O verão é a estação queridinha dos brasileiros. A temporada traz o cenário ideal para praia, piscina e longos dias ao ar livre, mas essa diversão pode custar caro para a saúde se não houver cuidado. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de pele é o tipo de tumor mais frequente no Brasil, correspondendo a 30% de todos os casos malignos registrados anualmente.
O sol, através dos raios ultravioletas, leva a uma alteração no DNA celular, desencadeando o câncer, que chamamos de neoplasia”, explica José Roberto Fraga Filho, dermatologista membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Além do risco de tumores, o calor excessivo desidrata a pele, tornando-a suscetível a eczemas e infecções.
Entenda os tipos de câncer de pele
A Dra. Gabriela Guerra esclarece que a doença se divide basicamente em dois grupos:
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Não melanoma: Surge nas células basais ou escamosas. Representa 95% dos casos e tem baixa letalidade, embora possa causar deformações se não tratado.
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Melanoma: Tem origem nos melanócitos (células que produzem a melanina). É mais raro, porém muito mais agressivo e com alto risco de metástase para órgãos como pulmão e cérebro.
A boa notícia é o índice de recuperação. “Se diagnosticado precocemente, o câncer de pele chega a ter cura em 100% dos casos”, afirma a Dra. Viviane Scarpa.
A regra do ABCDE: aprenda a examinar suas pintas
O autoexame é a primeira linha de defesa. Os especialistas ensinam uma regra simples para identificar sinais suspeitos:
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A – Assimetria: Uma metade da pinta é diferente da outra.
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B – Bordas: Contornos irregulares, serrilhados ou pouco definidos.
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C – Cores: Variações de tons (preto, castanho, cinza) na mesma lesão.
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D – Diâmetro: Pintas maiores que 6 mm (o tamanho de um topo de lápis).
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E – Evolução: Mudanças rápidas de tamanho, forma ou cor.
Fique alerta: Feridas que não cicatrizam em quatro semanas ou manchas que coçam e sangram devem ser avaliadas imediatamente por um dermatologista.
Mitos e verdades sobre a proteção
Muitas pessoas acreditam que a pele negra, por possuir mais melanina, está imune à doença. A dermatologista Ana Regina, membro da SBD DF, alerta que esse é um equívoco perigoso. “Embora a melanina funcione como um filtro natural, a pele negra não está imune aos efeitos da radiação UV. Fazer generalizações pode resultar em diagnósticos tardios”, pontua.
Outro ponto crucial é a radiação em dias nublados. Os raios UV atravessam as nuvens, o que exige o uso de protetor solar mesmo quando o sol não parece forte.
Dicas de ouro para uma prevenção eficaz
Para garantir que o seu verão seja apenas de boas memórias, siga as recomendações dos especialistas:
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Horário crítico: Evite a exposição solar direta entre 10h e 16h, quando a incidência de raios UVB (responsáveis pelas queimaduras) é máxima.
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Barreiras físicas: Além do filtro solar, use chapéus de abas largas, óculos escuros com proteção UV e roupas que cubram a pele.
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Filtro solar correto: Utilize produtos de “amplo espectro” (que protegem contra UVA e UVB) com FPS no mínimo 15. Não esqueça do protetor labial.
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Reaplicação: O produto deve ser reaplicado a cada duas horas ou após entrar na água e transpirar excessivamente.
O papel do dermatologista vai além do tratamento; ele é o profissional capacitado para identificar lesões invisíveis ao olho leigo. Neste verão, o melhor acessório para a sua pele é a prevenção.




