O cenário artístico brasileiro se despede de um de seus rostos mais marcantes da década de 90. O ator Gerson Brenner faleceu nesta segunda-feira (23), aos 66 anos, após quase três décadas de uma jornada de superação que mobilizou o país. A causa direta de sua morte foi associada a um quadro de sepse, uma condição médica grave que se desenvolveu em função de sua saúde fragilizada por décadas de limitações motoras e respiratórias.
A trajetória de Brenner mudou drasticamente na madrugada de 17 de agosto de 1998. Aos 38 anos, no auge do sucesso, enquanto viajava para gravar o último capítulo da novela Corpo Dourado, da TV Globo, o ator foi vítima de uma emboscada em um posto de gasolina na Rodovia Ayrton Senna, em São Paulo. Durante o assalto, ele foi baleado na cabeça.
O ferimento causou danos cerebrais severos e irreversíveis. Brenner passou meses em coma e, ao acordar, enfrentou sequelas profundas que incluíam a perda da fala e a impossibilidade de andar. Desde então, sua rotina era composta por tratamentos intensivos de fisioterapia e fonoaudiologia, além de frequentes internações para tratar complicações pulmonares, comuns em pacientes com mobilidade reduzida.
No caso de Gerson Brenner, o histórico de aspirações pulmonares e a baixa imunidade facilitaram a evolução do quadro. Ele estava internado há uma semana, em estado grave. O ator deixa a esposa, a psicóloga Marta Mendonça, que o conheceu ainda na fase de reabilitação após a tragédia, e as duas filhas – Ana Luiza Hass e Vica Brenner.
O eterno galã de novelas da Globo deixa um legado de resiliência e a memória de personagens que marcaram a teledramaturgia nacional, como o impagável Gérson de Rainha da Sucata. Hoje, o ex-ator pode ser visto na reprise de novela no Vale a Pena Ver de Novo, na Globo.
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Sepse é a principal causa de mortalidade hospitalar
A morte de figuras públicas por complicações infecciosas reforça a importância do controle da sepse, frequentemente chamada de “infecção generalizada”, fator determinante para a morte de Gerson. De acordo com o Instituto Latino Americano de Sepse (ILAS), a condição não é a infecção em si, mas uma resposta inflamatória sistêmica exagerada do corpo a uma infecção.
A sepse continua sendo uma das principais causas de mortalidade hospitalar no Brasil. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a condição é responsável por aproximadamente 240 mil mortes por ano no país — um número que reforça a necessidade urgente de capacitação dos profissionais que atuam na linha de frente do atendimento hospitalar.
Quando o sistema imunológico tenta combater um agente invasor (bactérias, vírus ou fungos), ele acaba atacando os próprios tecidos e órgãos. Isso pode levar à queda da pressão arterial, falência de órgãos vitais como rins e pulmões e, por fim, ao choque séptico.
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Conheça os riscos da infecção bacteriana
Apesar de algumas bactérias serem benéficas ao ser humano, em algumas situações elas podem causar uma série de doenças perigosas. Se não tratada precocemente, uma infecção bacteriana pode evoluir para uma infecção generalizada, a temível sepse. Por isso, a circulação de patógenos precisa ser monitorada rigorosamente para evitar a resistência bacteriana, um dos principais gatilhos para quadros de sepse grave.
Este problema afeta diversos órgãos e pode causar até mesmo a falência deles”, alerta Juliana Oliveira da Silva, coordenadora do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar e do Centro de Vacinação do Hcor.
A agilidade na identificação da infecção auxilia no tratamento que, em estágios iniciais, pode ser realizado em ambiente domiciliar, com antibióticos orais e outros medicamentos complementares para aliviar os sintomas.
Já em casos mais graves, pode ser necessária a hospitalização em leito de internação para uso de medicamento endovenoso. Estágios mais avançados podem requerer cuidados da Unidade de Terapia Intensiva (UTI)”, esclarece.
Para que não chegue a este ponto, é preciso ficar atento aos sinais de uma infecção bacteriana. “Os sintomas podem variar, dependendo do local da infecção e do tipo de bactéria que a pessoa contrai. Entretanto, caso ela note sinais como desconforto para urinar, diarreia, vômito, febre alta, dores, cansaço e edemas locais, é necessário procurar um médico para ser diagnosticada rapidamente”, explica a especialista.






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