A pandemia alterou radicalmente a rotina global, forçando o isolamento e confrontando as pessoas com situações das quais antes conseguiam se “blindar”. O resultado, percebido ainda nos dias de hoje, é um aumento significativo em quadros de ansiedade, depressão, transtorno bipolar e distúrbios alimentares. No entanto, o que muitos ignoram é que o sofrimento psíquico não fica restrito aos pensamentos: ele transborda para o corpo.
Muitas vezes, a saúde mental é tratada como algo abstrato, restrito ao campo das ideias e dos sentimentos. No entanto, a ciência é categórica: mente e corpo formam um sistema único e indissociável. No contexto do Janeiro Branco, é fundamental compreender que transtornos como depressão e ansiedade não são “apenas psicológicos” — eles possuem assinaturas biológicas que podem alterar drasticamente o funcionamento do sistema endócrino.
O eixo do estresse: o caminho da mente até as glândulas
Quando passamos por um período de estresse prolongado ou crises de ansiedade, o cérebro ativa o chamado Eixo HPA (Hipotálamo-Pituitária-Adrenal). Esse mecanismo é uma cascata de eventos químicos que começa na base do cérebro e termina nas glândulas suprarrenais, liberando hormônios como o cortisol e a adrenalina no sangue.
Em situações de perigo real, esse sistema nos salva. Mas, sob o estresse crônico da vida moderna, ele permanece ligado, causando o que os médicos chamam de “desgaste alostático”.
A conexão mente-corpo: sintomas que confundem
É comum que pacientes busquem prontos-socorros com palpitações, falta de ar ou dores no peito, acreditando estarem com um problema cardíaco, quando na verdade enfrentam uma crise de ansiedade.
A endocrinologista Fernanda Lopes explica que o estresse crônico desregula o ciclo circadiano (nosso relógio biológico), interferindo na produção de diversos hormônios.
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Cortisol: O “hormônio do estresse” sobe, mantendo o corpo em estado de alerta constante.
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Hormônios sexuais: Distúrbios como a anorexia podem interromper a menstruação.
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Sono e energia: A depressão altera a pulsatilidade hormonal, causando fadiga extrema e alterações de apetite.
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O corpo como reflexo da mente: entenda por que o estresse e a ansiedade podem desregular seus hormônios e funções vitais
A desregulação hormonal provocada por questões emocionais pode se manifestar de diversas formas:
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Impacto na tireoide: O estresse excessivo pode interferir na conversão de hormônios tireoidianos, afetando o metabolismo, o peso e os níveis de energia.
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Ciclo menstrual e fertilidade: Altos níveis de estresse e distúrbios alimentares (como a anorexia) podem interromper a pulsatilidade dos hormônios sexuais, levando à ausência de menstruação (amenorreia).
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Ciclo circadiano: A depressão e a ansiedade alteram a produção de melatonina, o hormônio do sono, gerando um ciclo vicioso de insônia e fadiga crônica.
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Saúde cardiovascular: A ansiedade crônica mantém a pressão arterial elevada e a frequência cardíaca acelerada, aumentando o risco de doenças do coração.
O perigo do diagnóstico tardio
Muitas pessoas buscam especialistas para tratar sintomas físicos isolados — como queda de cabelo, alterações de apetite ou taquicardia — sem mencionar o estado emocional. Segundo especialistas, é essencial que clínicos e endocrinologistas investiguem a saúde mental do paciente para evitar tratamentos que foquem apenas no sintoma e ignorem a causa raiz.
Equilíbrio emocional como prioridade médica
A campanha Janeiro Branco reforça que cuidar das emoções é uma forma de medicina preventiva. Para proteger seu sistema endócrino e sua saúde física, considere estas orientações:
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Check-up integrado: Ao realizar exames de sangue e hormonais, discuta com seu médico como anda seu nível de estresse e qualidade de sono.
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Higiene do sono: Respeitar o escuro e o descanso é a melhor forma de regular o ciclo hormonal naturalmente.
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Psicoterapia: Tratar a mente ajuda a “desligar” o estado de alerta constante do corpo, permitindo que as glândulas voltem ao seu funcionamento normal.
Sua saúde é um todo. Não espere o corpo adoecer fisicamente para dar atenção ao que sua mente vem tentando dizer há tempos.




