A morte de Tainara Souza Santos, aos 31 anos, na véspera do Natal de 2025, marcou um ano macabro no cenário brasileiro da violência contra a mulher. Tainara teve as duas pernas amputadas após ser atropelada e arrastada pelo ex-companheiro Douglas Alves da Silva, no dia 29 de novembro. O crime repetiu um roteiro que ocorre na maioria das situações: Tainara não quis continuar a relação, mas ele não aceitou, a perseguiu e a matou.

As imagens que expõem a barbaridade do autor, que arrastou Tainara pela Marginal Tietê, uma das mais movimentadas vias da capital paulista, chocaram o Brasil.  Ele teve a prisão decretada pela Justiça no início de dezembro, quando foi capturado pela Polícia Civil. Com o óbito da vítima, a natureza do crime foi atualizada para feminicídio consumado. Se a Justiça prevalecer, ele pode cumprir 40 anos de prisão em regime fechado.

Taiana deixou dois filhos e virou um símbolo da luta contra o feminicídio no Brasil.  No país, são cerca de 1.500 casos por ano, mais de quatro por dia. Em pronunciamento à nação em rede nacional de rádio e televisão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva citou o combate ao feminicídio como uma das prioridades para 2026 e um compromisso de todos, mas especialmente dos homens, para conter os agressores.

Buscou a namorada na saída do trabalho e a matou no hotel

Casos como o de Tainara se repetem diariamente em diversas cidades brasileiras. No mesmo dia 29 de novembro, Adriano Fernandes Castro foi buscar Flávia Ferreira Dornelles na saída do emprego dela e seguiram para o hotel no bairro de Sampaio, na Zona Norte do Rio. Durante a hospedagem, o agressor, de modo brutal e covarde, espancou a vítima, causando-lhe múltiplas lesões no rosto. Em seguida, esganou a vítima até a morte.

O caso foi denunciado pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) no dia 11 de novembro. Adriano é acusado pelos crimes de feminicídio e subtração de cadáver.  A denúncia, oferecida pela 2ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada, também requereu à Justiça a prisão preventiva do acusado. O MPRJ requer ainda que, após o recebimento da denúncia, o réu seja submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri.
De acordo com o MPRJ, o crime foi motivado por sentimento de ganância do acusado, após um desentendimento sobre quem seria o verdadeiro proprietário do veículo. Na manhã seguinte, o denunciado deixou o hotel e, utilizando o mesmo carro, transportou o cadáver da vítima, abandonando-o em um rio que margeia uma avenida no bairro de Coelho Neto, também na Zona Norte.
Somente no Estado do Rio de Janeiro, o Tribunal de Justiça registrou 71.762 novos casos de violência doméstica de janeiro a novembro de 2025. As estatísticas de anos anteriores apontam que os casos tendem a aumentar durante as festas de fim de ano. Diante desse cenário, foram reforçadas estruturas de acolhimento e atendimento às vítimas para garantir serviços essenciais mesmo durante o recesso judiciário, que terminou em 6 de janeiro.  

Niterói amplia rede de suporte a mulheres em situação de vulnerabilidade

Espaço oferece atendimento multiprofissional e funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h

Na vizinha cidade de Niterói, apenas um caso de feminicídio foi registrado em 2025. Mas a Prefeitura segue atenta com as políticas públicas para acolhimento e proteção às mulheres. No apagar das luzes do ano, foi inaugurado um Núcleo de Acolhimento à Mulher (NUAM) na Policlínica Regional da Engenhoca. A iniciativa amplia a rede municipal de atendimento especializado e humanizado, oferecendo suporte qualificado a mulheres em situação de vulnerabilidade.

O prefeito Rodrigo Neves reforçou o compromisso da gestão pública com a agenda feminina e lembrou que Niterói tem uma trajetória de garantia de direitos, de incentivo e apoio ao protagonismo das mulheres.

Niterói desenvolveu um trabalho inspirador para outras cidades no que diz respeito à rede de prevenção à violência contra a mulher. Qual cidade possui uma rede estruturada de prevenção à violência contra a mulher como a de Niterói? Infelizmente, o Brasil registra hoje de quatro a cinco feminicídios por dia. Em Niterói, desde fevereiro, não tivemos nenhum caso de feminicídio ao longo de 2025. Isso é algo muito significativo. Aqui teremos um ponto de referência não só para a Engenhoca, mas para toda a Zona Norte, para que as mulheres não se calem diante da violência”, destacou Rodrigo Neves.

Como funciona o NUAM da Engenhoca?

O NUAM da Policlínica Regional da Engenhoca é o quarto núcleo de acolhimento da cidade. Os outros ficam no Plaza Shopping, no Centro; no Hospital Municipal Carlos Tortelly, no bairro de Fátima; e na Unidade Municipal de Urgência Mário Monteiro, na Região Oceânica.

O núcleo da Engenhoca funcionar de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Todas as unidades contam com uma área infantil, de forma que as mães possam entrar com seus filhos e receber o devido encaminhamento.

O espaço integra as políticas públicas voltadas à promoção da saúde, à prevenção de violências e ao fortalecimento do cuidado integral à mulher. Estruturado para garantir acolhimento com escuta sensível, o novo núcleo oferece atendimento multiprofissional e proporciona encaminhamentos adequados dentro da rede de saúde e de proteção social do município.

A secretária de Saúde, Ilza Fellows, destacou as conquistas da gestão Rodrigo Neves no apoio às mulheres e as entregas realizadas neste primeiro ano do novo mandato. “É um enorme prazer estar aqui inaugurando mais uma unidade do NUAM. Agora, todas as unidades de referência e acolhimento no primeiro atendimento passam a contar com um espaço inclusivo, preparado para abraçar a mulher em seu momento mais delicado”, reforçou.

Mulheres no poder: política de proteção o ano inteiro

Em Niterói, a rede de proteção, empoderamento e acolhimento de mulheres se estende por todos os meses do ano. Além dos equipamentos de apoio oferecidos pela Secretaria da Mulher, como o CEAM Neuza Santos, e a Sala Lilás, um espaço de acolhimento e atendimento especializado para vítimas de violência doméstica, foi criado o Programa Guardiãs Maria da Penha.

Enquanto sociedade, também assumimos o compromisso de promover a paz, agora com um olhar ainda mais específico para garantir que todas as mulheres tenham uma vida digna, livre e autônoma”, frisou a primeira-dama e gestora do Escritório de Políticas Transversais de Direitos e Cuidados, Fernanda Sixel Neves.

Por meio da atuação conjunta da Patrulha Guardiã Maria da Penha ― formada por agentes da Guarda Civil Municipal capacitados para isso ―, da Secretaria Municipal da Mulher e da Secretaria Municipal de Educação, a iniciativa trabalha a conscientização desde a infância e dissemina informações sobre a legislação de combate à violência contra a mulher.

Caminho Lilás: uma rota de proteção à mulher

Lançado em junho de 2025, o Caminho Lilás busca alcançar todas as mulheres, inclusive aquelas com acesso limitado a dispositivos tecnológicos, garantindo o direito à informação. Totens informativos foram instalados em dez locais estratégicos da cidade, contendo um guia com serviços essenciais para acolher, orientar e dar suporte às mulheres vítimas de violência.

O mapa inclui uma linha lilás conectando o totem ao equipamento mais próximo, além de um QR Code que direciona a usuária para um aplicativo ou uma página da internet. O mapa interativo informa todos os pontos de interesse e está integrado ao Google Maps, permitindo traçar rotas personalizadas.

Também há uma listagem com informações detalhadas sobre os equipamentos, indicando os tipos de atendimento oferecidos como jurídico, psicossocial, acolhimento e saúde. Estão disponíveis ainda os canais telefônicos de urgência, como o número 180 (Central de Atendimento à Mulher) e o celular (21) 97244-4033, da Patrulha Guardiã Maria da Penha da Guarda Municipal.

A vice-prefeita de Niterói, Isabel Swan, comentou sobre como políticas de apoio às mulheres são ainda mais necessárias no cenário atual. “No Brasil, a cada seis horas ocorre um feminicídio. Eu, que em breve serei mãe de uma menina, sei ainda mais da importância de protegermos nossas mulheres e meninas. Niterói protege suas mulheres. Aqui não há espaço para feminicídio nem para qualquer forma de violência contra a mulher”, afirmou a vice-prefeita.

Auxílio social de um salário mínimo a mulheres vítimas

Outra preocupação da Prefeitura é dar às mulheres a autonomia econômica para escapar do ciclo violento. Em março de 2025, o Auxílio Social ― ferramenta que permite que nenhuma mulher precise escolher entre segurança e sobrevivência ― foi reajustado para R$ 1.518,00, fortalecendo ainda mais o compromisso com a autonomia e dignidade femininas.

O Espaço Empreender Mulher, no Centro, traz opções como cursos, capacitações, sala de reunião e coworking, dispondo também de área infantil, a fim de que as mães tenham onde deixar os filhos durante as atividades. Para a secretária da Mulher, Thaiana Ivia, o comprometimento em defesa das mulheres tem sido uma marca desta gestão.

Este é o resultado de um olhar muito sensível e comprometido desta gestão, liderada pelo prefeito Rodrigo Neves, pela secretária Ilza, pela primeira-dama e por todo esse time que trabalha em defesa das mulheres da nossa cidade.”, disse ela.

O que fazer em caso de violência doméstica?

Em caso de urgência, a vítima deve ligar para a Polícia Militar pelo número 190, para que uma viatura vá até o local, ou para a Central de Atendimento à Mulher pelo telefone 180. Esses serviços funcionam 24 horaspor dia. A mulher também pode fazer o registro de ocorrência nas Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher (Deams) ou na Polícia Civil pelo número 197 ou on-line.

O Observatório de Violência contra a Mulher da Justiça do Rio destaca que a medida protetiva deve ser solicitada quando a vítima for agredida fisicamente, ameaçada ou obrigada a manter relação sexual contra a sua vontade. E ainda se teve seu dinheiro, cartão de banco ou celular tomados pelo agressor ou se ele teve outras atitudes que sejam consideradas violentas.

Para a coordenadora Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Coem), desembargadora Adriana Ramos de Mello, a atuação do TJRJ durante as festas de fim de ano reforça a importância do combate contínuo à violência.

Toda mulher tem direito a atendimento imediato e humanizado. A violência doméstica não é problema privado; é questão de direitos humanos e de responsabilidade social. Durante o recesso, o TJRJ funciona em regime de plantão, conforme diretrizes da Administração Superior. Embora haja redução da equipe, os serviços de acolhimento permanecem em funcionamento em busca de uma resposta rápida às situações urgentes”, afirmou.

Entre os serviços disponibilizados pelo TJRJ, estão:

Aplicativo Maria da Penha Virtual, que permite a solicitação de medidas protetivas de urgência por celular de forma ágil e segura por meio de um formulário, sem precisar ir até uma delegacia (acesse aqui);

Central Judiciária de Abrigamento Provisório (Cejuvida), que acolhe as vítimas e, se necessário, as encaminha para abrigos sigilosos;

– Projeto Violeta, que promove a garantia da segurança e da proteção às mulheres que estão com a integridade física e a vida em risco.

Serviços de atendimento à mulher em Niterói

NUAM

Plaza Shopping (G4) – seg. a sáb., 12h às 18h

Unidade Mário Monteiro – todos os dias, 9h às 19h

Hospital Carlos Tortelly – todos os dias, 24h

Policlínica Comunitária da Engenhoca – Policlínica Regional Dr. Renato Silva – de segunda a sexta 08h às 17

SALA LILÁS

Todos os dias – 24h

Espaço Empreender e CEAM 

Todos os dias, das 9 às 18 horas

Com Assessorias

 

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