Você tem o hábito de ranger, apertar ou bater os dentes, especialmente quando está mais ansioso? Calma que você não é único. Dados da OMS – Organização Mundial de Saúde apontam que 30% da população mundial sofre de Bruxismo, um transtorno caracterizado por atividades do músculo da mastigação, que ocorrem de forma involuntária. Embora seja muito associado ao período de sono, o bruxismo também pode acontecer durante a vigília, ou seja, quando estamos acordados.
“No caso da vigília, ele está diretamente relacionado com períodos de estresse, ansiedade e concentração. O estresse, em especial, pode afetar o nosso descanso, fazendo com que ele fique mais superficial e com ‘microdispertares’, aumentando assim chance de incidência do bruxismo do sono”, diz a médica Juliana Mussi, cirurgiã bucomaxilofacial, que atua no Hospital Paulista – especializado no tratamento desse tipo de disfunção.
Ela alerta que o bruxismo pode causar disfunções de articulação temporomandibular, comprometendo a mastigação e a fala. Conhecidas como DTM, elas formam um conjunto de alterações que atinge a nossa articulação temporomandibular, musculatura e estruturas associadas.
“Além de muita dor em regiões da face e ouvidos, a DTM ainda pode comprometer a fala e a mastigação, caso não tratada”, comenta. Esta alteração está presente na população mundial e pode se manifestar com dores de cabeça, estalos ao abrir e fechar a boca, dor na região dos ouvidos, musculatura da face, zumbido – e até mesmo travamentos na mandíbula, por exemplo.
Mas é importante ressaltar que bruxismo não é DTM. O bruxismo é caracterizado por atividades do músculo da mastigação, sendo controlado pelo sistema nervoso central, ou seja, independente da nossa vontade. Ele se manifesta pelo hábito de ranger, apertar, bater os dentes, por exemplo, e pode levar uma disfunção de ATM.
Bastante associada a situações de estresse e ansiedade, a DTM é um tipo de disfunção envolvendo a articulação temporomandibular (ATM), que conecta o osso mandibular ao osso temporal do crânio – localizado próximo aos ouvidos e responsável pela abertura e fechamento da boca, mastigação e fonação.
Mulheres são mais propensas ao bruxismo
As mulheres, segundo a médica, são as que mais recorrem ao tratamento especializado.
“A estimativa é que 80% do público que atendemos seja de mulheres. Isso pode ser explicado por estudos que apontam o estrogênio (hormônio sexual feminino) como um possível fator de alteração do metabolismo ósseo e da cartilagem da articulação temporomandibular, bem como do mecanismo regulador da dor”, observa Juliana Mussi.
Quanto ao diagnóstico, ela explica que se dá por meio de avaliação clínica, onde é verificada a articulação e a musculatura e através de exames de imagens, como por exemplo ressonância magnética. Os tratamentos para DTM são divididos em dois grupos: o clínico e o cirúrgico. O primeiro, segundo ela, é o indicado para a grande maioria dos pacientes.
“Ele pode envolver ações como fisioterapia, agulhamento seco, acupuntura, uso da placa de mordida, laserterapia e o envolvimento de uma equipe multidisciplinar para avaliação dos aspectos psicológicos por exemplo. Em alguns casos, ainda de acordo com a especialista, também é feito o uso de medicamentos para dores agudas e crônicas.
Quanto aos procedimentos cirúrgicos, Mussi explica que, dependendo do quadro clínico, é possível aplicar soluções menos invasivas. É o caso das infiltrações de substâncias dentro da articulação e a artroscopia.
“Trata-se deum procedimento minimamente invasivo e sem cortes, que permite investigar o interior de uma articulação com uma microcâmera, fazer o diagnóstico e realizar o procedimento necessário para melhora da condição articular”, explica.
Já nos mais graves, segundo ela, a opção é pelas chamadas ‘cirurgias abertas’, que são mais invasivas e ocorrem quando há necessidade de acessar a articulação.