Microplástico: o inimigo número 1 da saúde dos oceanos

A cada minuto, um caminhão de lixo plástico é jogado ao mar, um alerta para o ecossistema marinho e para a saúde humana

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Na Semana Mundial do Meio Ambiente, o dia 8 de junho chama atenção como o Dia Mundial dos Oceanos. A data foi instaurada durante a Rio-92, uma Conferência das Nações Unidas voltada ao meio ambiente e ao desenvolvimento. Apesar de ser celebrado desde que houve a conferência, em 1992, no Rio de Janeiro, a Organização das Nações Unidas (ONU) só oficializou a data em 2008. Desde então, todo ano a celebração apresenta um tema diferente para abordar o assunto. O deste ano é “Os oceanos: vida e subsistência”.

Os oceanos cobrem cerca de três quartos da superfície da Terra e mais de três bilhões de pessoas no planeta dependem dessa biodiversidade. O Dia Mundial dos Oceanos, comemorado no dia 8 de junho, relembra o valor dos oceanos e sua influência para o equilíbrio da vida no planeta. Para isso, são realizados diversos eventos e atividades relacionados à conscientização social.

Entre as ameaças aos ecossistemas marinhos e à saúde de nossos oceanos, a poluição por plástico é uma das mais nefastas e preocupantes. A estimativa mundial é de que a cada minuto, um caminhão de lixo plástico seja jogado ao mar. Uma vez nos oceanos, esses itens de plástico descartável, como sacolas, canudos, pratos, talheres, não se restringem à superfície do mar e nem ao local de origem — muito dessa poluição segue arrastada pelas correntes marinhas.

Há presença de plástico mesmo em lugares considerados paradisíacos, sem a presença ostensiva de humanos. No trajeto, essa mancha de lixo boiando pode tanto ser ingerida por mamíferos, aves, peixes e tartarugas, quanto se enroscar em seus corpos, tirando sua mobilidade, podendo levá-los à asfixia. À medida em que o plástico continua a inundar os oceanos – no Brasil, a estimativa é de 325 mil toneladas/ano -, a lista de espécies marinhas afetadas por detritos plásticos aumenta.

“Dezenas de milhares de organismos marinhos estão ingerindo plásticos, desde zooplâncton [pequenos animais semelhantes a insetos], peixes e tartarugas, mamíferos e aves marinhas, muitos deles já ameaçados de extinção. As espécies marinhas não apenas estão tendo contato com resíduos da produção humana, mas também estão morrendo devido a eles”, alerta a engenheira ambiental Lara Iwanicki, gerente de campanhas da Oceana Brasil.

Lara é uma das autoras do estudo Um Oceano Livre de Plásticos, publicado em 2020 e que se tornou referência sobre o assunto no país. O relatório traz alguns números impactantes. Mais de 800 espécies de mamíferos, aves marinhas, peixes e tartarugas estão sendo impactadas pelo emaranhamento de redes de pesca ou pela ingestão de plástico.

Ainda de acordo com o estudo, cerca de 90% de espécies de aves marinhas e tartarugas já consumiram plásticos. Dezessete por cento das espécies afetadas por tais detritos estão listadas como ameaçadas ou quase ameaçadas de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).

Maior risco para as tartarugas

André Barreto, pesquisador do Laboratório de Informática da Biodiversidade e Geoprocessamento da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), explica que o impacto do plástico na vida marinha tem graus diferenciados e depende da espécie. As tartarugas formam o grupo mais afetado.

“Para as tartarugas, com certeza é muito sério, especialmente a tartaruga-verde. Mas para golfinhos e baleias, não estaria entre as principais ameaças à sobrevivência do grupo. Nas aves, também há bastante diferença. Para as aves oceânicas, aparentemente o problema é maior, para as costeiras nem tanto. Tudo depende do modo de vida delas”, esclarece.

Segundo ele, essa mortalidade extra por causa da poluição torna ainda mais importantes os projetos que protegem as áreas de reprodução. Por isso, é preciso garantir que estão nascendo filhotes suficientes para poder compensar essa mortalidade extra causada pelo lixo.

Apesar de trabalhar com os dados em laboratórios, ficou impressionado com um caso de uma toninha que morreu de inanição por causa de um lacre de garrafa PET que a impedia de abrir a boca. “Foi o Biopesca, de São Paulo, que achou esse animal”.

Alerta para o ecossistema marinho e para a saúde humana

Toda essa situação é um alerta mundial para a segurança do ecossistema marinho e de suas espécies, e consequentemente, para a saúde humana. No Brasil, os dados, ainda que subestimados, indicam que 1 em cada 10 animais que apareceram mortos em praias das regiões Sul e Sudeste – únicas que mantêm uma estrutura de pesquisa e monitoramento ligados às bacias da Petrobras tiveram a ingestão de plástico como causa do óbito.

Essas pesquisas trazem números assustadores sobre animais necropsiados. Entre 2015 e 2019, de 29.010 análises em corpos de golfinhos, baleias, aves e répteis, 3.725 tinham algum tipo de detrito não natural no organismo. Aproximadamente 13% foram a óbito diretamente causado pelo consumo desses poluentes, sendo que 85% eram de espécies ameaçadas de extinção.

Essas análises apontaram a presença de diversos materiais. Havia sacolas de embalagens, tampas de caneta e de garrafas PET, botões, buchas de parafuso, pulseiras, canudos, lacres de alimentos embutidos, palitos, copos descartáveis e outros materiais descritos como “plásticos e microplásticos”.

Os cientistas também encontraram os polímeros sintéticos que derivam do plástico, a exemplo de fios de nylon, linhas e redes de pesca, esponjas de limpeza, fitas adesivas e isolantes, cordões e fibras sintéticas. O processo de ingestão de detritos provoca trauma físico seguido de obstrução no aparelho digestivo.

Esse plástico no estômago pode transmitir ao animal a sensação de saciedade, fazendo com que ele pare de buscar alimentos, resultando em inanição e morte. A maioria desses itens boia na superfície, o que ajuda a compreender o fato de que 83% das mortes associadas ao lixo marinho terem sido de tartarugas, que confundem o plástico com alimentos naturais, como as águas vivas, peixes e algas.

UM MUNDO SEM PLÁSTICO

Um dos mais respeitados cientistas do mundo, especialista em pesca, Daniel Pauly destaca que, até a década de 1950, os animais marinhos tinham que lidar apenas com detritos e lixo na forma de substâncias orgânicas ou objetos que eram produzidos por plantas ou animais. Isso incluía madeira, fibra, carne podre, ossos ou outros materiais que poderiam ser degradados por bactérias e fungos e, assim, transformados em nutrientes ou convertidos em minerais inofensivos.

“Por bilhões de anos, esses organismos microscópicos reciclaram matéria orgânica na Terra e em nossos oceanos, e literalmente mantiveram nosso mundo limpo. Isso mudou radicalmente com o surgimento dos plásticos”, explica Pauly, que é fundador e principal pesquisador do projeto Sea Around Us, do Instituto de Oceanos e Pesca da Universidade de Columbia Britânica e membro do Conselho da Oceana.

O perigo dos microplásticos

A macro poluição plástica dá origem a um outro problema relevante. Uma vez no mar, o plástico não se decompõe — ele se degrada em pedaços cada vez menores e dá origem aos microplásticos. Um inimigo nem sempre visível a olho nu, mas que tem sido detectado em organismos das mais variadas espécies marinhas e, para espanto da comunidade científica, também no ser humano (já detectado no sangue, na placenta, nos pulmões e, mais recentemente, no leite materno).

Pauly chama atenção para o perigo dos microplásticos que têm a propriedade de repelir água (lipofílico), assim como ocorre com os piores venenos que a indústria química produz — DDT (sigla de diclorodifeniltricloroetano), PCB (bifenilas policloradas), dioxinas, etc.

“Isso significa que cada pedaço deste tipo de microplástico no oceano atua como uma esponja minúscula para os vários venenos que as indústrias química e de energia descartaram em vias navegáveis ou no ar, e que acabam no mar, onde se acumulam”.

Dessa forma, esses produtos químicos se grudam às microfibras, transformando-as em pequenas pílulas de veneno que acabam sendo consumidas por zooplâncton; que, por sua vez, armazenam substâncias lipofílicas na gordura de seus pequenos corpos. “O nome disso é bioacumulação. O zooplâncton é, então, consumido por pequenos peixes, como sardinhas e anchovas, que são depois consumidos pelo atum e depois … bon appétit”, lamenta Pauly.

Ameaça a corais e recifes no fundo do mar

Em um recente relatório internacional, ainda não traduzido para o português, a Oceana Europa faz um alerta sobre como o impacto do plástico se multiplica em habitats biogênicos, ou seja, formados por espécies que servem de habitat para outras, como recifes de corais, marismas (vegetações que ocorrem em região de encontro entre o rio e o mar) e florestas de algas. Esses organismos sofrem danos como espécies e como formadores de habitat, já que o problema se estende à biodiversidade que depende deles.

“A maior parte do plástico que chega ao oceano se acumula no fundo do mar, onde se encontram muitos desses ecossistemas sensíveis”, diz o líder de expedições da Oceana na Europa, Ricardo Aguilar. “Nossa pesquisa científica no mar descobriu que várias espécies, em diferentes tipos de habitat, estão expostas à poluição do plástico”.

Os efeitos disso ainda não são completamente conhecidos. No entanto, há evidências de que os corais parecem ainda mais atraídos pelo microplástico do que por suas fontes naturais de nutrição. Estudos mostraram que quando os corais entram em contato direto com fragmentos de plásticos, a probabilidade de contraírem uma doença aumenta de 4% para impressionantes 89%.

O analista de campanhas da Oceana, Iran Magno, explica porque insistir na atual produção de plástico é preocupante: “Estudos apontam que se mantivermos esse ritmo de produção, o volume de plástico acumulado no oceano será quatro vezes maior em 2040. O enfrentamento do problema requer a revisão do modelo produtivo, uma tendência que tem acontecido em diversas regiões do planeta. Países tão distintos como o Canadá e a Índia já estabeleceram medidas regulatórias para o plástico. Precisamos fazer o mesmo no Brasil, com urgência!”, conclui ele.

O país já deu o primeiro passo nesse sentido. Desde setembro deste ano está em trâmite no Senado Federal o Projeto de Lei (PL) 2524/2022, que propõe um marco regulatório para a Economia Circular e Sustentável do Plástico no Brasil.

“Agora, precisamos pressionar os parlamentares a abraçarem essa causa e aprovarem esse projeto de lei. Todas as pessoas podem acessar o PL pela internet e reforçar a sua importância, posicionando-se a favor da redução da produção de plástico e de seus graves impactos socioeconômicos e ambientais”, conclui Magno.

Reutilização e destinação correta de resíduos sólidos

Durante a 46ª edição do Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, foi apresentado um estudo sobre o impacto do lixo à vida marinha. De acordo com o documento, até 2050 os oceanos abrigarão mais detritos plásticos do que peixes. A poluição do meio ambiente tem sido pauta de importantes discussões por ser um problema que coloca em risco a vida no planeta.

Uma pesquisa publicada na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, indica também que em 2050, 99% das aves marinhas terão pedaços de plástico no organismo. Hoje, de acordo com os pesquisadores, 90% já são vítimas dessa poluição ao meio ambiente.

Apesar dos esforços contra a aplicação de materiais de uso único, cerca de 720 milhões de copos descartáveis vão parar nos lixões todos os dias no Brasil. A estimativa é da Associação Brasileira de Resíduos Sólidos e Limpeza Pública (ABLP).

Esse é só um dos números que refletem o dano à infraestrutura das cidades, que sofrem com entupimentos de bueiros, sujeira nas ruas e o aumento do risco de enchentes. Atualmente, o plástico é responsável por 80% do lixo jogado nos oceanos, de acordo com o recente estudo global publicado na revista científica Nature Sustainability.

Outros tipos de lixo que impactam os oceanos

Além do plástico, outros tipos de lixo oferecem danos irreparáveis à vida nos oceanos.  Confira os principais poluidores do mar e o tempo de decomposição de cada um deles:

– Papel: de 3 a 6 meses.

– Tecido: de 6 meses a 1 ano.

– Filtro de cigarro: mais de 5 anos.

– Madeira pintada: mais de 13 anos.

– Nylon (linha de pesca, por exemplo): mais de 20 anos.

– Alumínio (lata de refrigerante, por exemplo): mais de 200 anos.

– Plástico (garrafas pet, por exemplo): mais de 400 anos.

– Vidro (vasilhames, por exemplo): mais de 1000 anos.

– Borracha (pneus, por exemplo): tempo indeterminado.

720 milhões de copos descartáveis todos os dias nos mares

Apesar dos esforços contra a aplicação de materiais de uso único, cerca de 720 milhões de copos descartáveis vão parar nos lixões todos os dias no Brasil. A estimativa é da Associação Brasileira de Resíduos Sólidos e Limpeza Pública (ABLP). Esse é só um dos números que refletem o dano à infraestrutura das cidades, que sofrem com entupimentos de bueiros, sujeira nas ruas e o aumento do risco de enchentes.

Estudo desenvolvido pela fundação Ellen MacArthur ressalta a perda de 90% da biodiversidade devido à retirada e processamento de recursos naturais. Em contrapartida, se fossem aplicadas estratégias de economia circular nas cadeias produtivas de materiais como cimento, plástico, aço, alumínio, seria esperado a redução de 9,3 bilhões de toneladas de dióxido de carbono na atmosfera.

Projetos de reutilização e destinação correta de resíduos já são objeto de atenção da indústria de alimentos há quase uma década no Brasil. Além das ações para fazer frente à legislação que instituiu a logística reversa de embalagens (Lei nº 12.305/2010, Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS), também tem incorporado rapidamente o conceito da economia circular.

Alguns exemplos destas iniciativas em prol da sustentabilidade se manifestam na redução da quantidade de plástico em garrafas de água e de papelão nas caixas de inúmeros produtos; o uso de materiais biodegradáveis; a adoção do plástico verde, feito de etanol; a inclusão de plásticos reciclados; e a diminuição do tamanho das embalagens.

A Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) integra o grupo de 12 organizações representativas do setor empresarias, em 2015, assinou o acordo setorial federal para implementar a logística reversa de embalagens no Brasil.

“A solução para combater drasticamente essa poluição deve ser uma ação conjunta entre governos, empresas e cidadãos. A falta de comprometimento com as questões de sustentabilidade afeta diretamente o meio ambiente”, afirma Vininha F. Carvalho, editora da Revista Ecotour News & Negócios.

Outro lado

Plástico não é o único culpado da poluição marinha

Pesca ilegal e falta de conscientização são os principais causadores do problema

Desde sua criação, o plástico revolucionou a indústria e se tornou um material fundamental no dia a dia das pessoas. No entanto, seu uso excessivo e descarte inadequado tem causado discussões, com o material frequentemente apontado como o grande vilão da poluição marinha.

Existem diversos fatores envolvidos na poluição dos oceanos, e é importante entender que o plástico não é o único culpado. Com isso em mente, é fundamental ampliar a discussão sobre o assunto e buscar soluções mais abrangentes e efetivas para enfrentar esse sério problema.

De acordo com Rica Mello, líder da Câmara de Descartáveis e fundador do projeto Plástico Amigo, existem outras razões para a poluição encontrada nos oceanos.

“A cultura de descarte inadequada e a falta de responsabilidade na produção e consumo de plástico persistem na sociedade, causando consequências inimagináveis no meio ambiente. O verdadeiro vilão nessa história é a falta de consciência e incentivos para uma produção e consumo mais responsáveis. Ainda, grande parte da poluição encontrada nos oceanos é causada pela pesca industrial, que deixa uma enorme quantidade de redes de nylon e outros apetrechos nos mares”, relata.

Itens relacionados à pesca representam aproximadamente 85% do lixo marinho, de acordo com dados levantados pelo Greenpeace. Segundo o especialista, para lidar com o consumo do plástico é necessário adotar uma abordagem de reutilização e reciclagem.

“A reutilização é incentivada com a produção e utilização de produtos duráveis e de segunda mão, além da adoção de sistemas de logística reversa. A reciclagem, por sua vez, pode ser incentivada com educação e campanhas de conscientização, incluindo incentivos financeiros e políticas públicas que promovam esse ato”, declara.

Pequenas ações realizadas por governos e organizações podem fazer com que a reciclagem se torne mais comum no cotidiano das pessoas.

“É possível alcançar esse efeito com pequenos atos, como a instalação de lixeiras de coleta seletiva em locais públicos, a criação de incentivos fiscais para empresas que adotem práticas sustentáveis, além, é claro, da promoção de campanhas de conscientização sobre o consumo responsável. Existem diversos movimentos que podem ser realizados nesse sentido”, revela.

Rica Mello aponta, ainda, que o processo de reciclagem pode ser economicamente viável não só para empresas, mas para qualquer pessoa em seu dia a dia. “No entanto, isso dependerá da eficiência e qualidade do processo, além dos valores de mercado dos materiais reciclados.

“Vale lembrar as políticas públicas que promovem a reciclagem tornam o processo ainda mais acessível para qualquer pessoa. A reformulação da imagem do plástico perante a sociedade envolve mudanças em nossa percepção do material e sua utilidade, bem como a promoção de práticas mais sustentáveis em relação ao seu uso e descarte”, finaliza.

Plástico substitui matéria-prima animal e se populariza na indústria musical

Amplamente utilizado em diversas indústrias, como a de embalagens, construção civil e automotiva, o plástico mostra sua importância, também, na indústria musical. Considerado versátil, durável e de baixo custo, o material possibilitou a criação de novas tecnologias, aprimorou a qualidade dos equipamentos e aumentou a durabilidade de produtos, tornando a música mais acessível a um público cada vez maior.

De acordo com Rica Mello, líder da Câmara de Descartáveis, palestrante e empreendedor em diversas áreas de atuação, os plásticos são uma alternativa sintética e humana para instrumentos musicais.

“Historicamente, instrumentos como pianos, baterias e guitarras eram feitos de produtos animais, e a substituição desses elementos pelo plástico ajudou a preservar espécies ameaçadas de extinção e a reduzir práticas de caça predatória. Um exemplo disso são os instrumentos de cordas feitos de ‘catgut’, como violões, que originalmente usavam intestinos de animais. Agora, esses itens usam cordas de metal ou nylon, portanto, nenhum animal é prejudicado para produzir boas músicas”, relata.

Vale lembrar que até mesmo as cordas de violão confeccionadas em metal também são revestidas com um polímero plástico, que as faz durar mais tempo e reduz a frequência de substituição.

Existem, historicamente, diversos exemplos de uso animal na criação de instrumentos musicais. Os primeiros tambores eram feitos esticando a pele de cabras, vacas ou outros animais domésticos. No entanto, esses produtos exigiam afinação frequente e apresentavam mau desempenho em ambientes úmidos. Desde então, as peles de tambor feitas com tereftalato de polietileno, o famoso pet, tornaram-se cada vez mais populares devido à sua durabilidade e som mais consistente.

As teclas para a produção de pianos também apresentaram um grande impacto na natureza ao longo dos anos. Inicialmente eram produzidas com o marfim retirado dos dentes de elefantes, um material altamente criticado e controverso, geralmente adquirido por meio de práticas de caça desumanas e, em muitos casos, ilegais.

Na década de 50, as teclas de marfim do piano foram substituídas por plástico branco e, em 1989, o uso de marfim novo nas teclas do piano foi proibido completamente. Não só as teclas de piano de plástico são seguras para a vida selvagem, como também são mais acessíveis e de fácil cuidado. Atualmente, mais de 98% dos pianistas que atuam em concertos usam pianos com teclas de plástico branco, provando que o material pode substituir, tranquilamente, a matéria prima animal.

É possível ressaltar, também, que a reciclagem de produtos é facilitada com o uso do plástico, dando ao mesmo material uma nova vida, porém como um produto diferente.

plástico também tem um papel crucial no processo de gravação das músicas, tendo em vista que muitas cabines são isoladas com folhas de plástico de cloreto de polivinila (PVC), um material de alta densidade que bloqueia os sons para garantir que a música seja captada de forma clara, sem interrupções ou ruídos de fundo. Mesmo em estúdios de gravação portáteis, o plástico é preferido devido ao seu design leve e resistente, o que facilita o transporte e gravações nos mais diversos lugares.

Os clássicos e icônicos discos de vinil também usam plástico em sua produção, e estão ressurgindo em popularidade com níveis de demanda que não são vistos desde seu auge, nos anos 80. LPs coloridos e edições com design especial tornam-se itens de colecionador e são orgulhosamente exibidos em prateleiras, com capas interessantes e encartes ricos em informações.

Para os músicos, o vinil também é mais rentável do que o streaming. Isso porque 450.000 streams no Spotify rendem aos artistas o mesmo lucro que eles teriam com apenas 100 vendas de um vinil de preço médio.

Notando esse crescimento, a indústria da música passou a buscar meios sustentáveis para a confecção de discos. Uma colaboração recente, envolvendo a Universal Music Group e o cantor/compositor Nick Mulvey resultou na criação de discos “Ocean Vinyl”, feitos com plástico retirado do oceano e reciclado. Este é o primeiro vinil comercialmente disponível feito de material reciclado do mar.

Para Rica Mello, a indústria da música contemporânea depende do plástico para produzir as trilhas sonoras que tocam em nosso dia a dia. “Isso permite que músicos aprimorem sua arte e que ouvintes tenham uma experiência de alta qualidade. O uso de plásticos em discos de vinil e instrumentos livres de crueldade também mostra como o material é versátil e importante”, finaliza.

Com Assessorias

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