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Especial Bariátrica: ‘Para passar na roleta, era um Deus nos acuda’

Maria Bernadete se sente feliz porque recuperou a saúde, a auto estima e hoje leva uma vida mais saudável (Foto: Divulgação)
Após bariátrica, Maria Bernadete recuperou a saúde, a auto estima e hoje leva uma vida com mais qualidade (Foto: Divulgação)

Natural de uma família de 10 irmãos, ela começou a engordar quando jovem e, após a segunda gravidez, o ponteiro da balança disparou. Com 1,67 metro de altura, chegou aos 130 quilos e acumulou graves problemas de saúde. A pressão arterial era 17, 18 e chegava a 20. Foi quando decidiu procurar ajuda: apenas a cirurgia bariátrica (conhecida como redução de estômago) poderia resolver seus problemas.

Muito religiosa, se apegou à fé para ter resignação necessária para esperar na fila do SUS. Foram mais de dois anos até ir para a mesa de cirurgia no Rio de Janeiro. Passados pouco mais de quatro meses, ela já perdeu quase 40 quilos e recuperou sua autoestima. Conheça a história de Maria Bernadete de Barros Silva, de 52 anos, narrada por ela mesmo para os leitores do Vida & Ação neste post que abre a série especial sobre cirurgia bariátrica.

Magra na infância, ela tentou de tudo

“Sou moradora da cidade de Barra Mansa, no sul do Estado do Rio de Janeiro. Minha família é grande. Sou de uma irmandade de 10 irmãos. Quando mais novos, éramos muitos magros, raquíticos. Mamãe, preocupada, dava gemada, ovo cru… e tudo mais que se dizia que era bom para engordar. Dos 10 filhos, somente eu e minha irmã pegamos mais corpo, meus oito irmãos continuaram bem magrinhos.

Quando me formei comecei a engordar, mas não foi muito. Me casei aos 29 anos com 71 quilos e depois de dois anos engravidei e daí fui disparando, só fui engordando… Quando engravidei pela segunda vez aí o ‘bicho pegou’, pois já estava com minha autoestima muito baixa. Não conseguia emagrecer de jeito nenhum. Passei por nutricionista, endocrinologista e nada”.

Além dos problemas de saúde, o preconceito

“Eu pesava 130 quilos e tinha problemas de fascite plantar bilateral. Sentia dores pelo corpo todo, pressão alta, trombose, coração, coluna… Enfim, eram muitos problemas para uma pessoa só! Minha auto estima já não existia, as pessoas me olhavam com ar de crítica negativa. Para passar na roleta era um Deus nos acuda. Todos olhavam pensando que eu ficaria agarrada. Para comprar roupa também era difícil: o vendedor já vinha na minha direção falando que NÃO tinha meu número!!!

Restaurante nem pensar, pois quando entrava na porta eu sentia que as pessoas se viravam para olhar e isso acabava comigo. Até o dia em que passei mal no serviço e fui parar na UPA 24 horas. O resultado seria: ou eu fazia a bariátrica ou morria. Foi aí que tudo começou a clarear  e dar certo. Fiquei na fila dois anos, dois meses e cinco dias aguardando pela cirurgia, mas Deus reservou o melhor para mim. Fui operada pelo excelente cirurgião doutor Cid Pitombo e sua equipe maravilhosa no dia 21 de março deste ano, no Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes, Rio de Janeiro”.

 

Sono, caminhada e atividades em dia

“Hoje estou com 94 quilos. Já eliminei 36 e estou passando muito bem. Não tomo remédio nenhum. Faço minhas caminhadas, como frutas com grãos no café dá manhã – coisa que não fazia. Me alimento muito melhor, sinto o sabor dos alimentos. Durmo agora muito bem, ando de bicicleta, trabalho normal. Ainda estou em tratamento. Vou ser acompanhada durante dois anos, pois vou fazer – se Deus quiser – a (cirurgia) reparadora. Sou acompanhada por nutricionista, nutrólogo e psicóloga.  Em setembro o doutor César Pitombo e nosso nutrólogo vão dizer qual será o peso ideal que terei.

Minha caminhada após a bariátrica está só começando, mas estou muito feliz com o resultado que estou tendo. Já amarro meu tênis, ando de bicicleta, cruzo as pernas, uso botas. Passo agora na roleta do ônibus e todos olham, mas não com ar de reprovação, e sim de admiração. Me visto bem, tenho prazer de me olhar no espelho e me maquiar. E o principal: gostar do que estou  vendo!”

Pacientes do SUS perdem quase 80 toneladas juntos no Rio

O apoio da família e dos colegas de trabalho

Fico muito feliz, pois tudo está dando certo. Tive muito apoio do meu esposo e da minha família. Sou mãe de duas filhas – uma de 23 anos que mora, trabalha e faz faculdade no Rio de Janeiro e a outra de 18 anos, que estuda Administração de Empresas junto com o pai.  Trabalho em um restaurante italiano chamado La Campagnola, no meu bairro, e meu patrão é como um pai para mim, somos uma empresa família!

Hoje eu digo para as pessoas sobre esse problema de obesidade que, na realidade é uma doença: “Se cuidem. Não deixem de se tratar, pois a obesidade mata. Procurem o posto de saúde mais próximo de sua casa,  vá a sua Secretaria de Saúde, se informem”. Ainda há muitos anjos na terra como a equipe do doutor Cid Pitombo para nos ajudar e apoiar. Só tenho a agradecer pela ajuda, atenção e cuidado que eles têm para comigo e a todos que passam por lá”.

Mensagem de incentivo, fé e otimismo

Eu só queria fazer uma ressalva: quando alguém passar por um obeso, por favor, não olhe com desprezo, pois o que ele precisa é de muito amor, carinho e atenção. Essa doença deixa a pessoa muito pra baixo, se sentindo um grão de areia numa imensidão do mar. Às vezes pensamos em desistir de tudo, tão grande é nossa solidão e o peso que carregamos. Por isso não virem o rosto para o outro lado. Dê a mão, dê uma ajuda, seja solidário, seja amigo, seja irmão. Veja num obeso o Cristo Jesus, pois é isso que Deus espera de todo cristão. Sem a fé nas três pessoas da Santíssima Trindade que é o Pai, o Filho e o Espírito Santo não conseguimos nem respirar. Tudo é através da graça de Deus.

Quero acrescentar às pessoas que estão na fila ou que querem e necessitam de operar para ter  mente os 3 FS: Força, Foco e Fé. Temos que ter um objetivo, uma meta, um foco. E o pensamento positivo nos leva a alcançar o nosso objetivo. Portanto, focalize, tenha força de vontade e não desanime. Se não deu certo hoje, amanhã será um novo dia. Vá em frente, enfrente o ‘não’ que o ‘sim’ virá. Boa sorte a todos que passarão pelo processo. Todo ser humano merece viver, e viver com dignidade, com amor, com alegria! Deus os abençoe poderosamente e os façam muito felizes! Abraços fraternos!!!”

 

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