Asfixia perinatal atinge dois bebês a cada hora no Brasil

Falta de oxigenação no cérebro é a terceira causa de morte entre recém-nascidos. Campanha Setembro Verde-Esperança traz o mote #EuRespiroVida

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A cada ano, no mundo, um milhão de recém-nascidos sofrem asfixia perinatal ao nascer. No Brasil são mais de 20 mil bebês, ou dois a cada hora. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) revelam que a falta de oxigenação no cérebro é classificada como a terceira principal causa de morte neonatal, além de ser a principal responsável por lesões cerebrais permanentes em bebês nascidos a termo.

Se não tratada de forma imediata e eficiente pode causar sequelas neurológicas para o resto da vida, como paralisia cerebral, cegueira, surdez e deficiência cognitiva. Das que sobrevivem, cerca de um terço têm lesões neurológicas sérias e sequelas, que exigem tratamentos e cuidados permanentes. Além da asfixia perinatal, prematuridade e má-formação do coração, a chamada cardiopatia congênita, são outras disfunções que afetam recém-nascidos e deixam sequelas que poderiam ser evitadas com diagnóstico e protocolos imediatos e eficientes.

Aproximadamente 10% dos recém-nascidos e mais de 60% dos bebês prematuros necessitam de ventilação pulmonar na sala de parto para recuperar a respiração.  A asfixia perinatal é uma condição crítica que ocorre quando um bebê enfrenta uma redução significativa no suprimento de oxigênio durante o parto ou logo após o nascimento, podendo acontecer antes, durante ou após o parto. Esta situação pode ter sérias consequências para o desenvolvimento do recém-nascido e, em casos extremos, pode levar a danos neurológicos permanentes.

Menos de 5% dos bebês têm acesso a suporte e tratamento

A asfixia perinatal representa uma dura realidade onde, após realizado o diagnóstico, estima-se que menos de 5% dos recém-nascidos asfixiados em nosso país têm acesso ao tratamento e suporte mais adequado. Com isso, grande parte pode ter o seu futuro comprometido por diversas sequelas neurológicas, como paralisia cerebral, deficiência cognitiva, cegueira ou surdez.

Estudos indicam que entre os principais fatores de risco para a asfixia perinatal estão a idade da mãe, baixo peso ao nascer, histórico de saúde da mãe (incluindo gravidez anterior ou abortos), prematuridade, ameaça de parto prematuro, intercorrências clínicas e assistência pré-natal de qualidade inferior. Além disso, o objetivo é de conscientizar a população de que, por meio de tratamento adequado, é possível minimizar o profundo impacto socioeconômico dessa doença no País.

Apesar de pouco conhecida, esta condição representa um sério problema de saúde pública. Estudos apontam que uma criança com deficiência neurológica grave pode ter um aumento no custo direto em saúde até 150 vezes maior do que comparado a crianças sem deficiência. Mas por meio de políticas públicas, é possível reduzir o devastador impacto social e econômico da doença, mudando assim a história de vida de milhares de crianças e suas famílias.

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Campanha Setembro Verde-Esperança

A campanha nacional Setembro Verde-Esperança, promovida e idealizada pelo Instituto Salvando Cérebros, com apoio da Associação Brasileira de Pais, Familiares, Amigos e Cuidadores de Bebês Prematuros (ONG Prematuridade.com), além de outras entidades e empresas parceiras, tem como mote #EuRespiroaVida.

“No Brasil, são dois bebês por hora que nascem com falta de oxigenação no cérebro. Esse impacto precisa ser percebido e evitado por meio de medidas preventivas”, afirma o médico pediatra Gabriel Variane, fundador do Instituto Protegendo Cérebros, Salvando Futuros.

A entidade sem fins lucrativos foi criada por profissionais da área da saúde que objetivam disseminar estratégias para prevenção de sequelas neurológicas em bebês. “Queremos sensibilizar os setores público e privado, e a sociedade de uma forma geral para a importância de políticas que visem a prevenção e o tratamento adequado e a redução do número de mortes de crianças por causa da doença”. 

Os principais objetivos dessa campanha incluem unir instituições apoiadoras com o intuito de sensibilizar a sociedade de que asfixia perinatal é um grave problema de saúde pública; alertar os setores público e privado para a necessidade de reduzir o impacto dessa doença em nosso país; e ao reduzir as chances de sequelas em bebês, mudar histórias de vida de milhares de crianças e de suas famílias.

“Durante o mês de setembro, trabalharemos lado a lado com outras organizações, profissionais de saúde e comunidades para oferecer informações valiosas sobre os fatores de risco, sinais de alerta e medidas preventivas relacionadas à asfixia perinatal”, diz Denise Suguitani, diretora da ONG Prematuridade.com.

Agenda Positiva

Além de campanha digital nas redes sociais com apoio de influenciadores digitais e personalidades, parceiros, médicos, profissionais de saúde, famílias engajadas com a causa, que vestirão a camiseta da campanha, a iniciativa inclui ações em várias capitais do país.

Serão iluminados de verde pontos icônicos como Cristo Redentor, dia 20, no Rio de Janeiro, e prédio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), dia 14, na Avenida Paulista, além do Teatro Amazonas, em Manaus, e Congresso Nacional, em Brasília, e prédios de instituições de saúde. A campanha também poderá ser vista nos painéis dos relógios de rua em São Paulo. Mais informações no site da PBSF.

O Instituto Protegendo Cérebros Salvando Futuros também fará um painel sexta-feira, 22/9, no Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros, no Belenzinho (São Paulo-SP), com participação de especialistas no tema e apresentação de cases – crianças que tiveram Asfixia Perinatal ao nascer e evoluíram sem sequelas. Inscrições e informações aqui.

Com Assessorias

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