Preocupação com a covid-19 é menor entre idosos

Pesquisa no Brasil, Argentina, Colômbia e México também avalia engajamento da população para enfrentar a pandemia do novo coronavírus

Gostou desse conteúdo? Compartilhe em suas redes!

Apesar de estarem no grupo de pacientes com maior risco de morte, no caso de contaminação do Coronavírus, há menos idosos extremamente preocupados com a Covid-19 que pessoas de 18 a 55 anos — 64% do grupo de 36 a 55 anos mostraram-se muito ou extremamente preocupado em ficar doentes. Em segundo lugar, com 60%, vêm as pessoas entre 18 e 35 anos, enquanto dos idosos somente 49% estão com esse nível de cuidado e preocupação.

É o que mostra o estudo Opiniões Covid-19, resultado da parceria entre Perception, Engaje! Comunicação e Brazil Panels. Entre os entrevistados, 61% dos brasileiros, de todas as regiões do país, revelaram que suas preocupações estão relacionada à saúde– 20% responderam que temem que esses serviços colapsem e não cheguem a todos. Os demais citaram o medo por alguém próximo ficar doente ou eles próprios adoecerem ou ainda pelo elevado número de mortos.

pesquisa também identificou grande preocupação dos brasileiros com a economia e seus empregos. Os funcionários de empresas privadas formam o grupo mais receoso com a crise ocasionada pela pandemia mundial;  71% destes afirmaram estar enfrentando grandes níveis de estresse, seguidos por 62% dos autônomos e microempresários e 51% dos funcionários públicos.  Outros 29% expressaram sua apreensão perante uma eventual perda do emprego ou desajuste nas finanças pessoais. Aliás, 45% dos que responderam à pesquisa afirmaram categoricamente que acreditam que no mundo pós-Covid19 vai faltar trabalho.

Mudança de hábitos

Além do fato de estarem lavando mais as mãos – 86% afirmaram estar seguindo esta orientação dos órgãos de saúde – a maioria revela que, com o isolamento social e a necessidade de passar mais tempo em casa, estão vendo mais filmes da TV (62%), fazendo mais faxina (61%), usando mais as redes sociais (58%), cozinhando (56%) e vendo notícias na TV (53%).

“O estudo também identificou que as pessoas estão interessadas em se reeducar e agir de forma mais consciente”, comenta Rodrigo Toni, sócio e diretor geral da Perception. A respeito dos hábitos que irão adquirir depois que a ameaça de contaminação passar, quase metade dos entrevistados não hesitou em responder que vai fazer uma reserva financeira e 38% desejam se alimentar melhor.

Na relação com o outro, 42% querem ser mais solidários e justos e 29% visam a se empenhar em trabalhos sociais. E, no campo da política, 31% pretendem pesquisar melhor antes de votar e 29% cobrar mais os governantes.

O estudo entrevistou online, em todas as regiões do Brasil, homens e mulheres com mais de 18 anos, das classes ABCD, com margem de erro de até 4%, para saber a opinião dos brasileiros sobre diversas ações cotidianas em meio ao novo cenário vivido com a pandemia. As entrevistas foram feitas entre 1 e 3 de abril, nesta primeira fase do isolamento da maioria dos Estados do País. Entre diversas outras questões, a pesquisa sondou o comportamento perspectivas dos brasileiros nesta primeira quinzena do isolamento.

Médicos apontam despreparo da população

Na opinião de 64% da comunidade médica do Brasil, o nível de preparo das pessoas do país para a situação atual de pandemia é baixo ou nulo. É o que afirma a segunda onda da pesquisa “Reflexão Médicos: Covid-19”, realizada pela Ipsos, em parceria com a Fine, entre os dias 31 de março e 3 de abril com 1.580 profissionais de diversas especialidades clínicas em quatro países, sendo 530 brasileiros, 290 mexicanos, 347 colombianos e 414 argentinos.

No comparativo com a primeira onda do estudo, conduzida entre 21 e 23 de março, houve um agravamento na percepção da conscientização populacional entre os entrevistados brasileiros. Há uma semana, o índice de concordância com a falta de preparo da população sobre o tema coronavírus era de 56%. Os dados da segunda onda representam um aumento significativo, de 8 pontos percentuais.

No México, 86% dos ouvidos locais creem que a população não está preparada para a situação; antes eram 81%. Na Colômbia também houve aumento, de 87% para 89%. Na contramão dos vizinhos latino-americanos, a Argentina teve uma queda de 14 pontos percentuais na percepção do nível de conscientização de sua gente. Se antes 73% dos médicos entrevistados acreditavam que os “hermanos” não estavam preparados para a conjuntura pandêmica, agora são 59%.

O levantamento mensurou, ainda, a percepção da comunidade médica acerca do engajamento populacional de seus países. No Brasil, 63% dos participantes da pesquisa acreditam que a sociedade local está engajada no enfrentamento da pandemia. O número representa uma queda de 4 pontos percentuais em relação à onda anterior, que registrou 67%.

México e Colômbia tiveram depreciações ainda maiores. Entre os mexicanos, a concordância com o engajamento de sua população, na opinião dos profissionais da saúde, caiu de 54% para apenas 35%. Já na Colômbia, foi de 64% para 50%. Mais uma vez contrariando o cenário predominante, o corpo médico argentino se mantém otimista: 85% dos ouvidos no país creem que o povo está engajado na luta contra o coronavírus. O número representa um aumento de 10 pontos percentuais; na primeira onda, o índice era de 75%.

Estrutura e apoio governamental

À medida que o surto de coronavírus tem atingido um nível mais crítico na América Latina, o suporte dos governos locais parece ter aumentado ou, ao menos, se estabilizado. É o caso do Brasil: tanto na primeira quanto na segunda onda da pesquisa, oito em cada 10 médicos entrevistados (80%) declararam receber apoio de informações governamentais, como guias de diagnóstico.

Na Argentina, houve uma ligeira apreciação na avaliação da comunidade médica sobre o suporte do governo, de 87%, na primeira onda, para 89%, na segunda. Na Colômbia, o crescimento foi de 5 pontos percentuais, passando de 87% para 92%.

O salto mais significativo se deu no México. Quando a primeira onda da pesquisa foi conduzida, apenas 58% dos profissionais de saúde ouvidos diziam receber qualquer tipo de auxílio por parte do governo. Hoje, já são 72%. Ainda assim, o país fica no último lugar do ranking de apoio governamental, bem atrás do Brasil, terceiro colocado com 80%.

Infraestrutura hospitalar do Brasil não está preparada

A infraestrutura hospitalar das nações latino-americanas também foi analisada pelos médicos entrevistados pela pesquisa. No Brasil, 76% dos participantes creem que a infraestrutura hospitalar do país não está preparada para a pandemia. O número representa uma melhora de 2 pontos percentuais em relação à primeira onda do estudo, que registrou 78%.

A Colômbia também apresentou progresso. 82% dos profissionais colombianos acreditam que não há estrutura nos hospitais; antes eram 90%. Já a Argentina se manteve estável, com índice de 70% nas duas ondas da pesquisa. Novamente, os dados mexicanos são os mais pessimistas: 88% dos ouvidos no país creem que o México não possui infraestrutura hospitalar para lidar com a Covid-19. Na primeira onda, eram 81%.

Procura por álcool gel e cloroquina na internet

Segundo estudo realizado pela SEMrush, líder global em marketing digital, a busca pelo termo “Álcool gel” em mecanismos de buscas como Google, Yahoo e Bing em março atingiu a marca de 1,8 milhão de pesquisas realizadas pelos brasileiros. Em fevereiro, foram 90,5 mil pesquisas. Esse crescimento representa aproximadamente 1900% em apenas um mês.

Março também foi um mês bastante marcante por outros 2 termos bastante pesquisados pelos brasileiros: “Cloroquina” recebeu 1,2 milhão de buscas por seu nome em março, enquanto em fevereiro foram apenas 14,8 mil. A SEMrush estima que no Brasil, apenas no mês passado, “Coronavírus” foi buscado 105 milhões de vezes.
Com Assessorias
Gostou desse conteúdo? Compartilhe em suas redes!

You may like

In the news
Leia Mais
× Fale com o ViDA!