Vacinar contra o sarampo evita cegueira e infecções generalizadas

Nova campanha nacional tem como meta vacinar 2,6 milhões crianças na faixa prioritária e 13,6 milhões adultos. Seis pessoas já morreram em 90 dias

Vacina contra o sarampo: fique atento às contraindicações (Foto: Maurício Bazílio/SES)
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Vacinar contra o sarampo é importante para evitar complicações como cegueira e infecções generalizadas que podem levar a óbito.  Para enfrentar a doença,  que já matou seis pessoas nos últimos 90 dias – sendo quatro menores de 1 ano de idade -, o Ministério da Saúde trabalha para controlar o surto no país, e eliminar, mais uma vez, o sarampo no Brasil. Para isso, inicia nesta segunda-feira (7) a nova Campanha Nacional de Vacinação contra o Sarampo em todos os postos de saúde. A meta é vacinar 2,6 milhões crianças na faixa prioritária e 13,6 milhões adultos.

Nos últimos três meses, o país registrou 5.404 casos confirmados de sarampo. Foram confirmados seis óbitos por sarampo, sendo cinco em São Paulo e um em Pernambuco. Dos casos confirmados nesse período, 97% (5.228) estão concentrados em 173 municípios do estado de São Paulo, principalmente na Região Metropolitana. Os outros 176 casos foram registrados em 18 estados (RJ, MG, MA, PR, PI, SC, RS, CE, MS, PB, PE, PA, DF, RN, ES, GO, BA E SE). Os dados estão no novo boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, divulgado nesta sexta-feira (4/10).

Para enfrentar a doença, Governo Federal, em parceria com os estados e municípios, estão unindo esforços para vacinar 39,9 milhões de brasileiros, 20% da população, que hoje estão suscetíveis ao vírus do sarampo, de acordo com o Ministério da Saúde. Apesar de a faixa etária de 20 a 29 anos concentrar a maior parte desses brasileiros (35%), são os menores de 5 anos o grupo mais suscetível para complicações do sarampo.

Os objetivos da campanha deste ano são ampliar a cobertura vacinal e atualizar a caderneta de vacinação dos grupos que têm maior incidência da doença, garantindo que estejam com a imunização em dia.  Por isso, a campanha tem foco em dois grupos. O primeiro vai até 25 de outubro e irá imunizar crianças de 6 meses a menores de 5 anos de idade, com o dia D de vacinação no dia 19 de outubro. Já o segundo grupo, previsto para iniciar no dia 18 e novembro, será direcionado para adultos na faixa etária de 20 a 29 anos que não estão com a caderneta de vacinação em dia.

Rio terá mutirão de vacinação

Com 57 casos de sarampo confirmados em 2019, o Estado do Rio lembra que o esquema vacinal contra o sarampo é oferecido durante todo o ano na rede pública de saúde. Durante os meses de outubro e novembro, alunos professores de Enfermagem da Universidade Veiga de Almeida (UVA) vão ministrar a vacinação contra o sarampo. A atividade acontecerá no Centro Municipal de Saúde (CMS) Heitor Beltrão, que fica na rua Desembargador Isidro, 144, na Tijuca.

A atividade vai até o fim de novembro, que é quando se encerra a vacinação para os grupos mais acometidos pela doença no país: crianças com idade entre 6 meses a 4 anos e 11 meses, e jovens na faixa etária entre 20 e 29 anos. A universidade e os estudantes integram a campanha nacional de intensificação contra o sarampo, que visa interromper a circulação do vírus no país.

O professor de Enfermagem da UVA, Paulo Machado, explica que a atividade proposta para os alunos, além de ser um ato de cidadania, também é contabilizada como parte do estágio prático. Além do curso de graduação em Enfermagem, a Veiga oferece cursos de MBAs de Enfermagem de Alta Complexidade, Neonatal e Pediátrica.

Contraindicações da vacina

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, pessoas com suspeita de sarampo, gestantes, crianças com menos de 6 meses e imunocomprometidos não devem receber a vacina. Pessoas com alergia à proteína lactoalbumina, presente no leite de vaca, devem informar ao profissional de saúde no posto de vacinação para que recebam a dose feita sem esse componente.

O infectologista Alberto Chebabo, do Lâmina Medicina Diagnóstica, laboratório que integra a Dasa, esclarece que a vacina é a maneira mais eficaz de prevenção. “O recomendado é que sejam administradas duas doses da vacina contra o sarampo para pessoas de 12 meses a 29 anos e uma dose para indivíduos entre 30 e 49 anos, caso não tenham se vacinado ou não saibam o seu histórico de vacinação previa”, explica.

Chebabo ressalta que é necessário estar atento às contraindicações da vacina. “Gestantes, crianças menores de 6 meses, pessoas com comprometimento da imunidade por doença ou medicação e com histórico de anafilaxia após aplicação de dose anterior da vacina ou que tenha sensibilidade a algum dos componentes presentes não devem ser imunizados”, completa.

Sintomas e tratamento

O primeiro sintoma é febre alta, normalmente acompanhada de conjuntivite e tosse. Depois aparecem manchas pelo corpo, começando atrás das orelhas e se espalhando pela face e, posteriormente, pelo resto do corpo. Em casos mais graves, podem surgir infecções respiratórias e encefalites.

Chebabo esclarece que o tratamento é sintomático. “Devem ser prescritos medicamentos para febre, dor e, se houver infecção bacteriana, o paciente deve iniciar o uso de antibióticos, de acordo com a recomendação do médico que atende ao paciente”, finaliza.

Mais de 60 doses da tríplice viral

O Ministério da Saúde garantiu a maior compra de vacinas contra o sarampo dos últimos 10 anos. Ao todo, 60,2 milhões de doses da tríplice viral foram adquiridas para garantir o combate à doença nos municípios. Desde o início do ano, foram distribuídas 25,5 milhões de doses da vacina tríplice viral para garantir a todos os estados a vacinação de rotina, as ações de interrupção da transmissão do vírus e a dose extra chamada de ‘dose zero’ a todas as crianças de seis meses a 11 meses e 29 dias.

Cerca de R$ 206 milhões que serão destinados aos municípios que cumprirem duas metas estabelecidas pela pasta. Para receber esse recurso adicional, os gestores terão que informar mensalmente o estoque das vacinas poliomielite, tríplice viral e pentavalente e atingir 95% de cobertura vacinal contra o sarampo em crianças de 1 a 5 anos de idade com a primeira dose da vacina tríplice viral.

O Ministério da Saúde adquiriu 114% a mais do número de doses da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, para 2019 e 2020 em relação a 2018, passando de 30,6 milhões para 60,2 milhões e 65,4 milhões de doses. Para isso, a pasta comprou recentemente 47,4 milhões de doses da vacina, quantitativo atualmente disponível no mundo, representando a maior distribuição de tríplice viral feita pelo Brasil nos últimos dez anos.

A medida visa garantir a vacinação de 39 milhões de brasileiros, 20% da população, na faixa etária de 1 a 49 anos, que hoje estão suscetíveis à doença porque não tomaram a vacina ou o quantitativo de doses necessárias.

Sarampo: o que é, causas, sintomas, tratamento e prevenção

DEZ PASSOS PARA AMPLIAÇÃO DAS COBERTURAS VACINAIS

Este ano, o Ministério da Saúde alcançou importantes ganhos na área de imunização, como a redução do preço para compra da vacina Meningocócica ACWY de R$ 123 milhões para R$ 87 milhões, ao mesmo tempo em que ampliou a quantidade a ser adquirida, passando de 3,6 milhões de doses para 4,5 milhões. A vacina tríplice viral também teve o preço de compra reduzido de R$ 10,62 para R$ 6,07 o valor unitário; e garantiu a maior distribuição da vacina contra sarampo dos últimos dez anos.

Ao longo dos anos, o Sistema Único de Saúde (SUS) vem incorporando novas vacinas no Calendário Nacional de Vacina. Hoje são 47 imunobiológicos diferentes, sendo 13 soros, quatro imunoglobulinas e 30 vacinas. Destas vacinas, 19 são ofertadas nos postos de saúde, e 11 são oferecidas em centros de referência de imunobiológicos especiais, para populações que tenham condições especiais para tomar (Ex.: imunodeprimidos, pacientes com HIV/Aids).

O Ministério da Saúde anunciou dez passos para garantir a ampliação das coberturas vacinais nas unidades de saúde do país. As medidas estão direcionadas aos trabalhadores que garantem a vacinação da população. Entre as iniciativas estão manter a sala de vacina aberta todo o horário de funcionamento da unidade; evitar barreiras de acesso como a não obrigatoriedade do comprovante de residência para vacinação, bastando apenas o cartão do SUS; aproveitar as oportunidades de vacinação como consultas ou outros procedimentos na unidade de saúde para verificar situação vacinal.

Além disso, monitorar a cobertura vacinal, identificando pessoas que estão com pendências vacinais, com a busca ativa de usuários faltosos e com estratégias comunitárias, reconhecendo populações em vulnerabilidade; garantir o registro adequado da vacinação utilizando tanto o cartão ou caderneta de vacinação do usuário quanto os sistemas da estratégia e-SUS AB.

Orientar a população sobre atualização do calendário vacinal também faz parte dos dez passos para ampliação das coberturas vacinais, promovendo ações coletivas de educação em saúde com a comunidade para a prevenção de doenças por meio da vacinação. Além disso, é de extrema importância combater qualquer informação falsa sobre vacinação, identificando e dialogando com as famílias resistentes sobre a vacinação, explicando a segurança e benefícios da vacinação.

Também é preciso intensificar as ações de vacinação em situações de surto, com monitoramento de surtos ativos e com estratégias de resposta rápida no enfrentamento à situação; promover a disponibilidade e a qualidade das vacinas ofertadas à população, planejando o quantitativo de doses necessárias e monitorando continuamente as condições de armazenamento das vacinas. É importante, como parte dos dez passos, garantir pessoal treinado e habilitado para vacinar durante todo o tempo de funcionamento da unidade.

Fonte: Agência Saúde, SES e Lâmina, com Redação
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