O câncer de pulmão é uma das doenças mais incidentes no mundo, com mais de 2,2 milhões de novos casos a cada ano. Infelizmente, é também uma das principais causas de morte evitáveis, tendo sido responsável por cerca de 28 mil óbitos no Brasil em 2020. O Agosto Branco é um mês dedicado a conscientizar sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de pulmão. Para trazer ainda mais conhecimento sobre a doença, a MSD Brasil levantou cinco mitos sobre o rastreamento do câncer mais letal no mundo.

Agosto marca o mês da conscientização sobre o câncer de pulmão, com campanhas que reforçam a importância da prevenção e do diagnóstico precoce. Conhecido como “Agosto Branco”, o período busca alertar a população sobre os riscos associados, sobretudo, ao tabagismo, principal fator de risco para o desenvolvimento da doença, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca).

De acordo com estimativas do Inca, em 2025, o Brasil deve registrar mais de 32 mil novos casos da doença. Este é o terceiro tipo de câncer mais comum entre os homens e o quarto entre as mulheres no país, desconsiderando os casos de câncer de pele não melanoma.

Em escala global, a Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica a doença como a principal causa de mortes por câncer tanto em homens, quanto em mulheres. A letalidade está relacionada, sobretudo, ao diagnóstico tardio. Em muitos casos, os sintomas do câncer de pulmão só aparecem quando a doença já está em estágio avançado, o que compromete as chances de cura.

No entanto, alguns sintomas podem surgir em estágios iniciais. O Inca destaca que os mais comuns são tosse persistente, presença de sangue no escarro, dor torácica, rouquidão, dificuldade para respirar, perda de peso e apetite, fadiga constante e infecções respiratórias recorrentes. Fumantes devem estar atentos a mudanças no ritmo habitual da tosse, que é alterado, e às crises em horários incomuns.

A orientação é buscar avaliação médica diante da persistência de qualquer um desses sintomas, mesmo que leves. Os métodos de diagnóstico incluem exames físico e de imagem, coleta de amostra de tecido (biópsia) para exame histopatológico, testes moleculares e exame do interior do pulmão usando broncoscopia, conforme explica a OMS.

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Entenda os fatores de risco do câncer de pulmão

O cigarro é responsável por, aproximadamente, 85% dos casos de câncer de pulmão, conforme apontam a OMS e o Inca. A fumaça do tabaco contém substâncias altamente tóxicas e cancerígenas, como monóxido de carbono e nicotina, que atingem a corrente sanguínea e afetam não apenas os pulmões, mas diversos outros órgãos.

Ainda segundo o Inca, a mortalidade entre fumantes é cerca de 15 vezes maior do que entre pessoas que nunca fumaram. No caso de ex-fumantes, o risco permanece elevado, embora em menor grau: aproximadamente quatro vezes maior em comparação a quem não fuma.

A exposição passiva à fumaça, conhecida como tabagismo passivo, também representa uma ameaça à saúde. A fumaça que se dissipa no ambiente chega a conter três vezes mais nicotina e monóxido de carbono, e até 50 vezes mais agentes cancerígenos do que a tragada diretamente pelo fumante. De acordo com o Inca, não há nível seguro de exposição ao fumo passivo.

Em agosto também é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Fumo, no dia 29, com o objetivo de reforçar as ações de sensibilização da população sobre os impactos negativos do tabaco. Criada em 1986, a data marca o início da normatização do controle do tabagismo como problema de saúde pública, abordando seus danos sociais, políticos, econômicos e ambientais.

Mas, além dessa substância, outros fatores estão associados ao desenvolvimento da doença. Poluição atmosférica, infecções pulmonares frequentes e doenças respiratórias crônicas, como enfisema e bronquite, podem contribuir para o surgimento de tumores.

A faixa etária é outro aspecto relevante: a maioria dos diagnósticos ocorre entre pessoas com idades entre 50 e 70 anos. A predisposição genética, bem como o histórico familiar de câncer de pulmão, também eleva o risco.

A exposição a substâncias químicas ou físicas em ambientes ocupacionais é outra preocupação. Entre os principais agentes estão o amianto, sílica, arsênico, urânio, cromo, radônio e outros compostos presentes em atividades industriais, na construção civil, na mineração, em curtumes, gráficas, fábricas de baterias, entre outros setores.

Trabalhadores dessas áreas podem apresentar risco aumentado de desenvolver câncer de pulmão, principalmente quando há combinação entre a exposição ocupacional e o hábito de fumar. O Inca alerta para o efeito sinérgico entre o tabagismo e certos agentes químicos, o que pode potencializar as chances de desenvolver a doença.

Além de evitar o tabagismo e a exposição a agentes químicos, a Instituição também indica a prática de atividade física entre as medidas para prevenir a doença.

Confira os mitos e verdades sobre o câncer de pulmão

“É essencial falarmos sobre câncer de pulmão, que resulta em cerca de 32 mil novos casos diagnosticados anualmente no Brasil. Infelizmente, esses casos são frequentemente identificados em estágios mais avançados, o que compromete significativamente as chances de cura”, afirma Márcia Datz Abadi, diretora médica da MSD Brasil. “Esse é o câncer mais mortal entre os homens e o segundo que mais mata mulheres, sendo responsável por 1,8 milhão de mortes no mundo a cada ano. Precisamos conscientizar sobre os fatores de risco e a importância do rastreamento por meio de exames preventivos, “, conclui Dra. Márcia.
Mito: todos devem realizar exames de rastreamento do câncer de pulmão.

A realização de exames clínicos, tomográficos, laboratoriais ou endoscópicos podem ser recomendados para pessoas com sintomas (tosse, rouquidão persistente, dificuldade para respirar, perda de peso sem motivo, escarro com sangue) ou pertencente a um grupo de alto risco (fumantes com idade entre 50 e 80 anos, que consomem 20 maços ou mais por ano).
Mito: os exames de rastreamento do câncer de pulmão são sempre invasivos.

Tomografias computadorizadas são grandes aliadas no rastreamento do câncer de pulmão em grupos de alto risco e devem ser realizadas dentro de uma periodicidade definida. Um estudo mostrou redução de 20% nas mortes por câncer de pulmão em comparação à triagem com radiografia de tórax. Após o exame e a confirmação de um nódulo pulmonar, o paciente passará por exames complementares, como a biópsia pulmonar guiada por imagem.
Mito: se você atualmente não atende aos critérios para um exame de rastreamento do câncer de pulmão, nunca vai precisar de um.

É importante observar que o risco de câncer de pulmão pode mudar ao longo do tempo. Por exemplo, quanto mais tempo fumando, maior é o risco. Portanto, mesmo que uma pessoa não seja elegível atualmente a um exame de rastreamento, ela pode se tornar elegível no futuro. Outros fatores que aumentam o risco de câncer de pulmão incluem histórico familiar da doença e exposição a certos materiais no ambiente.
Mito: para pacientes que realizaram a cirurgia, não é necessário realizar um acompanhamento próximo ao paciente.

Pacientes que passaram pelo processo cirúrgico devem realizar nos dois primeiros anos exames de imagem a cada 3 meses, seguido do mesmo exame a cada 6 meses até o 5º ano e, caso não haja recidiva, o paciente deverá seguir a recomendação do seu médico.

 

Mito: o oncologista é o único especialista que vai cuidar do tratamento de câncer de pulmão.

A abordagem multidisciplinar no tratamento do câncer de pulmão tem sido associada a melhores resultados para os pacientes. Uma equipe multidisciplinar, composta por oncologistas, radiologistas, cirurgiões, patologistas, fisioterapeutas, enfermeiros e outros profissionais de saúde, pode oferecer uma visão abrangente e integrada do tratamento, levando a maior qualidade de cuidados e maiores chances de sucesso.

A equipe multidisciplinar pode abordar adequadamente os diversos aspectos do tratamento do câncer de pulmão, como a coordenação entre diferentes modalidades de tratamento (cirurgia, radioterapia, quimioterapia, imunoterapia), gestão de sintomas e efeitos colaterais, suporte psicológico e reabilitação física. Isso pode levar a uma melhor qualidade de vida para os pacientes, além de melhores resultados clínicos.

 

Cirurgia, quimioterapia e imunoterapia estão entre os tratamentos

A OMS ressalta que o tratamento para câncer de pulmão é multidisciplinar. A quimioterapia costuma ser recomendada para a maioria dos pacientes. Ela utiliza medicamentos que se espalham pela corrente sanguínea com o objetivo de destruir as células cancerígenas.

Já terapias locais, como a radioterapia e a cirurgia, podem ser indicadas para controlar metástases em áreas específicas do corpo ou para reduzir sintomas provocados pelo avanço do tumor. Além disso, é possível utilizar a imunoterapia.

Ao explicar como funciona a imunoterapia, a OMS destaca que os inibidores de ponto de controle imunológico revolucionaram o tratamento do câncer de pulmão metastático. Os medicamentos ajudam estimulando o próprio sistema imunológico a reconhecer e atacar as células cancerígenas.

Além das abordagens tradicionais, técnicas menos invasivas também ganham espaço na prática clínica. É o caso da ablação por radiofrequência, recomendada em casos de câncer primário de pulmão, bem como em metástase. o procedimento de ablação utiliza energia térmica para aquecer e destruir o tecido tumoral, com preservação de parte do tecido saudável ao redor. É considerada uma alternativa segura e eficiente, com finalidade curativa.

Com informações da Rede D’or e MSD Brasil

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