O susto foi grande, mas o bom humor de sempre acalmou os fãs. Na última quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026, a cantora Ivete Sangalo foi internada no Hospital Aliança, em Salvador, após sofrer um desmaio em sua residência. O diagnóstico: síncope vasovagal. O episódio foi desencadeado por uma desidratação severa, fruto de uma forte infecção intestinal (virose).
Mesmo com pequenos ferimentos no rosto e hematomas decorrentes da queda, a artista recebeu alta na manhã seguinte e tranquilizou o público através de suas redes sociais. O caso de Ivete, que também convive com a doença celíaca (condição autoimune que restringe o glúten), acende um alerta sobre como como quadros infecciosos simples podem levar a episódios de perda de consciência.
O que é a síncope vasovagal?
Diferentemente de uma doença cardíaca estrutural, a síncope vasovagal é considerada uma condição benigna, provocada por um reflexo inadequado do sistema nervoso autônomo. Quando o corpo enfrenta gatilhos como dor, estresse, calor extremo ou, como no caso de Ivete, desidratação e jejum, o nervo vago é superestimulado.
Essa estimulação causa uma queda brusca na frequência cardíaca e na pressão arterial, reduzindo temporariamente o fluxo de sangue para o cérebro e levando à perda temporária de consciência.. O resultado é o desmaio. Embora não ofereça risco direto de morte, o perigo reside nos acidentes secundários, como traumas cranianos ou fraturas causadas pela queda súbita.
A visibilidade de casos com figuras públicas — como Ivete Sangalo e o jogador Oscar, do São Paulo FC — ajuda a desmistificar a ideia de que apenas pessoas idosas ou com doenças graves sofrem desmaios. Mesmo indivíduos saudáveis podem apresentar respostas fisiológicas inesperadas diante de quadros de exaustão ou infecções.
Por que os casos parecem estar aumentando?
Segundo o médico cardiologista Ricardo Ferreira Silva, o aumento na percepção de problemas cardíacos e síncopes deve-se a uma combinação de fatores modernos.
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Melhoria no diagnóstico: Tecnologias como a ablação por cateter permitem identificar e tratar precocemente quadros que antes eram subnotificados.
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Estilo de vida: O estresse crônico, sedentarismo e dietas ricas em ultraprocessados estão antecipando problemas cardiovasculares para a faixa dos 20-30 anos.
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Visibilidade: Casos envolvendo figuras públicas, como o meia Oscar (São Paulo FC) e agora Ivete Sangalo, mostram que mesmo indivíduos bem condicionados não estão imunes a respostas fisiológicas extremas.
A recomendação dos especialistas é clara: o monitoramento preventivo com um cardiologista e a manutenção da hidratação e hábitos saudáveis continuam sendo as melhores defesas para o coração no mundo moderno.
FAQ: Tire suas dúvidas sobre a síncope vasovagal
1. Qual a diferença entre um desmaio comum e a síncope vasovagal?
Na verdade, a síncope vasovagal é o tipo mais comum de desmaio. O termo “síncope” é o nome médico para o desmaio (perda repentina e transitória da consciência). A característica da vasovagal é que ela ocorre por uma falha na comunicação entre o cérebro e o coração, mediada pelo nervo vago, geralmente engatilhada por fatores externos como dor, calor ou desidratação.
2. Quais são os sinais de alerta antes do desmaio?
Diferente de uma parada cardíaca, a síncope vasovagal costuma dar sinais antes de acontecer (os chamados pródromos). Os sintomas mais comuns incluem:
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Palidez e suor frio;
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Visão turva ou “escurecida”;
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Zumbido no ouvido;
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Náuseas ou tontura forte.
3. O que fazer ao sentir que vai desmaiar?
Se você sentir os sinais descritos acima, a recomendação é deitar-se imediatamente e elevar as pernas acima do nível do coração. Isso facilita o retorno do sangue ao cérebro e pode interromper o processo do desmaio. Evite tentar “lutar” contra a sensação ficando em pé, pois isso aumenta o risco de queda e traumas.
4. A síncope vasovagal tem cura?
Na maioria dos casos, ela é controlada com mudanças de hábito: aumentar a ingestão de água e sal (sob orientação médica), evitar ficar muito tempo em pé e fugir de ambientes muito quentes. Para casos graves e frequentes, como mencionado na matéria, a cardioneuroablação surge como uma técnica definitiva para modular o reflexo do nervo vago.
5. Ter síncope vasovagal significa que tenho problema no coração?
Não necessariamente. A estrutura do coração (músculo e válvulas) geralmente está perfeita. O problema é “elétrico” e funcional: uma resposta exagerada do sistema nervoso que faz a pressão cair e o coração bater mais devagar momentaneamente. Por isso, o diagnóstico exige exames como o Tilt Test para descartar outras causas.
Cardioneuroablação: a inovação brasileira no tratamento
Para pacientes que sofrem com episódios recorrentes de desmaio, a medicina brasileira tem liderado avanços significativos. O Centro Cardiológico, em São Paulo, reportou que 100% dos seus casos de síncope vasovagal em 2025 foram tratados com a cardioneuroablação.
Os pacientes podem usufruir de uma alternativa mais simples e segura, com menor tempo de recuperação”, explica o cardiologista Dr. Ricardo Ferreira, fundador do centro.
A técnica, desenvolvida pela equipe do Dr. José Carlos Pachón Mateos no HCor (Hospital do Coração), é minimamente invasiva. Realizada via veia femoral, sem cortes, utiliza radiofrequência para modular os efeitos excessivos do nervo vago no coração, impedindo que o reflexo do desmaio aconteça.





