A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo confirmou nesta quarta-feira (11) o primeiro caso de sarampo no estado em 2026. A paciente é uma bebê de seis meses que contraiu a doença durante uma viagem à Bolívia em janeiro. O caso, registrado em fevereiro e confirmado recentemente por exames laboratoriais, é também o primeiro diagnóstico da doença no Brasil este ano, colocando as autoridades sanitárias em vigilância máxima contra a reintrodução do vírus em território nacional.

O cenário epidemiológico atual é desafiador. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), houve um crescimento de 32 vezes no total de contágios nas Américas entre 2024 e 2025. Países como Canadá, México e Estados Unidos apresentam surtos significativos, somando milhares de casos e registros de óbitos. Na Bolívia, país visitado pela bebê paulista, a situação já é de estado de emergência.

O risco da alta transmissibilidade

O sarampo é uma das doenças infecciosas mais contagiosas conhecidas. Transmitido por via aérea — através da fala, tosse ou espirro —, o vírus pode infectar até 90% das pessoas próximas a um indivíduo doente que não estejam imunizadas. Segundo infectologistas, o momento é crítico pois coincide com o fluxo de pessoas após as férias escolares e a circulação ativa do vírus em países vizinhos.

Especialistas alertam que o Brasil, embora tenha sido recertificado como país livre da circulação endêmica do vírus no final de 2024, permanece vulnerável. A queda na cobertura vacinal abaixo do limiar de imunidade coletiva (95%) e a desinformação são apontadas por infectologistas como os principais combustíveis para o ressurgimento de surtos locais. Nos Estados Unidos, por exemplo, 96% dos infectados em 2025 não estavam vacinados ou tinham status vacinal desconhecido.

Sintomas e complicações graves

A doença caracteriza-se por febre alta, tosse, coriza e conjuntivite, seguidos pelas manchas avermelhadas (exantema) que se espalham pelo corpo. No entanto, o sarampo não deve ser encarado como uma enfermidade simples da infância. Segundo infectologistas, as complicações podem ser severas, incluindo pneumonia, encefalite, otite aguda e até a morte, especialmente em crianças menores de cinco anos e pessoas imunocomprometidas.

Como não existe tratamento específico para o vírus, o atendimento médico é focado no suporte dos sintomas e na prevenção de danos maiores, muitas vezes com o uso de vitamina A.

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Vacinação: a única barreira eficaz

A imunização continua sendo a principal ferramenta de proteção. O Calendário Nacional de Vacinação prevê a primeira dose da vacina tríplice viral aos 12 meses e a segunda aos 15 meses de vida. Para adultos que não possuem comprovante de vacinação, as orientações são:

  • 5 a 29 anos: duas doses com intervalo de 30 dias.

  • 30 a 59 anos: dose única.

  • Profissionais de saúde: duas doses, independentemente da idade.

Abaixo, confira as principais recomendações para manter a imunização em dia:

Público-alvo Recomendação
Crianças (12 e 15 meses) Seguir rigorosamente o calendário oficial.
Viajantes Vacinar-se antes de deslocamentos internacionais para áreas de risco.
Adultos até 59 anos Verificar o histórico e atualizar a dose se necessário.
Gestantes e bebês < 6 meses Não devem ser vacinados (consultar orientação médica).
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