de estresse térmico, um tipo de sobrecarga silenciosa que afeta diretamente a saúde mental.
O calor prolongado não cansa apenas o corpo. Ele exige um esforço constante do cérebro para manter a temperatura interna estável, o que rouba energia de funções como atenção, memória, regulação emocional e tomada de decisão”, explica a aromaterapeuta e neurocientista Daiana Petry.
Por que sentimos mais preguiça e menos foco nos dias quentes?
Durante o calor intenso, o cérebro redireciona energia para funções básicas de sobrevivência. O resultado é menos disponibilidade para concentração, planejamento e produtividade.
O cansaço físico costuma melhorar com descanso ou sono. Já a fadiga neural, provocada pelo estresse térmico contínuo, persiste mesmo após pausas. Isso acontece porque o cérebro passa a priorizar a termorregulação, ativando sistemas ligados ao estresse e reduzindo a atividade de áreas responsáveis pelo foco e pela produtividade.
É por isso que, em dias muito quentes, tarefas simples parecem mais difíceis, a paciência diminui e a sensação de “mente pesada” se instala.
Estudos em neurociência já reconhecem o calor extremo como um estressor ambiental relevante, capaz de aumentar níveis de cortisol, agravar quadros de ansiedade, piorar sintomas depressivos e intensificar dores de cabeça e enxaquecas.
“O cérebro interpreta o calor constante como uma ameaça ao equilíbrio interno. Isso mantém o sistema nervoso em estado de alerta por tempo prolongado, o que gera exaustão emocional”, afirma Daiana.
Como ‘refrescar o cérebro’ nos dias quentes
Alguns aromas podem modular a forma como o cérebro percebe o desconforto térmico. Segundo a neurociência, o olfato tem conexão direta com o sistema límbico, responsável pelas emoções e pelo estado de alerta.
“O aroma de lavanda, em especial, ajuda o cérebro a sair do modo de ameaça e a reduzir a hiperativação neural, criando uma sensação de alívio e frescor emocional, mesmo sem alterar o clima”, explica a especialista.
A lavanda tem evidência científica de que:
- Reduz a ativação da amígdala, área ligada ao estresse e à irritabilidade
- Modula o eixo do estresse, ajudando a baixar o estado de alerta constante provocado pelo calor
- Não estimula em excesso, o que é fundamental em dias quentes (evita taquicardia, agitação ou dor de cabeça)
- É bem tolerada por cérebros sensíveis: crianças, idosos, pessoas com ansiedade, TDAH e enxaqueca
Além disso, diferente de óleos cítricos muito estimulantes, a lavanda não aumenta a sensação térmica.
Como fazer
Para aliviar a sobrecarga mental nos dias muito quentes, basta pingar 1 gota de óleo essencial de lavanda num pedaço de papel e inalar profundamente, realizando respirações lentas, inspirando pelo nariz por 4 segundos e expirando pela boca por 6 segundos, por cerca de um minuto, o que ajuda a ativar o sistema de relaxamento do cérebro. Durante a respiração, repetir mentalmente uma frase simples, como “agora meu corpo pode desacelerar”, reforça o sinal de segurança ao sistema nervoso.
Em dias de calor intenso, é importante evitar óleos muito estimulantes, como canela, cravo e alecrim, que podem aumentar a excitação neural, a sensação térmica e piorar quadros de ansiedade, enxaqueca e irritabilidade.
“Não é sobre relaxar profundamente, mas sobre sinalizar ao cérebro que ele pode diminuir a vigilância”, orienta Daiana.
Esse ritual é rápido, seguro e ajuda a restaurar clareza mental sem estimular excessivamente o sistema nervoso. “É uma estratégia que promove clareza mental suave, sem excitação excessiva e tende a ser mais eficaz nesse período”, finaliza.
Da Agência Brasil



