Com a chegada dos dias mais frios, é comum que as pessoas que sofrem de dores crônicas, principalmente as articulares, provocadas por lesões, inflamações ou mesmo condições de desgaste sintam um aumento repentino desses incômodos. As temperaturas mais baixas afetam diretamente a mobilidade e o bem-estar dos pacientes, exigindo cuidados redobrados. Pessoas que sofrem com artrite e artrose costumam relatar aumento nas dores articulares e na rigidez matinal.
De acordo com Roni Serra, médico ortopedista especialista em cirurgia de quadril, não se trata apenas de uma impressão: as baixas temperaturas realmente pioram a sensação de dor e rigidez nas articulações, em virtude de diferentes fatores fisiológicos e comportamentais.
No frio, é comum que os vasos sanguíneos se contraiam para preservar o calor corporal, o que reduz o fluxo de sangue para os músculos e as articulações. Com isso, os músculos ficam mais tensos, as terminações nervosas ficam mais sensíveis e as articulações menos flexíveis, pois a viscosidade do líquido sinovial, que lubrifica essas estruturas, também se altera. Nessa época, observa-se também que as pessoas se movimentam menos, com a redução da prática de atividades físicas, o que acaba igualmente piorando os sintomas”, explica o médico.
Frio intenso também pode agravar sintomas de artrite
Mas o que exatamente é a artrite e por que o frio piora os sintomas? A artrite é uma inflamação nas articulações que pode afetar pessoas de todas as idades, embora seja mais comum em adultos a partir dos 40 anos. A condição pode ter diversas causas, entre elas, doenças autoimunes, infecções e o desgaste natural das articulações com o tempo. Os principais sintomas incluem dor persistente, inchaço, calor, vermelhidão e dificuldade de movimentar a articulação afetada.
Durante o inverno, a vasoconstrição, contração dos vasos sanguíneos em resposta ao frio, reduz a irrigação das extremidades do corpo, o que pode aumentar a rigidez e a sensação de dor nas articulações. Além disso, a tendência de ficar mais tempo em repouso durante os dias frios contribui para a perda de mobilidade e o enfraquecimento muscular, agravando o quadro.
De acordo com a reumatologista Cláudia Goldenstein Schainberg, é fundamental manter uma rotina de cuidados para amenizar os sintomas durante o inverno. “O frio intensifica os sintomas da artrite, como dor e rigidez. Por isso, é importante manter o corpo aquecido, praticar atividades físicas leves regularmente e não abandonar o tratamento medicamentoso prescrito”, explica a especialista.
Alternativas para amenizar a artrose e a artrite no inverno
Embora muitas pessoas com artrose e artrite tenham como direcionamento médico o uso de medicamentos para o alívio das dores – principalmente durante tratamentos paliativos –, especialistas destacam algumas práticas e alternativas que possam ajudar a amenizar esses sintomas também.
A reumatologista Cláudia Goldenstein Schainberg ressalta que a fisioterapia, o uso de roupas térmicas, banhos mornos e uma alimentação equilibrada também são aliados importantes para quem sofre com artrite nesta época do ano.
Além de manter as articulações em movimento, o exercício físico promove a liberação de endorfinas, que têm efeito analgésico natural. A hidratação e o controle do peso corporal também são fundamentais para reduzir o impacto sobre as articulações”, complementa
Para quem convive com a doença, adaptar hábitos e seguir orientações médicas durante o inverno é essencial para preservar a qualidade de vida e evitar crises dolorosas. Buscar um reumatologista ao primeiro sinal de desconforto persistente também é uma atitude preventiva eficaz.
Segundo o ortopedista Roni Serra, a manutenção das atividades físicas é fundamental para evitar a intensificação das dores neste período. Além disso, seguir com as fisioterapias em casos recomendados, e prezar pela alimentação saudável e pela hidratação, mesmo que o frio não desperte tanta vontade, devem ser prioridades.
Além do uso de roupas adequadas, aplicar bolsas térmicas ou panos quentes sobre a articulação dolorida ajuda a relaxar os músculos e melhorar a mobilidade articular. Exercícios leves como a caminhada e o pilates, assim como o alongamento, também reduzem a rigidez articular. Tanto a dieta anti-inflamatória, quanto a ingestão adequada de líquidos, impactam diretamente a saúde dessas regiões doloridas, portanto, é essencial garantir esses cuidados complementares”, orienta.
Casos avançados de artrose e a necessidade de intervenções
Roni Serra lembra que existem ainda casos em que as condições de desgaste se apresentam de maneira avançada, e os episódios de dores atingem o limite do que pode ser suportado pelo paciente. Nessas situações, não é somente o frio: o organismo já não responde com efetividade aos tratamentos paliativos.
Segundo ele, nestes casos, a solução é, de fato, a realização da artroplastia – uma cirurgia que consiste em substituir a articulação por próteses ortopédicas, que podem ser realizadas com o apoio de plataformas como o robô Rosa, tanto para os procedimentos de joelho, quanto de quadril.
Cada pessoa tem uma necessidade específica, por isso, os tratamentos são feitos de forma personalizada atualmente. Se for preciso realizar uma artroplastia, hoje, os robôs têm contribuído com a máxima eficiência dos procedimentos e a melhor recuperação do paciente, com altos índices de satisfação e precisão milimétrica no ato cirúrgico. Os médicos seguem à frente das cirurgias, mas as contribuições da robótica são nítidas e impactam diretamente a qualidade de vida dos que precisam passar por esse tipo de intervenção”, conclui Dr. Roni Serra, especialista na área.
Com Assessorias







