Burnout, estafa mental ou síndrome de final de ano, como evitar?

É possível pegar carona na mudança de rotina que o fim do ano gera para se fortalecer para 2024. Veja dicas de especialistas

Gostou desse conteúdo? Compartilhe em suas redes!

Enquanto alguns celebram o final do ano, para outras pessoas, esta época tende a desencadear sentimentos de angústia. A famosa síndrome de final de ano, conhecida como ‘Dezembrite’, é mais comum do que se imagina. No entanto, é possível adotar algumas estratégias para reduzir seus impactos. Segundo a ISMA (International Stress Management Association), estima-se que 30% da população brasileira pode ser afetada pela síndrome.

Katherine Sorroche, psicóloga especialista em saúde mental da mulher e parentalidade, diz que é possível aproveitar o final do ano e recompor a configuração da saúde de mente e corpo.

“A busca pelo equilíbrio começa com cada um avaliando a forma como está conduzindo sua vida e abrindo espaço para si mesmo, para práticas de autoconhecimento, para hobbies e coisas que realmente tragam satisfação, sentido e também desconexão da vida profissional para uma conexão com a família, a natureza, amigos, livros”, resume a especialista, ao aconselhar: “É preciso sair do piloto automático e buscar preencher a própria vida com outros ambientes e recursos que tragam satisfação e alívio mental”.

Segundo ela, para afastar-se de condições como estresse, exaustão e até o burnout, é preciso dedicar um pouco de cada dia a esse cuidado subjetivo que é o trato com a própria mente e a própria rotina. “Diariamente, precisamos buscar recursos para recarregar”, define a Katherine.

Ao considerar que o indesejado estado de estresse crônico resulta da forma como se leva a vida, a psicóloga recomenda aproveitar o fim do ano, e as mudanças naturais de agenda que essa época incita, para rever condutas na intenção de alcançar uma vida mais equilibrada e uma rica saúde mental. “Que tal aproveitar o final do ano para rever o que é importante para você? Faça um balanço entre o que está drenando sua energia e como você poderia recarregá-la”, indica.

9 passos para fugir do Burnout no final de ano

Abaixo, Katherine traz algumas dicas do que fazer para aliviar o estresse e a exaustão mental aproveitando a folga do fim do ano:

Fique longe do celular o maior tempo possível: a sobrecarga digital tem cada vez mais influenciado nossa saúde mental. Apesar de ser entendida como uma fonte de prazer e alívio imediato de tensão, por trazer certa distração, gera excesso de dopamina (hormônio do prazer) e é potencial para gerar um comportamento de comparação com outras pessoas e vidas de redes sociais, podendo trazer posterior frustração, tristeza, sentimentos de inadequação ou incapacidade.

Pratique grounding: Já se comprovou que a conexão com a natureza, para adultos e crianças, só traz benefícios ao corpo, à mente e ao cérebro. Aproveite os dias que se aproximam para fazer atividades ao ar livre que proporcionem prazer em se conectar com a natureza: andar descalço na terra ou areia, mexer na água, tomar sol, apreciar a natureza.

Aprecie sua própria companhia: Leia um livro, assista a um filme, prepare uma refeição que você goste, resgate aquilo que te nutre emocionalmente.

Aprecie a companhia das pessoas que você ama: As conexões sociais têm efeito curativo para o corpo e para a mente. Além disso, traz sensação de bem-estar e também pode promover trocas de ideias saudáveis e estimular o intelecto.

Coma bem: Aproveite para se alimentar melhor, com mais nutrientes, trazendo também calma e presença para o momento das refeições.

Pratique atividade física

Durma: Cuide do seu sono e aproveite para dormir mais cedo e ter um sono de mais qualidade

Atenção consigo: Esteja atenta a si mesma, aos seus sentimentos e aos sinais do seu corpo. Na maioria das vezes, o corpo dá sinais de que precisa de descanso, de desaceleração. Respeite seus limites.

Autoconhecimento: Adquirir consciência sobre si mesma, desenvolver clareza sobre o que traz sentido, satisfação e realização para sua vida; aprender a lidar com suas emoções. Tudo isso faz com que se construa clareza sobre a vida que se quer viver e seja possível, de fato, agir para construí-la.

O autoconhecimento te torna líder e protagonista da própria vida e isso faz com que você faça melhores escolhas, deixe de viver no piloto automático, desenvolva mais presença para as suas relações pessoais e profissionais, se distancie de ambientes tóxicos (geradores de estresse e potencial para burnout) e cuide melhor dos pilares do manejo do estresse (alimentação, sono, atividade física e suplementação).

5 passos para trazer equilíbrio e bem-estar neste período

A psicóloga Sabrina Amaral, da Epopéia Desenvolvimento Humano, destaca que neste período, as pessoas costumam fazer um balanço do que passou e planejar o próximo ano. “Mesmo sendo uma época de encontros com pessoas queridas, sentimentos de melancolia, estresse e autocobrança podem surgir. A síndrome é uma condição real e impacta muitas pessoas”, destaca.

Ainda segundo a especialista, são inúmeros os fatores que despertam emoções pesadas e a dificuldade de lidar com as adversidades, fatores que podem afetar diretamente o equilíbrio emocional. Mas que é possível mapear alguns deles, já que costumam surgir especificamente neste período. Confira:

  • Excesso de trabalho e dificuldade de gerir bem o tempo
  • Falta de dinheiro e cobrança por presentes
  • Conflitos em reuniões familiares e comparações com os outros
  • Saudade de pessoas que já faleceram
  • Pressão por felicidade e gratidão
  • Cobrança por coisas que não realizamos

Para ela, a forma com que se vivencia a ‘Dezembrite’ difere de pessoa para pessoa, mas, que há uma concentração muito grande nas expectativas não atendidas: “Costumamos focar no lado negativo e esta atitude gera angústia e sentimentos de menos-valia. É fato que o impacto emocional é ainda maior para pessoas que são muito exigentes consigo mesmas. A partir daí é que podem surgir os sintomas físicos e psicológicos como ansiedade, irritabilidade, insônia, gastrite nervosa, entre outros”, destaca.

Neste contexto, Sabrina Amaral sugere uma postura mais acolhedora com os próprios sentimentos, em vez de fuga e negação e, por isso, elencou 5 passos que podem contribuir com este processo. Confira:

  1. Valorizando o positivo Desenvolva o hábito de ressaltar seus aspectos positivos e qualidades, bem como suas vitórias e acontecimentos de vida que foram bons. Isso despertará em você uma sensação de contentamento e bem-estar, que são os ingredientes fundamentais para uma boa saúde emocional. Respeite suas limitações, valorize-se e agradeça por cada pequena conquista.
  1. Régua da autoexigência Quanto mais somos exigentes conosco, mais ampliamos um estado emocional dolorido. Permita-se fazer uma reflexão mais generosa, analisando o que você fez bem e o que pode ser feito de forma diferente da próxima vez, transformando erro em aprendizado.
  1. Ressignifique Já passou pela sua cabeça que, talvez o fato de não ter concretizado aquele plano que queria é consequência de você ainda não estar preparado para isso? Substitua a culpa pela habilidade e assim responda diferente numa próxima vez. Mas se você chegar à conclusão de que faltou força de vontade, reflita se o que você almeja é algo que genuinamente deseja, ou se está fazendo isso por outra pessoa.
  1. Expectativas Ao invés de querer mudar o outro e criar expectativas, trabalhe sua reação frente as adversidades. Pense em estratégias para te ajudar neste momento: deixe claro seus limites (comunicação não-violenta é sua maior aliada nessas horas), diga não e evite discussões desnecessárias. Por fim, respire fundo e saiba que isso vai passar.
  1. Presente não é moeda de troca Tenha em mente que o valor do presente não é proporcional ao tanto de afeto que você sente pela pessoa. Além disso, não é demérito você estar passando por dificuldades financeiras e, por conta disso, não conseguir presentear como gostaria. Faça um planejamento financeiro e assuma compromissos apenas com aquilo que vai caber no seu orçamento.

A especialista ainda ressalta que é muito normal sentir-se mais triste, ansioso ou estressado neste período, mas que é preciso tomar cuidado para não aliviar o sofrimento utilizando mecanismos como compras compulsivas ou até mesmo exagerar na comida ou na bebida. “Torne-se adepto da autocompaixão e valide seus sentimentos. Este é o começo do caminho”, indica.

A psicóloga afirma que é preciso ter um plano para cumprir seus objetivos e alcançar sucesso, então sugere um checklist para te ajudar a ‘driblar’ o cérebro e os mecanismos de autossabotagem que te impedem de chegar lá. E para quem quiser se aprofundar mais, neste link é possível encontrar alguns testes que podem ajudar muito neste processo.

Com Assessorias

 

 

Gostou desse conteúdo? Compartilhe em suas redes!

You may like

In the news
Leia Mais
× Fale com o ViDA!