Obesidade: 6 em cada 10 brasileiros estão com excesso de peso

Principal causa é o sedentarismo, que aumentou ainda mais durante a pandemia.

Controlar o peso regularmente é um dos cuidados que as mulheres devem ter, especialmente após a maternidade (Banco de Imagens)
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  • Dados da PNS 2019, a Pesquisa Nacional de Saúde que o IBGE realiza em parceria com o Ministério da Saúde, seis em cada dez brasileiros têm excesso de peso – 96 milhões de pessoas com IMC (Índice de Massa Corporal) indicando sobrepeso ou obesidade. Há 17 anos, esse número era mais de 50% menor. Na população adolescente, 6,7% dos jovens já têm obesidade. O problema é mais prevalente nas meninas (8%) em comparação com os meninos (5,4%).
  • Com exceção do período entre os 25 e 30 anos de idade, em todas as outras faixas etárias as mulheres têm maior prevalência do problema do que os homens: 29,5% delas têm obesidade — praticamente uma em cada três — contra 21,8 dos homens. O sobrepeso, por sua vez, foi encontrado em 62,6% delas e em 57,5% deles.

“Além das barreiras que essa população já enfrenta diariamente como a falta de acessibilidade, dificuldade em exames médicos com equipamentos inadequados e preconceito, é importante lembrar às autoridades médicas que a obesidade é uma das principais doenças associadas aos quadros mais graves de coronavírus e óbitos”, afirma Gustavo Calestini, endocrinologista e professor do curso de Medicina da Universidade Santo Amaro, a Unisa.

“Como nem todos os obesos têm comorbidades associadas, há essa dificuldade. Mas estamos num período de pandemia e os direitos dessa população precisam ser respeitados”.

  • Com a ampliação dos casos prioritários para aplicação das vacinas contra a Covid-19 e a entrada da população obesa na fila, começam a surgir relatos de pessoas que, mesmo com IMC acima de 40 – sendo este o critério para a priorização –, mas sem comorbidades como diabetes e hipertensão, vêm tendo dificuldades para conseguir se vacinar porque não conseguem os documentos que atestem sua condição e, por consequência, sua prioridade.

A obesidade é uma doença crônica, está entre os principais fatores de risco para complicações e óbitos de vítimas da COVID-19 e não pode ser comparada com cirurgias estéticas. Estes foram alguns pontos defendidos com evidências pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), em audiência pública online realizada pela Comissão Externa da Câmara dos Deputados.

“A obesidade mata. Cerca de 70% das pessoas obesas mórbidas vão morrer antes dos cinquenta anos e aquelas que chegam até a terceira idade possuem uma qualidade de vida muito ruim. E agora, além de tudo isso, descobrimos que a obesidade é fator de risco para a COVID-19. Mais de 46% dos obesos têm mais risco de adquirir COVID, 113% de chance de precisar de internação hospitalar, 74% de precisar de UTI e 64% de ser intubado”, declarou o presidente da SBCBM, Dr. Fábio Viegas.

Ele também reforçou que as cirurgias bariátrica e metabólica não podem ser comparadas com cirurgias estéticas. “O que nós queremos, como entidade, médicos e pacientes, é que a cirurgia seja vista como prioridade para pacientes de alto risco. Comparando-a com cirurgias que buscam devolver a qualidade de vida das pessoas como a oncológica e cardiovascular na retomada das cirurgias”, reforça.

Também convidado para a audiência, o membro da Câmara Técnica de Cirurgia Bariátrica e Metabólica do Conselho Federal de Medicina (CFM), Dr. Ricardo Cohen, declarou que a epidemia do século não é a COVID-19, assim como não foi a H1N1, mas sim a diabesidade, binômio utilizado para designar a mistura de diabetes e obesidade.

“Câncer e obesidade têm o mesmo tipo de comportamento. São doenças crônicas, progressivas e letais. Então, deixar portadores de obesidade e diabetes sem acesso à cirurgia é o mesmo que deixar portadores de câncer ao léu esperando seu destino”, declarou Cohen.

O convite para participar da audiência veio do coordenador da Comissão Externa de Enfrentamento à COVID-19, deputado federal Dr. Luiz Antônio Teixeira Jr. O objetivo da audiência foi debater a situação das pessoas obesas, a obesidade como fator de risco, a “gordofobia” e a realização de cirurgias bariátricas durante a pandemia do novo coronavírus.

O deputado Jorge Solla (PT/BA) e a deputada Alice Portugal (PCdoB/BA) assumiram a responsabilidade de encaminhar dois requerimentos. O primeiro para o Ministério da Saúde, voltado para a priorização da vacinação para portadores de obesidade. O segundo requerimento será encaminhado para o Ministério da Saúde, Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) e Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde) para priorização dos procedimentos cirúrgicos para tratamento da obesidade.

Fatos sobre a obesidade e COVID-19

A obesidade sabidamente é um grande fator de risco para pacientes desenvolverem COVID-19 grave com maior necessidade de internamento e de UTI. Já existem estudos apontando que há maior vulnerabilidade imunológica ao COVID-19 em pacientes portadores da obesidade, fazendo com que eles também adquirem mais facilmente a doença.

• 46% mais risco de contrair COVID-19
• 113% mais risco de precisar de internamento hospitalar
• 74% mais risco de precisar de UTI
• 66% mais risco de utilizar ventilação mecânica invasiva
• 48% mais risco de morte

Fatos sobre pacientes que se submeteram à Cirurgia Bariátrica e o Covid-19

• 72% menos internamento por COVID-19
• 78% menos mortalidade (13% de mortalidade no grupo da Obesidade x 3% em quem fez Bariátrica)
• Cirurgia Bariátrica leva a uma perda de peso substancial e sustentada, melhorando rapidamente o perfil metabólico do paciente, incluindo controle da glicemia, pressão arterial e dislipidemia.

Existem ainda evidências fortes que a cirurgia melhore o sistema imune e níveis de marcadores inflamatórios. Esses dados mostram que pacientes com Obesidade se tornam mais saudáveis após a Cirurgia Bariátrica e se tornam aptos a lutarem melhor contra a infecção causada pelo novo coronavírus. Nesse sentido, evidências sugerem que devido à natureza progressiva da obesidade e do diabetes, o adiamento da cirurgia aumenta os riscos de morbimortalidade, dependendo do tipo e da gravidade de suas comorbidades.

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