O Brasil encerra 2025 com uma redução expressiva nos casos de dengue, mas ainda sob alerta para os meses mais quentes do ano. Segundo o painel de monitoramento do Ministério da Saúde, o país registrou 1,6 milhão de casos prováveis até novembro, contra mais de 6,5 milhões em 2024 no mesmo período, o que representa uma queda aproximada de 75%1.
Apesar do recuo, especialistas reforçam que o verão — período marcado por chuvas frequentes, altas temperaturas e maior circulação de pessoas durante as férias — mantém o risco elevado de transmissão. O comportamento sazonal reforça a importância da prevenção contínua, sobretudo às vésperas do verão, quando calor e umidade criam condições ideais para a proliferação do Aedes aegypti.
A chegada do verão marca o início do período mais crítico para a proliferação de mosquitos no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, mais de 75% dos casos de dengue registrados anualmente ocorrem entre dezembro e maio, justamente quando o país enfrenta a combinação perfeita para a expansão do Aedes aegypti: temperaturas elevadas, chuvas intensas e umidade persistente.
Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mostram que o verão 2025/26 deve registrar médias acima da normalidade em diversas regiões, especialmente no Sudeste e Centro-Oeste, além de uma temporada de chuvas mais irregular e concentrada, ou seja, condições que aumentam consideravelmente a formação de criadouros e aceleram o ciclo reprodutivo dos mosquitos.
Ao mesmo tempo, o início das férias escolares intensifica o deslocamento para praias, sítios, áreas verdes e regiões com maior presença de insetos, ampliando a exposição da população.
Por que o verão brasileiro favorece tanto os mosquitos?
De acordo com especialistas, o calor e a umidade agem diretamente no ciclo de vida do Aedes:
- Ovos e larvas se desenvolvem mais rápido em temperaturas acima de 28 °C;
- A água acumulada das chuvas contribui para criadouros em quintais, ruas e áreas públicas;
- O mosquito vive mais tempo no calor e pica com mais frequência;
- A fêmea do Aedes pode fazer até cinco ciclos reprodutivos por temporada, o que aumenta muito a quantidade de mosquitos e, consequentemente, o risco de transmissão da dengue.
Além disso, estudos do Instituto Oswaldo Cruz mostram que as mudanças climáticas têm ampliado a área de circulação do Aedes para regiões que antes registravam baixa incidência, tornando o uso de repelentes uma medida cada vez mais contínua e não apenas sazonal.
Férias, praias e viagens: exposição maior e risco dobrado
Durante dezembro e janeiro, milhões de brasileiros viajam para regiões como litoral, interior, sítios e áreas com matas, que são ambientes altamente favoráveis para mosquitos. Porém, o Ministério da Saúde reforça que o risco não está apenas em destinos tropicais: áreas urbanas também concentram criadouros, especialmente após períodos de chuvas fortes seguidos por calor intenso.
Por isso, o uso de repelente torna-se um hábito essencial não só em viagens, mas também na rotina diária, principalmente durante o dia, já que o Aedes tem pico de atividade nas primeiras horas da manhã e no fim da tarde.
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Niterói intensifica ações de prevenção
Com o aumento das chuvas e das temperaturas no verão, é importante estar atento às ações de prevenção e combate à dengue, zika, chikungunya e febre amarela. Em um balanço de fim de ano, o município de Niterói destaca uma atuação contínua, planejada e integrada, que consolida Niterói como referência no enfrentamento às arboviroses. A população também pode colaborar solicitando vistorias de possíveis focos do mosquito aedes aegypti por meio do aplicativo Colab.re, que permite contato direto entre os moradores e as secretarias municipais
Por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), a cidade intensificou vistorias, ações educativas e estratégias inovadoras como o método Wolbachia, aliando tecnologia, mobilização comunitária e resposta rápida em um período crítico, quando o calor e as chuvas favorecem a proliferação do Aedes aegypti. As ações ocorrem durante todo o ano.
O combate ao Aedes aegypti em Niterói é permanente e integrado. Nossos agentes atuam diariamente nas ruas, visitando imóveis, orientando moradores e eliminando possíveis focos do mosquito. Em dezembro, com o aumento do calor e das chuvas, reforçamos ainda mais esse trabalho. A participação da população é fundamental, tanto no cuidado com os imóveis quanto no uso de ferramentas como o aplicativo Colab.re, que nos ajudam a agir de forma mais rápida e eficiente”, explica ochefe do setor de Controle de Zoonoses, Fábio Villas Boas.
Niterói é referência no método Wolbachia
Niterói é referência nacional no enfrentamento às arboviroses. O município foi o primeiro do Brasil a alcançar 100% de cobertura territorial com o método Wolbachia, uma tecnologia inovadora desenvolvida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com financiamento do Ministério da Saúde, em parceria com os governos locais. A implantação teve início em 2015, com um projeto piloto em Jurujuba, e foi expandida por várias regiões até alcançar toda a cidade em 2023.
Para a secretária municipal de Saúde, Ilza Fellows, o reforço das ações em dezembro é fundamental para manter o controle da doença.
Niterói tem uma estratégia sólida e baseada em ciência para o enfrentamento da dengue. O método Wolbachia, aliado ao trabalho permanente dos nossos agentes e à participação da população, tem mostrado resultados concretos.”, destacou a secretária.
A Wolbachia é uma bactéria presente naturalmente em cerca de 60% dos insetos, mas ausente no aedes aegypti. Quando inserida artificialmente nos ovos do mosquito, ela reduz significativamente a capacidade de transmissão dos vírus da dengue, zika, chikungunya e febre amarela. Ao se reproduzirem com os mosquitos silvestres, os aedes aegypti passam a carregar a bactéria, tornando o método auto sustentável ao longo do tempo.
Além do método Wolbachia, o combate ao mosquito em Niterói é sustentado por uma ampla estratégia preventiva. Mais de 290 servidores da Prefeitura atuam diariamente nas ações do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), que realiza cerca de 5 mil visitas a imóveis todos os dias. Durante o mês de dezembro, esse trabalho foi reforçado.
Os resultados do conjunto dessas ações são expressivos. Entre 2007 e 2016, período anterior à implantação do método Wolbachia, Niterói registrou 43.488 casos de dengue, com média anual de 4.349 casos e incidência média de 913 por 100 mil habitantes. Já entre 2019 e 2024, com a Wolbachia estabelecida em toda área urbana, foram notificados 2.470 casos, média de 439 por ano e incidência de 91 por 100 mil habitantes. Desse total, 72,7% ocorreram em 2024, ano marcado por epidemia de dengue em todo o Brasil.
Combate à dengue no Rio de Janeiro
No Rio de Janeiro, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) realizou nesta terça-feira (30) ações de prevenção às arboviroses (dengue, zika e chikungunya) nos bairros de Madureira e Campinho, na Zona Norte, Realengo e Sepetiba, na Zona Oeste. As ações fazem parte da estratégia SVS na Rua, que visa intensificar o combate ao mosquito _Aedes aegypti_ nos meses de maior incidência das doenças causadas pelo vetor.
Este ano, até o dia 20 de dezembro, foram feitas 12.347.698 visitas a imóveis para prevenção e controle do _Aedes aegypti_ e 1.648.493 recipientes que poderiam servir de criadouros de mosquitos foram tratados ou eliminados. Em 2024, foram realizadas 11,6 milhões de vistorias em imóveis para controle e prevenção de possíveis focos do mosquito, com eliminação ou tratamento de mais de 1,8 milhão de recipientes.
A SMS também realiza ações educativas e de mobilização social para orientar a população sobre as medidas para a prevenção de arboviroses urbanas, visando despertar a responsabilidade sanitária individual e coletiva. Quando necessário, a população pode fazer pedidos de vistoria ou denunciar possíveis focos do mosquito pela Central 1746.
Números da dengue no Brasil
A distribuição demográfica revela que as mulheres representam 54% das notificações por dengue, e a maior parte dos registros se concentra entre adultos de 20 a 49 anos, faixa etária que reúne pessoas com rotinas mais ativas e maior mobilidade diária. O maior número de mortes são em adultos acima de 60 anos,
No recorte regional, Sudeste e Centro-Oeste seguem como áreas de maior atenção em 2025. São Paulo lidera tanto em volume absoluto quanto proporcional, com 898.845 casos prováveis e coeficiente de 1.955 por 100 mil habitantes, o mais alto do país.
Estados como Goiás, Paraná, Acre e Mato Grosso também apresentam índices expressivos. Em contraste, Ceará, Roraima, Maranhão, Amazonas e Rondônia figuram entre aqueles com menor incidência no período, refletindo um ano epidemiológico menos intenso nessas regiões.
A comparação mês a mês mostra que o ano começou mais crítico do que o anterior. Janeiro e fevereiro de 2025 já superavam os volumes registrados em 2024, e os picos de março e abril — ambos acima de 1 milhão de casos mensais — reforçaram um início de ano mais intenso, apesar da queda observada ao longo do segundo semestre. Entre agosto e outubro, os números se estabilizaram, mas permaneceram em patamares que exigem vigilância constante.
Com Assessorias






