Mal 2026 começou e a mente já caminha para o primeiro grande evento do ano: o Carnaval. Em pleno verão, a data é marcada pelos desfiles das escolas de samba, festas de rua e viagens curtas para quem deseja fugir da agitação. A proximidade da folia intensifica ainda a pressão pela atenção das pessoas para a imagem corporal. cresce também a busca por estratégias rápidas para perder peso.
Mas será que ainda dá tempo?
Médicos alertam que buscar perda de peso apenas para um evento pode comprometer a saúde. Emagrecer é um processo que exige continuidade e foco em resultados sustentáveis, não apenas uma resposta a um calendário festivo. Especialistas ouvidos por VIDA E AÇÃO defendem abordagem consciente para o emagrecimento
O médico gastroenterologista e cirurgião geral Mauro Jácome explica que a obesidade é uma condição médica crônica que exige abordagem de longo prazo. “Garantir saúde significa adotar mudanças que perdurem de antes a após as festas. Perder peso apenas para o carnaval tende a gerar frustração e reganho rápido. Isso não é saúde. Além disso, a obesidade aumenta o risco de doenças como diabetes e cardiovasculares e não deve ser tratada meramente como questão estética ou temporária”, classifica.
Segundo Marcelo Carneiro, especialista em emagrecimento, cirurgião bariátrico e médico do reality Quilos Mortais Brasil, o tema deveria ser uma preocupação durante todo o ano e ir além da estética. “No Brasil, 68% dos adultos estão acima do peso, e isso é um sinal de alerta, em primeiro lugar, para a saúde”, enfatiza. Ele lembra que a obesidade segue como um dos maiores desafios do país, impactando a saúde pública e ampliando a incidência de doenças como diabetes tipo 2, hipertensão e problemas cardiovasculares.
Para Carneiro, aproveitar o período pré-Carnaval como marco inicial pode ser uma oportunidade positiva. “A motivação estética pode até ser o gatilho, mas o objetivo precisa ser maior: saúde, bem-estar e continuidade após a festa. Quando o paciente entende isso, a mudança deixa de ser pontual e se torna parte do estilo de vida”.
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Medicamentos podem auxiliar no tratamento da obesidade, mas não substituem mudanças consistentes de hábitos
Ainda assim, para quem deseja dar os primeiros passos e se sentir melhor com o corpo até o Carnaval, o médico afirma que é possível: “Para ter resultados seguros em poucas semanas, o uso prescrito e acompanhado de injetáveis pode ser uma alternativa”.
Neste contexto, medicamentos a base da tizerpatida e da semaglutida, muitas vezes chamados de canetas emagrecedoras, podem fazer parte de um tratamento quando indicados por médicos especializados. Esses medicamentos atuam na redução do apetite, aumentam a sensação de saciedade e otimizam a resposta metabólica, favorecendo resultados relativamente rápidos quando comparadas a outras abordagens.
De acordo com o Dr. Marcelo Carneiro, considerando o pouco tempo até o Carnaval, a tirzepatida (conhecida comercialmente como Mounjaro) é uma das opções mais eficazes. “Ela associa a ação dos hormônios GLP-1 e GIP, o que pode intensificar ainda mais o controle do apetite e o gasto energético”, explica.
O médico reforça que apesar da eficiência, o uso do medicamento não é para todos. Pessoas com histórico de pancreatite, alguns tipos de doenças gastrointestinais, distúrbios hormonais, uso de medicações específicas ou mesmo gestantes e lactantes podem não ser elegíveis ao tratamento. “Nem todo organismo está preparado para esse tipo de intervenção. Antes de qualquer prescrição, avaliamos exames, histórico clínico e possíveis contraindicações. A segurança é sempre o primeiro passo”, enfatiza Carneiro.
O especialista alerta, ainda, para o uso indiscriminado do Mounjaro, prática que cresce com a popularização do medicamento nas redes sociais. “Autoprescrição é perigosa. Cada paciente reage de forma diferente às doses, e os efeitos adversos precisam ser monitorados. Quando o protocolo é individualizado, o resultado vem — e vem com segurança”.
Acompanhamento faz toda a diferença
Algumas diretrizes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia apontam que a obesidade requer manejo prolongado, com avaliação individualizada e integração entre terapia medicamentosa, alimentação equilibrada e atividade física para redução sustentada dos riscos à saúde. A literatura médica associa esse fenômeno a alterações hormonais e à redução da taxa metabólica, o que reforça a necessidade de abordagens contínuas e estruturadas para o controle do peso.
Por isso, além dos medicamentos, o acompanhamento multidisciplinar faz diferença mesmo no curto prazo. “Ajustes na alimentação, rotina regular de exercícios e suporte psicológico aumentam a constância e ajudam a evitar comportamentos compensatórios que sabotam o processo”, comenta.
Ensaios clínicos randomizados publicados no New England Journal of Medicine demonstram que esse tipo de fármaco derivado do GLP-1 promove perda de peso clinicamente relevante quando associados a mudanças no estilo de vida e acompanhamento regular. Os mesmos estudos indicam queda na manutenção dos resultados após a interrupção do tratamento ou quando a medicação é utilizada de forma isolada.
Dr. Mauro ressalta que essas medicações auxiliam no controle do apetite mas não eliminam a necessidade de mudanças nos hábitos.
Não existe solução farmacológica isolada. O uso deve ser parte de um plano integrado com alimentação adequada e atividade física. Estudos apontam que a eficácia desses medicamentos depende do contexto clínico e da adesão a um estilo de vida saudável”, pontua.
Na prática, manter a rotina de cuidados com a alimentação e atividade física durante as férias e no carnaval exige planejamento. Comer com qualidade, manter hidratação e praticar exercícios regulares são medidas que preservam a saúde mesmo em períodos de maior exposição social. O foco em bem-estar integral ajuda a evitar quedas bruscas de peso e reduz o efeito sanfona que acompanha regimes extremos.
Abordar o emagrecimento com rigor clínico reflete a visão de que a luta contra a obesidade deve ser contínua. Modismos e expectativas de resultados imediatos não substituem avaliação médica, educação nutricional e práticas sustentáveis de saúde. Importante indicar que a consistência de hábitos saudáveis é mais relevante do que metas de curto prazo”, completa o médico Mauro Jácome.
Com Assessorias




