Quase 60% dos pacientes nunca receberam um diagnóstico formal de obesidade de um profissional. O dado faz parte do artigo “Obesity-Related Beliefs, Concerns, and Stigmatizing Perceptions Among Adults Living With Obesity”, publicado na Obesity Science & Practice, que mapeia as crenças estigmatizantes sobre a obesidade.

Para produção do artigo, foi usada uma subanálise de uma pesquisa nacionalmente do IPEC com 2560 pessoas, que investigou as percepções sobre obesidade entre adultos residentes no Brasil. Desse total, dados de 653 pessoas com obesidade (índice de massa corporal ≥ 30 kg/m2) foram incluídas na presente análise.

Outros dados que chamam atenção são:

  • 27,5% dos pacientes atribuem a si a responsabilidade de estarem acima do peso, mostrando como a obesidade ainda é lida como uma “falha moral”.
  • 35,5% dos homens se culpam pela doença, contra 21,1% das mulheres.
  • profissionais de saúde em redes sociais (39,3%) são quase tão influentes quanto as consultas presenciais (50,3%).

Assinam o estudo as médicas Maria Augusta Bernardini, diretora médica da Merck Latam e Brasil, e Roberta Brito, líder de área terapêutica de CardioMetabolismo & Endocrinologia da Merck Brasil, além de Cynthia Valerio, presidente eleita da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), entre outros profissionais de saúde.

Diretriz contraindica tratamento farmacológico isolado para obesidade

Em meio à corrrda por canetas emagrecedoras – e dos inúmeros relatos de pessoas que sofrem com – a Abeso recomenda que o tratamento farmacológico não seja usado isoladamente, mas sempre associado a mudanças de estilo de vida, com aconselhamento nutricional e estímulo à atividade física.

A orientação faz parte de documento que reúne 32 recomendações para o cuidado com a obesidade. A nova diretriz define como principais critérios para indicação da remédios o Índice de Massa Corporal (IMC) maior ou igual a 30 kg/m² ou IMC maior ou igual a 27 kg/m² em pessoas com complicações relacionadas à adiposidade. O IMC pode ser calculado no site da associação.

Em situações específicas, o texto ainda admite considerar tratamento mesmo independentemente do IMC, quando há aumento da circunferência da cintura ou da relação cintura-altura associado a complicações.

O médico passou a lidar com um cenário terapêutico mais amplo e com decisões que exigem avaliação cada vez mais individualizada. Esta diretriz transforma esse avanço científico em orientação prática, oferecendo mais subsídio para a conduta clínica e mais segurança para o cuidado dos pacientes”, ressaltou o presidente da Abeso, Fábio Trujilho.

A nova diretriz foi elaborada por um grupo multidisciplinar formado por endocrinologistas, clínicos gerais e nutricionistas e traz as orientações organizadas por classes de recomendação e níveis de evidência.

O documento traz direcionamentos para cenários como risco cardiovascular, pré-diabetes, doença hepática gordurosa, osteoartrite, câncer, deficiência de testosterona masculina, apneia do sono, perda de massa magra e muscular, o que aproxima a recomendação científica das perguntas reais do consultório”, destacou um dos coordenadores da nova diretriz, Fernando Gerchman.

As novas diretrizes reforçam ainda os alertas sobre quando um medicamento não é indicado e chama a atenção para o uso de substâncias sem evidências robustas de eficácia e segurança demonstradas em ensaios clínicos, fórmulas magistrais e produtos manipulados para o tratamento da obesidade, incluindo formulações com diuréticos, hormônios tireoidianos, esteroides anabolizantes, implantes hormonais ou gonadotrofina coriônica humana (hCG).

A íntegra das novas diretrizes pode ser lida aqui.

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