O dicionário Oxford informa que gratidão é o reconhecimento de uma pessoa por alguém que lhe prestou um benefício, um auxílio, um favor, como uma forma de agradecimento. Antes celebrada em tradições filosóficas e religiosas, a gratidão tem ganhado maior atenção na neuropsicologia por seu profundo impacto na saúde mental.
Em 6 de janeiro é celebrado o Dia da Gratidão. O ato parece simples demais para justificar tanta atenção científica. No entanto, quando observamos seus efeitos no cérebro, percebemos que ela está longe de ser apenas um gesto simbólico. A prática da gratidão é considerada ferramenta poderosa pela neurociência, devido à sua capacidade de engajar e transformar várias funções e processos cerebrais.
A literatura dos últimos anos mostra que a gratidão é uma das práticas psicológicas mais consistentes para promover regulação emocional, estabilidade mental e bem-estar sustentado. Direcionar a atenção para experiências positivas, mesmo que discretas, modifica circuitos neurais envolvidos em percepção de valor, motivação e conexão social”, diz a neurocientista Daiana Petry.
Os efeitos da gratidão no cérebro
Embora historicamente vinculada a tradições filosóficas e religiosas – como o Dia de Reis (6 de janeiro) – a gratidão passou a ser investigada pela neurociência com métodos modernos, como a ressonância magnética funcional (fMRI).
Esses estudos revelam que a experiência da gratidão recruta redes cerebrais específicas. “Entre as regiões mais frequentemente ativadas está o córtex pré-frontal medial, responsável por processos como avaliação moral, percepção de significado e construção da identidade”, diz Daiana Petry.
Outra área-chave é o córtex cingulado anterior, que participa do monitoramento de conflitos internos e da regulação emocional. “Essa combinação sugere que a gratidão não se limita a uma resposta emocional agradável, mas envolve reconhecimento de vínculos e interpretação social, componentes importantes para a saúde mental“, completa a neurocientista.
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Segundo ela, os efeitos não são apenas momentâneos. Ensaios longitudinais mostram que práticas regulares, como escrever listas ou cartas de gratidão, continuam produzindo redução de estresse, ansiedade e sensação de isolamento semanas após o exercício.
Esses resultados se alinham ao que observamos bioquimicamente: a gratidão estimula a liberação de dopamina e serotonina, neurotransmissores associados à motivação e equilíbrio emocional, ao mesmo tempo em que reduz a ativação da amígdala e a produção de cortisol, hormônio relacionado ao estresse crônico.
A psicóloga Aparecida Tavares, que atende em Goiânia, explica que a gratidão gera conexões neurais e dopaminérgicas que produzem a sensação de prazer e bem estar ao indivíduo.
Gratidão não é só uma emoção, ela mexe com o nosso organismo, com o nosso cérebro. Ela vai ativar o córtex pré-frontal, o estriado ventral e a amígdala, quando ela ativa esses circuitos neuronais ela os fortalece e reduz o estresse”, pontua.
Para Daiana, é importante notar o contraste: estados como preocupação, medo e autocrítica tendem a hiperativar sistemas de vigilância neural. A gratidão, por sua vez, ativa um circuito antagônico, fortalecendo regiões do córtex pré-frontal envolvidas em tomada de decisão, controle inibitório e organização cognitiva.
Com a prática repetida, o cérebro passa a interpretar experiências com mais flexibilidade e menos reatividade, um exemplo concreto de neuroplasticidade aplicada ao cotidiano”, explica a neurocientista
Segundo ela, mais do que alterar o ambiente externo, a gratidão modifica a forma como o cérebro interpreta e responde ao mundo. Em um contexto cotidiano marcado por excesso de estímulos, comparações constantes e instabilidade, cultivar a gratidão e utilizar ferramentas sensoriais que favorecem estados de regulação emocional pode ser uma das estratégias mais acessíveis e sustentáveis para promover saúde mental de longo prazo.
Como o olfato potencializa estados como a gratidão
Para a neurociência, o olfato ocupa um lugar particular. Diferentemente de outros sentidos, a informação olfativa alcança diretamente estruturas límbicas, como a amígdala, o hipocampo, cingulado anterior e regiões do córtex pré-frontal, sem passar pelos filtros do tálamo. Isso confere aos aromas a capacidade de modular, em poucos segundos, estados emocionais, níveis de atenção e padrões autonômicos.
Pesquisas utilizando EEG e outros marcadores psicofisiológicos indicam que odores naturais como lavanda, sândalo e limão podem alterar padrões de ondas cerebrais relacionados a alerta, relaxamento e foco cognitivo. Essas mudanças ocorrem nas mesmas redes que participam dos processos envolvidos na gratidão, como regulação emocional, percepção de valor e integração sensório-afetiva.
Em termos práticos, a aromaterapia não “produz” gratidão. Mas ela pode facilitar o estado interno necessário para que práticas de gratidão sejam mais acessíveis: maior presença, redução da hiper-reatividade emocional, sensação de segurança e abertura para reconhecer aspectos positivos já presentes na experiência”, fala a aromaterapeuta Daiana Petry.
‘Gratiluz’: o que significa e como exercitar
Muitas pessoas, especialmente nas redes sociais, passaram a usar a expressão ‘gratiluz’, uma junção de gratidão e luz. A especialista comenta que isso é uma forma de iluminar e ser iluminado na troca genuína de bons sentimentos, de esperança e fé na humanidade que há em nós.
Conecte-se com essa luz interior e com as luzes que te rodeiam na natureza, no próximo, naquilo que você faz com esmero. Ilumine e se permita ser iluminado!”, orienta.
Para praticar a gratidão no dia a dia, Aparecida Tavares destaca que é necessário viver a própria existência com amor e propósito, ser grato por tudo que foi vivido, pelos desafios e pelas honrosas conquistas.
Presentifique atos de gratidão e ao olhar no retrovisor de sua história seja grato, ressignificado e resiliente, pois tudo aqui é aprendizado e tem por objetivo nos tornar cada vez melhores e iluminados”, ressalta. “Devemos entrar em contato com o nosso ambiente interno e externo, valorizar cada momento, dando a si a oportunidade não só de um estado de gratidão, mas de uma vivência grata”, completa.
Com Assessorias






