Os sinais sempre surgem bem antes dos acontecimentos. O ataque dentro do Cefet RJ, que culminou na morte de duas inocentes, já era uma tragédia anunciada. O autor do crime, ao longo dos dias, demonstrava uma atitude de desequilíbrio emocional que já gerava medo e insegurança nas duas vítimas do assassino. O episódio chocou o mundo acadêmico no Rio de Janeiro e mostrou que precisamos estar atentos as sinais que as pessoas emite.

Saúde mental não é frescura. O sofrimento psíquico não é preguiça ou manipulação. Fatos absurdos como esse ainda estampam os noticiários e as redes sociais, todos os dias. Vários episódios chocantes e cruéis, expostos na mídia nos últimos tempos que, infelizmente, terminam em tragédias ou deixam sequelas psicológicas profundas em suas vítimas. 

Essas relações disfuncionais, em sua maioria, em ambientes de trabalho, são ignoradas. Existe uma cortina de fumaça onde as pessoas enganam a si mesmas e as empresas fingem não ver. A falha está na escuta ativa, na percepção dos sinais, na gestão de conflitos ou na promoção de programas e cuidados de saúde mental corporativa.

Relatos dizem que o colega de trabalho que tirou a vida das duas mulheres, não aceitava ser chefiado por mulheres. Um ponto importante que deve ser refletido, pois os comportamentos abusivos do outro mostra que o inconsciente clama por se expressar. Ele, certamente, demonstrou essa insatisfação em alguns momentos.  Uma pista que demonstrava que ele não desfrutava do mínimo equilíbrio necessário para se conviver em sociedade.

E a instituição? Em nenhum momento percebeu o desajuste? O que foi feito para controlar e mitigar os riscos? Não sabemos, porém hoje se vive o luto precoce que, certamente, poderia ter sido evitado.

Precisamos compreender e aceitar que nossa função nunca é mudar ninguém, pois não nos cabe tal exigência. Mas, as dores do outro não podem justificar suas atitudes. E estar atento à saúde mental de seu corpo funcional, é responsabilidade de toda organização. Por isso, é tão importante implementar programas institucionais voltados para promoção e prevenção dos adoecimentos emocionais no ambiente corporativo.

Esse cuidado corporativo propicia o senso de pertencimento, a harmonia e o clima organizacional. Além de ajudar a reduzir os níveis de estresse e aliviar tensões, contribuindo para amenizar sintomas decorrentes de possíveis transtornos psíquicos que um colaborador possa estar sofrendo. 

Se torna urgente promover práticas e programas corporativos para auxiliar na construção de uma mentalidade subjetiva voltada para a busca do bem-estar, da motivação, do aprendizado, do desenvolvimento e do autocuidado físico e mental. Assim, ganham ambas as partes, tanto colaborador, quanto empresa.

Desenvolver um acolhimento e uma escuta ativa para identificar potenciais desequilíbrios mentais e desajustes de comportamento, é fundamental para a construção de um ambiente seguro e harmônico para todos os colaboradores, incentivando a prevenção acima de tudo.

Além disso, favorecer o equilíbrio e reduzir a incidência do surgimento de transtornos mentais, também auxilia na redução do estigma e preconceito com temas relacionados à saúde emocional.                                        

Mais uma tragédia anunciada denuncia a urgência e a necessidade das empresas se conscientizarem de que saúde mental não é custo. É prevenção, é segurança e atitude. É preciso observar e escutar as pessoas à nossa volta e oferecer cuidado de verdade para que consigam ressignificar a dor, que muitas vezes é invisível.

 

Shares:

Posts Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *