A DRC é silenciosa e conforme evolui, o paciente pode sofrer impactos significativos na qualidade de vida. O exame de dosagem de creatinina no sangue é uma ferramenta simples, mas decisiva para identificar novos casos e ampliar o acesso ao tratamento. Detectar cedo significa oferecer maiores chances de cuidado adequado e promover uma política de saúde mais inclusiva e equitativa”, afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), José Andrade Moura Neto.
Como as mudanças climáticas estão agravando a DRC
A campanha deste ano foca na interseção vital entre a saúde humana e a sustentabilidade ambiental. Sob a coordenação da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), a mobilização ressalta a urgência de políticas de saúde inclusivas que combatam as desigualdades de acesso e enfrentem, simultaneamente, os crescentes desafios climáticos.
Pela primeira vez, a campanha destaca como as mudanças ambientais estão agravando a DRC. Riscos relacionados ao clima, como a poluição atmosférica, o estresse térmico, a desidratação e os fenômenos meteorológicos extremos, aceleram a progressão da doença. Além disso, o aumento das temperaturas globais potencializa a propagação de doenças tropicais que podem causar danos severos aos órgãos.
Essa relação é bidirecional, pois o tratamento da doença renal terminal também impõe um alto custo ambiental. A diálise é uma terapia intensiva em recursos, exigindo grandes volumes de água, energia e plásticos de utilização única, além de gerar emissões de gases de efeito estufa.
Para se ter uma ideia do impacto, uma única sessão de hemodiálise pode gerar uma pegada de carbono equivalente a conduzir um carro por quase 240 quilômetros, criando um ciclo onde a doença renal e as alterações climáticas se agravam mutuamente.
Hipertensão: a ameaça silenciosa que pode levar a desfechos graves
Dia Mundial do Rim destaca a importância de atuar pela promoção da saúde e cuidado com os crescentes fatores de risco

A doença renal crônica pode afetar diretamente o coração e está associada a doenças cardiovasculares graves, como a insuficiência cardíaca, representando um risco ainda mais elevado entre pessoas com hipertensão, diabetes, obesidade ou histórico familiar da doença.
A demora no diagnóstico e no tratamento da DRC pode resultar na perda de até 90% da função renal antes mesmo de os sintomas se estabelecerem, e como os rins desempenham funções vitais filtrando toxinas, regulando a pressão arterial e mantendo o equilíbrio de líquidos, seu comprometimento pode promover um efeito em cadeia no organismo.
Por isso, a aferição da pressão arterial também passa a integrar as ações da campanha pelo Dia Mundial do Rim, visto que a hipertensão é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento e a progressão da DRC, além de ser, muitas vezes, uma consequência do próprio comprometimento dos rins. Essa relação estreita cria um ciclo silencioso que pode acelerar a perda da função renal e aumentar significativamente o risco de eventos cardiovasculares como infarto e AVC.
Como a pressão alta costuma não apresentar sintomas, grande parte das pessoas desconhece sua condição, o que reforça a importância do rastreamento em iniciativas de saúde pública. A identificação da pressão arterial acima do recomendado permite orientar a população sobre a necessidade de acompanhamento médico e controle adequado, reforça a integração entre saúde renal e cardiovascular e amplia a visão sobre a importância do cuidado preventivo.
Potássio em desequilíbrio: um sinal de alerta para rins e coração
A progressão da perda da função renal também pode levar à hiperpotassemia, caracterizada pelo aumento dos níveis de potássio no sangue. A inclusão do exame de potássio em parte das ações da campanha pelo Dia Mundial do Rim deste ano amplia o olhar sobre a jornada do paciente.
O monitoramento do potássio no sangue e da creatinina é um passo essencial para o cuidado integrado do coração e dos rins. A avaliação conjunta desses exames evidencia a interconexão entre saúde renal e saúde cardiometabólica, amplia a capacidade de identificar alterações de forma precoce e contribui para intervenções oportunas e para a prevenção de complicações futuras.
Prevenção e diagnóstico precoce salvam vidas
A doença renal crônica é silenciosa, mas suas consequências não são. Investir em prevenção e diagnóstico precoce é salvar vidas, reduzir desigualdades e fortalecer o sistema de saúde”, alerta José Moura Neto.
A urgência no acesso ao tratamento no Brasil
Campanha pelo Dia Mundial do Rim no Brasil reforça a equidade no acesso ao tratamento das doenças renais
A realidade da saúde renal no Brasil ainda enfrenta obstáculos críticos. Segundo dados da SBN, cerca de 50 mil brasileiros morrem todos os anos em decorrência de doenças renais antes mesmo de conseguirem acesso à diálise ou ao transplante renal.
Esse número alarmante reflete as profundas desigualdades regionais no acesso ao diagnóstico precoce e às terapias substitutivas. A campanha de 2026 reforça que a equidade no cuidado não é apenas uma meta de saúde, mas um imperativo ético e social, unindo empatia e responsabilidade na busca por um sistema mais justo.
A perda de milhares de vidas todos os anos, muitas vezes antes mesmo do início do tratamento, evidencia os desafios estruturais que ainda precisam ser superados no Brasil. No Dia Mundial do Rim 2026, reforça-se a importância de promover uma saúde renal que seja, simultaneamente, inclusiva e sustentável”, afirma Lucas Ávila, nefrologista do Hospital Nipo-Brasileiro (HNIPO).
Segundo ele, isso implica ampliar o acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado, reduzir desigualdades e reconhecer que fatores ambientais, sociais e econômicos impactam diretamente na evolução da doença renal. “Fortalecer políticas públicas, qualificar o cuidado e integrar sustentabilidade às práticas em saúde são passos essenciais para garantir um sistema mais eficiente, equitativo e comprometido com as futuras gerações”.
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Agenda Positiva
Nefrologistas vão realizar mais de 12 mil testes em 30 cidades
Dia Mundial do Rim celebra 20 anos com mobilização nacional pela saúde renal e pelo cuidado sustentável
A Doença Renal Crônica (DRC) é silenciosa, progressiva e na maioria das vezes descoberta apenas em estágios avançados. Para mudar esse cenário preocupante, a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) promove ao longo do mês uma ampla mobilização nacional para incentivar a prevenção e o diagnóstico precoce em todos os estados brasileiros. Serão mais de 1.400 atividades cadastradas, envolvendo profissionais de saúde, gestores públicos, instituições de ensino, ligas acadêmicas e a população em geral.
Além das ações de conscientização, realizaremos cerca de 12 mil testes em mais de 30 cidades brasileiras. Nosso objetivo é levar não apenas informação de qualidade, mas também diagnóstico. No ano passado, identificamos alterações nos níveis de creatinina em mais de 3 mil pessoas, que desconheciam a doença”, destaca o presidente da SBN.
Iluminação do Cristo Redentor e outras ações
Estão previstas ações educativas, aulas abertas, campanhas de conscientização em espaços públicos, iluminação de monumentos, produção de materiais informativos e uma forte mobilização nas redes sociais. O objetivo é ampliar o alcance da mensagem e reforçar a importância do cuidado contínuo com a saúde renal, aliado à sustentabilidade dos sistemas de saúde. A programação tem apoio da Astrazeneca (confira a programação completa aqui).
Um marco histórico na saúde global
Celebrado sempre na segunda quinta-feira de março — neste ano, em 12 de março —, o Dia Mundial do Rim é uma campanha global de conscientização que visa informar a população sobre a importância da saúde dos rins e reduzir a frequência e o impacto das doenças renais em todo o mundo por meio do acesso universal ao diagnóstico e tratamento.
Embora o Dia Mundial do Rim seja uma celebração anual, 2026 marca um capítulo histórico: os 20 anos desta iniciativa global. A campanha chega à sua 20ª edição em 2026 como um dos maiores movimentos de conscientização sobre a saúde renal do mundo.
O ano de 2026 marca um ponto de virada histórico com a 78ª Assembleia Mundial da Saúde. A Organização Mundial da Saúde (OMS) adotou sua primeira resolução dedicada exclusivamente à doença renal, elevando o tema ao status de prioridade global de saúde pública.
Essa decisão oficializa o Dia Mundial do Rim como uma comemoração formal da OMS e incentiva nações a adotarem ações de prevenção, conscientização e redução de riscos ambientais.







