Autismo e seus diferentes níveis: o desafio do diagnóstico

Especialistas explicam os níveis de autismo, principais sintomas, formas de diagnóstico e como tratar a pessoa com autismo

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O Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou simplesmente autismo é uma condição de saúde que compromete três áreas do desenvolvimento: interação social, comportamento e comunicação. O paciente autista encontra dificuldades de domínio da linguagem, socialização e desenvolve comportamentos restritivos e repetitivos, além de alteração a estímulos sensoriais.

Não há cura para a síndrome, mas o tratamento traz qualidade de vida para o paciente com autismo melhorando a comunicação, a socialização e reduzindo os comportamentos repetitivos. O acompanhamento é feito por uma equipe multidisciplinar composta por profissionais da saúde como médicos, fonoaudiólogos, nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos e terapeutas ocupacionais.

A data de 2 de abril marca o Dia Mundial da Conscientização do Autismo. A iniciativa, oficializada em 2007 pela Organização das Nações Unidas (ONU), tem o objetivo de conscientizar a sociedade sobre o tema e combater o preconceito contra as pessoas com TEA. A partir disso, foi criada também a campanha Abril Azul, para fomentar ao longo de todo o mês ações de apoio à causa ao redor do mundo.

Mesmo com maior acesso à informação nos últimos anos, ainda há dúvidas sobre o que realmente é o autismo, seus sintomas e as implicações para o indivíduo. A conscientização dos pais e da sociedade em geral sobre o tema é importante para que o diagnóstico de TEA seja feito o quanto antes na criança.

O Portal ViDA & Ação contribui para este importante debate, trazendo neste Abril Azul a série Especial Autismo, com informações qualificadas sobre a condição, seus diferentes níveis e as formas de tratamento. Confira:

Um transtorno que não tem cura

A neuropediatra e professora do curso de Medicina da Uniderp, Dayane Danieli, explica que ainda que o autismo seja um transtorno que não tem cura, a criança pode adquirir as habilidades funcionais esperadas para a idade.

“Atraso na fala, fraco contato visual, dificuldade para responder quando chamado pelo próprio nome, dificuldade com mudança de rotinas, podem ser sinais do transtorno e, quanto mais cedo forem iniciadas as intervenções, melhor será a qualidade de vida do paciente com autismo”, esclarece a especialista.

O número de casos identificados tem crescido e a causa que prevalece, segundo estudos, continua sendo a epigenética; incluindo agravantes como idade dos pais, por conta do aumento do risco de mutação genética com o envelhecimento e a predisposição de ambas as partes, sendo paterna e materna.

Como identificar os sinais?

Os principais sintomas do autismo são dificuldades sociais e de comunicação, como iniciar uma interação social, dificuldade em demonstrar emoções, prefere ficar sozinho, pouco contato visual, não entende linguagem corporal ou facial.

A pessoa com autismo possui interesses restritos e repetitivos como ecolalia (repetição da fala do outro), rigidez de pensamento, interesse extremo ou restrito a um assunto/objeto e repetições motoras ou vocais.  As manifestações desses sintomas variam de criança para criança, dependendo do nível de suporte.

Os sintomas, no entanto, variam de acordo com a criança. “As características mais evidentes estão ligadas à comunicação social e à presença de comportamentos disfuncionais”, explica Dayane.

No comportamento social, destacamos a dificuldade em estabelecer um diálogo e de entender expressões e emoções, e a falta de interesse em estar e brincar com outras crianças.

Há ainda os sinais na linguagem. A criança normalmente não atende ao ser chamado pelo nome, não estabelece ou mantem contato visual e não obedece aos comandos simples do adulto como de sentar-se, levantar-se ou pegar algo.

Quanto ao comportamento motor e sensorial, é possível notar que a crianças anda na ponta dos pés, faz movimentos apontando exaltação com as mãos, pula e grita com frequência.

A médica ressalta que, em alguns casos, a pessoa com o transtorno faz uma seleção alimentar distinguindo por cores o que aceita ingerir, ou apresenta dificuldade em aceitar determinadas texturas e cheiros.

O autismo pode diagnosticado ainda na infância, por meio da Atenção Primária à Saúde (APS), durante as consultas para o acompanhamento do desenvolvimento infantil. A neuropediatra finaliza destacando que, por se tratar de um período muitas vezes delicado para a família, o apoio emocional aos pais é fundamental e que a ajuda de um médico não deve ser negligenciada.

Os diferentes níveis do autismo

O TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento que engloba dificuldades na comunicação e na socialização, comportamentos e interesses restritos e repetitivos, e é classificado como um espectro.

O TEA é conhecido também de diferentes maneiras, como Transtorno Autístico, Transtorno/Síndrome de Asperger, Transtorno Desintegrativo da Infância, Transtorno Global ou Invasivo do Desenvolvimento sem outra especificação e é considerado um dos Transtornos do Neurodesenvolvimento.

O Autismo apresenta diferentes níveis de suporte.

  • Nível 1: Pode apresentar dificuldades em situações sociais e comportamentos restritivos e repetitivos. Embora consigam se comunicar verbalmente, podem ter alguma dificuldade para manter uma conversa e fazer amigos. Precisam de pouco suporte para as atividades do dia a dia.
  • Nível 2: Podem ou não se comunicar verbalmente, não fazem muito contato visual e muitas vezes não conseguem expressar suas emoções pela fala ou por meio de expressões faciais. Apresentam comportamentos restritivos e repetitivos, gostam de manter hábitos e a rotina, sentindo-se incomodados ou perturbados quando isso não acontece. Pode haver deficiência intelectual associada e precisam de um suporte moderado no dia a dia.
  • Nível 3: Muitos não falam ou usam poucas palavras para se comunicar. Apresentam comportamentos restritivos e repetitivos, não costumam lidar bem com eventos inesperados e podem não responder a determinados estímulos sensoriais. Precisam de muito suporte para as atividades do dia a dia.

Educação inclusiva em entidade filantrópica

Diversas instituições públicas e privadas trabalham a questão do autismo. Na cidade de Valinhos (SP), a Acesa Capuava trabalha em busca da melhora de pacientes com TEA, além de realizar trabalhos destinados ao público infantil, jovens e adultos com deficiência.

Na Acesa Capuava as crianças são encaminhadas para as terapias multidisciplinares adequadas e acompanhadas na educação inclusiva junto à escola quando há indicação. A entidade filantrópica atende pessoas com transtorno do espectro autista, deficiência intelectual, deficiência múltipla e surdez.

Fundada em 2002, atua junto à comunidade carente de toda Região Metropolitana de Campinas e é formada por um grupo de profissionais que se uniu com a missão de prestar um serviço de amor incondicional e de cidadania. Todos os seus colaboradores acreditam no ser humano, em suas infinitas possibilidades e em sua capacidade de transformar e transcender toda e qualquer condição de vida.

Para mais informações, visite o site, a loja virtual e a página no facebook.

Com Assessorias

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