Pacientes do SUS perdem quase 80 toneladas juntos no Rio

Programa de cirurgia bariátrica do Hospital Estadual Carlos Chagas já tem mais de 1.800 operados

Maria Bernadete se submeteu à cirurgia em março de 2017, quando pesava 120 quilos (Foto: Acervo pessoal)
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Maria Bernadete se submeteu à bariátrica pelo SUS
Maria Bernadete se submeteu à bariátrica pelo SUS em março de 2017, quando pesava 129 quilos (Foto: Acervo pessoal)

Quando foi levada para a mesa de cirurgia no dia 21 de março deste ano, Maria Bernadete de Barros da Silva, de 52 anos, pesava exatos 129 quilos. Um mês depois, a moradora de Barra Mansa (RJ) já havia perdido 20 e até o final de agosto já eram quase 40. Ela faz parte de uma estatística que cresce a cada dia no Rio de Janeiro. Desde que foi criado pelo SUS o programa de cirurgia bariátrica no Hospital Estadual Carlos Chagas, mais de 1.800 pacientes foram operados. Ao todo, foram mais de 76 toneladas perdidas nos procedimentos.

A média de atendimentos ambulatoriais se mantém em 2.000/mês e a taxa de sucesso é de 99%, garante o cirurgião responsável pela equipe, Cid Pitombo.  Com isso, o Estado do Rio detém o recorde de cirurgias bariátricas feitas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) por videolaparoscopia. Menos invasiva, a técnica permite recuperação mais rápida do paciente e passou a ser ofertada este ano no SUS. Antes, havia apenas a técnica de laparoscopia aberta. A previsão é que a maioria dos procedimentos antes conduzidos pela forma laparotômica passe a ser conduzida pela via laparoscópica.

A equipe do programa é multidisciplinar, composta por médicos, enfermeiros, psicólogos e nutricionistas. Mais de quatro mil pacientes estão sendo acompanhados no pré e pós-cirúrgico. “É um trabalho de resgate desses pacientes, realizado com muita dedicação e seriedade por toda a equipe”, conta o coordenador do programa. “Devolvemos à sociedade o paciente antes obeso que não trabalhava, que tinha vergonha de comprar roupas e que não tinha mais vida afetiva”, completa Pitombo, um dos maiores especialistas do país nesta técnica.

Confira o depoimento de Maria Bernadete ao Blog Vida & Ação

Nova técnica disponível desde fevereiro

Em fevereiro, portaria publicada no Diário Oficial da União autorizou que pessoas com obesidade mórbida contem com a técnica gastroplastia videolaparoscópica no SUS. A opção é a mais utilizada no mundo para a realização da cirurgia bariátrica. A técnica possibilita a perda de peso tanto pela diminuição do tamanho do estômago e também da superfície intestinal.

O procedimento, assim como os outros cirúrgicos por laparoscopia,  oferece uma série de vantagens aos pacientes. Uma delas é a possibilidade de um menor tempo de permanência no hospital.  Com menos volume de sangue necessário durante a cirurgia, é menor também a necessidade de UTI e a incidência de complicações pulmonares, entre outros benefícios.

Até a vida financeira e sexual de ex-gordinhos melhora

Estudo inédito feito pela equipe do Dr. Pitombo apontou que a vida sexual e financeira dos ex-gordinhos só melhorou após a cirurgia. Cerca de 40% dos pacientes afirmaram que a vida sexual passou de ruim para muito boa. Outros 14% disseram que a vida entre quatro paredes passou de boa para muito boa. Os novos magrinhos também relataram aumento de mais de 30% na renda familiar.

Atendimento a jovens

Pioneiro neste tipo de tratamento no SUS, o programa já tratava jovens pacientes dois anos antes da divulgação de portaria do Ministério da Saúde que permite a realização da redução de estômago pelo SUS a partir dos 16 anos. O objetivo principal é focar no atendimento especializado e preventivo, ou seja, a redução do peso com dietas. A opção prioritária pela não intervenção cirúrgica de imediato está relacionada aos eventuais danos psicológicos em pessoas tão jovens.

Exigências e como ter acesso

Para ser operado pelo SUS, o paciente deve possuir Índice de Massa Corpórea dentro do indicado pela portaria do Ministério da Saúde que regula as cirurgias bariátricas no país. Ou seja, IMC maior que 40kg/m² ou maior que 35kg/m², quando associado a fatores de comorbidade, como hipertensão e diabetes. Aqueles que não tiverem doenças graves associadas são avaliados, preparados e operados.

Para se candidatar, o paciente deve procurar primeiro um atendimento ambulatorial perto de casa, para que um médico avalie a necessidade da cirurgia. Se a operação for indicada, é solicitada uma segunda avaliação à Central de Regulação de Cirurgia Bariátrica do Estado. Daí o pedido é encaminhado de forma online ao Hospital Estadual Carlos Chagas. O paciente é contatado e tem uma consulta de avaliação marcada. A espera, no entanto, pode passar de dois anos, como foi o caso de Maria Bernadete.

Perfil do especialista

Há quase 25 anos, ao sair da faculdade, Pitombo foi para os Estados Unidos se especializar em cirurgia laparoscópica. Voltou ao Brasil cinco anos depois para aprender sobre cirurgias da obesidade. Ao final do mestrado e doutorado rodou grandes centros de cirurgia bariátrica nos EUA. Logo percebeu que os conhecimentos sobre laparoscopia e obesidade eram uma área a ser explorada. Juntou-se aos grandes nomes da cirurgia bariátrica, experimentou diferentes técnicas, operou e deu aulas em diversos países. E se tornou referência no Brasil em bariátrica por videolaparoscopia, técnica que utiliza em todas as unidades em que opera.

Pitombo é editor-chefe do livro ‘Obesity Surgery: principle and practice’, referência mundial no assunto, da editora McGraw-Hill.

Fonte: Dr. Cid Pitombo, com Redação

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