Acusado de corrupção na pandemia, médico perde registro

Edmar Santos, ex-secretário de Saúde do Estado do Rio e médico anestesista no Hospital da Polícia Militar, é cassado pelo Cremerj

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Acusado de integrar uma organização criminosa que fraudou contratos de compra de respiradores pulmonares utilizados em pacientes com covid-19 e de construir hospitais de campanha que não chegaram a funcionar, o ex-secretário estadual de Saúde do Rio de Janeiro, Edmar José Alves dos Santos, não poderá mais exercer a Medicina. O médico anestesista teve seu registro profissional cassado pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj).

A sentença do órgão que regula a atividade dos médicos foi determinada na terça-feira (13), durante reunião da segunda câmara de julgamento de processos, formada por cerca de 20 conselheiros. Segundo o Cremerj, “a cassação do registro é a penalidade mais alta, de acordo com a legislação vigente”.

Edmar Santos chegou a ser preso em julho de 2020. A prisão, no entanto, durou menos de um mês e ele voltou a exercer suas atividades no Hospital da Polícia Militar, onde é oficial de carreira. Ex- diretor do Hospital Universitário Pedro Ernesto, ligado à Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), ele é oficial de carreira e é tenente-coronel da PM do Rio. Procurada pelo Portal ViDA & Ação, a assessoria da corporação ainda não informou se ele permanece nos quadros.

Edmar Santos foi preso em casa, em Botafogo, na zona sul do Rio, no dia 10 de julho de 2020. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em outra casa do ex-secretário, em Itaipava, na região serrana do Rio de Janeiro. A ação foi um desdobramento da Operação Mercadores do Caos, sobre fraudes em contratos da Secretaria Estadual de Saúde, que já tinha resultado na prisão do ex-subsecretário executivo Gabriel Neves, no início de maio daquele ano.

Na gestão de Edmar Santos a frente da Secretaria estadual de Saúde, dos sete hospitais de campanha prometidos para atender os casos de covid-19, apenas dois foram inaugurados. Além disso, mil respiradores comprados para atender pacientes graves da doença nunca foram entregues à rede de saúde pública do Estado. Os equipamentos custaram R$ 36 milhões e apenas 52 foram entregues, mas nenhum deles servia para o tratamento de pacientes graves de covid-19.

Dias depois da prisão de Neves, ainda em maio de 2020, Edmar Santos foi exonerado do cargo de secretário estadual de Saúde pelo então governador Wilson Witzel. Menos de um mês depois de ser preso, Edmar Santos foi solto no dia 7 de agosto de 2020, por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O ex-secretário teria firmado acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Com Agência Brasil e Cremerj

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