Rendeu vários memes na internet a queda de um raio que atingiu manifestantes da extrema direita recentemente em Brasília, ao final de uma caminhada em defesa da liberdade do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso e condenado a 34 anos de cadeia por liderar uma tentativa de golpe contra a democracia. Mas o assunto é mais sério do que se imagina.
Ser atingido por um raio é um acontecimento raro, mas muitas vezes pode ser fatal. A chance de uma pessoa ser atingida diretamente é de aproximadamente 1 em 1 milhão, mas a maioria dos acidentes ocorre por proximidade ou faíscas laterais. De acordo com o Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT/INPE), o país é o líder mundial em quedas de raios, com uma média de 78 milhões de descargas por ano.
No Brasil, cerca de 110 a 120 pessoas morrem anualmente devido a esse evento climático – em 2024, foram registradas 84 mortes por raios. Além dos óbitos, os raios deixam mais de 200 feridos graves anualmente. No entanto, o número total de pessoas atingidas (vítimas que sobrevivem com ferimentos) é maior: estima-se que quase mil pessoas sejam afetadas por ano no país.
Os estados com maior incidência de mortes e raios costumam ser Amazonas, Pará e Mato Grosso do Sul, especialmente devido à vasta extensão territorial e ao clima tropical que favorece tempestades. Por terem áreas geográficas menores, o que aumenta a chance de acidentes, os estados do Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro também apresentam alta densidade de raios por quilômetro quadrado.
O maior número de pessoas atingidas por um único raio no Brasil neste século
Como se proteger de uma queda de raio

Lugares mais seguros
- Veículos fechados: Carros e ônibus são muito seguros devido à “Gaiola de Faraday” (a estrutura metálica conduz a eletricidade pelo exterior até o solo, protegendo quem está dentro).
- Interior de edificações: Prédios e casas são seguros, mas evite ficar perto de janelas, portas metálicas e tomadasAbrigos subterrâneos: Estações de metrô e túneis oferecem excelente proteção.
Cuidados dentro de casa
- Não usar o chuveiro elétrico durante a tempestade.
- Retirar eletrônicos das tomadas para evitar queima por surtos na rede.
- Evitar telefones com fio e celulares conectados ao carregador.
Estado utiliza sistema similar ao da NASA para prever raios
O Rio de Janeiro, um dos estados com maior incidência de raios no Brasil, deu um salto tecnológico no enfrentamento aos efeitos da crise climática. Desde o verão de 2025, o Centro Estadual de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden-RJ) utiliza uma ferramenta de visualização de descargas elétricas em tempo real, com tecnologia similar à empregada pela agência espacial americana, a Nasa.
A análise do comportamento dos raios, integrada a radares e satélites, permite aos especialistas prever com maior precisão se uma chuva será moderada ou forte, além de identificar a formação de granizo. O objetivo é garantir informações mais precisas e rápidas de onde estas descargas estão ocorrendo
Prevenção e o novo protocolo de alertas
O investimento de R$ 9,8 milhões no sistema de monitoramento não foca apenas nas tempestades. O novo protocolo do Cemaden-RJ agora inclui alertas para ondas de calor, baixa umidade e rajadas de vento. Segundo o secretário de Defesa Civil, coronel Tarciso Salles, essa precisão é fundamental para decisões críticas, como o acionamento de sirenes ou o envio de mensagens de emergência.
A eficiência do sistema é medida pelo alcance: em 2024, foram emitidos mais de 4 mil alertas de risco. Atualmente, os cidadãos podem acompanhar a situação de cada município em tempo real através do painel de monitoramento disponível no site oficial da Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro.
Defesa Civil Alerta: tecnologia que salva vidas
Uma das principais inovações é o sistema “Defesa Civil Alerta“. Diferente dos modelos anteriores, este não exige cadastro prévio por SMS. Através da rede 4G, o sistema identifica celulares em áreas de risco (delimitadas por polígonos geográficos) e envia avisos imediatos sobre riscos severos de deslizamentos e enxurradas.
O uso dessas ferramentas reforça a necessidade de políticas públicas conectadas à realidade climática atual. O monitoramento ambiental rigoroso é um dos pilares para a manutenção da Saúde Única, garantindo que as populações humanas e o ecossistema urbano estejam protegidos contra os impactos devastadores de eventos climáticos extremos.
Com Assessorias e agências






