Dor, desespero, desolação. Em meio a lágrimas, moradores que estão em abrigos improvisados de Juiz de Fora (MG) receberam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste sábado (28). Muitos deles relataram a dor de perder entes queridos, casa e bens materiais conquistados com grande sacrifício durante a tragédia das chuvas que culminou em deslizamentos, soterramentos e inundações em várias cidades da região da Zona da Mata mineira.

Só em Juiz de Fora foram 65 mortos e ao menos 8,5 mil ficaram desabrigadas ou desalojadas. Outras sete pessoas morram em Ubá, onde os bombeiros ainda procuram mais uma vítima desaparecida. Após sobrevoar as cidades atingidas pelos fortes temporais, alagamentos e deslizamentos de terras, Lula reconheceu que vidas perdidas não podem ser recuperadas, mas garantiu que o governo atuará para restabelecer as condições de moradia e infraestrutura.

Aquilo quer for material, que a cidade teve prejuízo, educação, saúde, as casas, nós vamos garantir que as pessoas vão ter de volta”, disse o presidente. “A única coisa que, lamentavelmente, a gente não pode recuperar é a vida das pessoas que morreram. Mas podemos garantir que as pessoas tenham perspectiva e dignidade para recomeçar”, completou.

28.02.2026 - Presidente da Republica Luiz Inacio Lula da Silva durante Visita a áreas afetadas pelas chuvas no município de Ubá Ubá-MG. Foto: Ricardo Stuckert / PR

Presidente Lula visita áreas afetadas pelas chuvas no município de Ubá – Foto: Ricardo Stuckert / PR

Casas de graça fora de áreas de risco

Lula foca discurso em cidades mais resiliências aos extremos climáticos

Lula afirmou que todos os prejuízos causados pelas chuvas nos municípios da Zona da Mata de Minas Gerais serão recuperados. O discurso do governo federal foca na necessidade de tornar as cidades mais resilientes e adaptadas aos eventos climáticos extremos, que a ciência aponta como cada vez mais frequentes.

O presidente ressaltou que a prioridade é garantir moradia digna e segura às famílias atingidas, evitando a reconstrução em encostas ou áreas sujeitas a alagamentos. Ele determinou a criação de um escritório federal em Juiz de Fora para acelerar os trabalhos de reconstrução.

Assim como nas enchentes do Rio Grande do Sul, as novas residências, explicou o presidente, não serão reconstruídas em locais considerados de risco. Caso o município não disponha de terrenos adequados, o governo poderá adotar o modelo de “compra assistida”, já utilizado em outras tragédias climáticas no país.

Nesse formato, a família que perdeu o imóvel recebe um valor do governo federal e pode adquirir uma casa nova ou usada em qualquer cidade do estado. Todo o custo é arcado pela União. “Se a cidade não tiver terreno, vamos arrumar. Se não tiver, vamos adotar o sistema de compra assistida”, afirmou Lula.

Financiamentos a desabrigados em Minas seguirão modelo do RS

28/02/2026 - Juíz de Fora - MG - O presidente Luis Inácio Lula da Silva faz declaração à imprensa após reunião com prefeitos de cidades atingidas pelas chuvas. A coletiva teve a presença da prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão, o ministro das Cidades, Jader Filho, o ministro da Saúde, Eliseu Padilha, dentre outros ministros. Foto: Tânia Rego/Agência Brasil

© Tânia Rego/Agência Brasil

Lula se reuniu com os prefeitos Margarida Salomão, de Juiz de Fora; José Damato, de Ubá; e Maurício dos Reis, de Matias Barbosa. As três cidades estão em situação de calamidade pública. Outros dois municípios – Divinésia e Senador Firmino – encontram-se em emergência.

As medidas anunciadas pelo presidente incluem assistência às prefeituras e linhas de crédito a pequenos empresários prejudicados pelos temporais para retomar atividades e recompor estoques e equipamentos perdidos.

Aprendemos com a tragédia no Rio Grande do Sul. Vamos ajudar os prefeitos a recuperar suas cidades, vamos ajudar os pequenos empresários a ter crédito para recuperar suas empresas e vamos dar casa para as pessoas que perderam suas casas”, declarou Lula.

Lula afirmou que a União dará apoio integral às cidades atingidas e pediu que as administrações municipais façam um levantamento detalhado dos prejuízos para viabilizar a liberação de recursos federais.

Os prefeitos têm que fazer um trabalho muito sério de levantamento de todos os prejuízos. O que for material, seja na saúde, na educação ou na infraestrutura, nós vamos garantir que seja recuperado”, disse durante visita em Ubá.

‘Não importa o partido do prefeito’

Ao final da agenda nas cidades mineiras, Lula reforçou que o apoio federal não dependerá de alinhamento político com prefeitos ou lideranças locais. “Não importa o partido do prefeito. Teve problema na cidade, tem projeto bem-feito e demanda verdadeira, nós vamos ajudar”, afirmou.  A prefeita Margarida Salomão, que também é do PT, disse que vai fazer o ‘dever de casa’.

Me atrevo a falar em nome de todos os prefeitos da região. Nós vamos fazer o dever de casa, levantar detalhadamente as necessidades e vamos colocá-las para o governo federal. E tenho absoluta certeza de que ninguém vai ficar para trás. Ninguém vai ficar sem casa, ninguém vai ficar desassistido”, declarou.

Lula visitou as cidades afetadas pelas enchentes acompanhado dos ministros Jader Filho (Cidades); Alexandre Padilha (Saúde); Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional); Wellington Dias (Desenvolvimento, Assistência Social, Família e Combate à Fome); do presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Antônio Vieira, e o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

A pedido de Lula, o evento encerrou-se com um minuto de silêncio em memória dos mortos no desastre climático.

28.02.2026 - Presidente da Republica Luiz Inacio Lula da Silva durante visita a áreas afetadas pelas chuvas no município de Juiz de Fora Juiz de Fora-MG. Foto: Ricardo Stuckert / PR

Áreas afetadas pelas chuvas no município de Juiz de Fora – Foto: Ricardo Stuckert/PR

Recursos e medidas emergenciais

O governo federal já anunciou a liberação de recursos para ações emergenciais e assistência humanitária nas cidades em situação de calamidade pública em Minas Gerais. Os valores serão destinados ao restabelecimento de serviços essenciais, apoio a abrigos e reconstrução de estruturas públicas.

Também foi confirmada a antecipação do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) para famílias atingidas. Moradores dos municípios afetados poderão solicitar o saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), limitado a R$ 6.220, conforme as regras para desastres naturais.

Até o momento, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional aprovou recursos no valor de R$ 11,3 milhões para socorrer as três cidades mais afetadas. Esses recursos são voltados tanto para assistência humanitária como para restabelecimento dos serviços essenciais, por intermédio dos planos de trabalho apresentados pelas prefeituras.

Também em Ubá, o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, afirmou que as equipes do governo, incluindo as do Sistema Único de Assistência Social (Suas), estão em toda a região, atuando também nos municípios menores para atender a população e auxiliar na elaboração dos planos.

Não vai faltar apoio a qualquer município de Minas Gerais, é um tempo que não é curto, aqui tem uma fase, de apoio humanitário, de salvamento, de alimentação, de abrigo, mas agora nós já estamos trabalhando nos projetos também”, disse.

Com informações da Agência Brasil

Shares:

Posts Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *