O menino que não sabia falar agora ‘escreve’ até livro

Autista moderado e com apraxia de fala grave, que aprendeu a falar aos 6 anos de idade, Isaque narra em livro a história de um personagem real

Dia Mundial do Autismo é lembrado com piquenique em Macaé (Foto Ana Chaffin / Divulgação)
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Isaque, de 7 anos, é autor de “O homem que gostava de cantar” (Foto: Divulgação)

“O homem que gostava de cantar”. A frase – que dá título ao livro – conta a história de superação do pequeno Isaque Cardinale Serafim, de 7 anos, que, em 2018, falou pela primeira vez, aos 6. A conquista inspirou o livro, lançado pelo projeto Estante Mágica,  e, neste Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo (2 de abril), nos inspira a refletir sobre as muitas possibilidades que envolvem esta condição que desafia pais, responsáveis e educadores.

Autista moderado e com apraxia de fala grave, Isaque narra a história do personagem real Anderson Freire (bem-sucedido intérprete e compositor da música cristã “A igreja vem”, a preferida de Isaque), que costumava cantar para Jesus. Repentinamente, a voz de Anderson some, o que o deixa muito triste e abalado. Mas, depois de muitas orações, um milagre acontece e ele recupera completamente a voz, “permanecendo feliz para sempre”.

Para a mãe do aluno, Tatiana Cardinale, o projeto foi transformador na vida do filho.

Ver meu filho expressar suas preferências e gostos no livro foi magnífico. Sempre choro quando penso que meu pequeno – por milagre e trabalho contínuo de excelentes profissionais -, conseguiu falar pela primeira vez em maio de 2018. Já me sinto agraciada demais por ouvi-lo falar o tão aguardado “mamãe”. Mas ainda fechamos o ano com uma nova e extraordinária conquista”.

 

Amiga de classe fez livro em homenagem a Isaque 

Apesar de a fala ter acontecido apenas aos 6 anos, Isaque, hoje com 7, sempre foi um amante da leitura: “Ele sempre gostou de ler. Possivelmente, já leu mais de 200 livros. Todo o processo da criação da obra pelo projeto Estante Mágica foi acompanhado pela professora Thais Batista. Recebia os feedbacks da professora de que ele estava progredindo e que o tema era sobre Anderson Freire, seu cantor preferido”, relata a mãe.

Tatiana se emociona também ao lembrar da homenagem que Isaque recebeu da amiga de classe, Luiza Jesus Couto. A aluna escreveu o livro “O menino mais legal do mundo”, uma história sobre bullying.

Meu filho era resistente para escrever. Com o projeto Estante Mágica, Isaque desenvolveu mais o interesse por “escrever”, apesar de não ter uma letra ainda adequada, e melhorou muito sua disposição pela escrita. Quando a amiga escreveu sobre bullying em homenagem a ele, foi a cereja do bolo, porque aquilo levou, possivelmente, as próprias crianças a encararem de forma diferente a questão do autista”.

E mostrando ainda como cada um dos amigos  pode tornar essa caminhada mais leve, apenas amando o amigo em suas particularidades e  diferenças. “Aquela turma é um conjunto de  anjos que, com suas asas, ajudam meu filho a alçar voos mais altos”, conta Tatiana.

Hospital muda a fachada para celebrar a data

Em comemoração ao Dia Mundial de Conscientização do Autismo, psicólogas do Centro de Apoio ao Familiar (CAF) – Rua Adolfo Mota, 81, na Tijuca -, do Grupo Prontobaby, estarão durante todo o dia disponíveis para tirar dúvidas sobre a doença gratuitamente. A ação, além de ter a fachada do hospital na cor azul, símbolo da campanha,  contará com a distribuição de bolas personalizadas e recreação com os palhaços para os pequenos pacientes.

A data foi criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) com intuito de alertar à população sobre o transtorno no desenvolvimento do cérebro, que afeta certa de 70 milhões de pessoas em todo o mundo, ajudando a derrubar preconceitos e esclarecendo a todos.

Autismo pertence a um grupo de transtornos do desenvolvimento cerebral, conhecido por Transtorno de Espectro Autista – TEA. É uma síndrome normalmente definida por alterações presentes, muitas vezes, de forma precoce e que se caracteriza por desvios qualitativos na comunicação, no uso da imaginação e na interação social. Como não tem cura, o tratamento deve ser multidisciplinar com o intuito de gerar autonomia no individuo a realizar tarefas diárias sozinho. O diagnóstico do autismo é clínico, ou seja, é realizado por meio da observação direta do comportamento da criança, além de uma entrevista com os pais ou os responsáveis.

“Normalmente, são os pais que notam os primeiros sintomas, que costumam estar presentes logo nos primeiros 3 anos de vida da criança. Para compreender cada particularidade de cada indivíduo com autismo, são necessários estudos e parcerias que unam escola, família e profissionais adequados. Um dos principais fatores para a socialização e o ensino para as pessoas é a conscientização. É preciso que a sociedade converse sobre o assunto, troque experiências, com o intuito de desmistificar, com apoio e ajuda no desenvolvimento destes indivíduos”, desta Nathália Jereissati, psicóloga e coordenadora do Centro de Apoio ao Familiar do Hospital Prontobaby.

Alguns sintomas do Autismo são fobias, dificuldades de aprendizagem e relacionamento e agressividade, embora seja único para cada pessoa, com vários níveis diferentes.

Piquenique marca Dia Mundial do Autismo

A cozinheira Elisabete dos Santos, 41 anos, afirma que sabe bem a importância do seu filho Vitor Hugo, 11 anos, conviver em grupo. Nesta terça-feira (2), eles, outras mães e crianças participaram das atividades do Dia Mundial da Conscientização do Autismo. O evento, promovido pelo Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil Oficina da Vida (Capsi), reuniu os pacientes durante um piquenique, na Praia de Imbetiba, em Macaé (RJ).
Ele não queria vir, pois tem dificuldade de se socializar com as pessoas, mas chegando aqui se conscientizou de como é fundamental se integrar”, frisou a mãe.
Vitor acrescentou que gostou dos amigos, lanches e animais marinhos. Mas essa convivência não foi sempre assim. Elisabete conta que o filho frequenta o Capsi há dois anos e, desde então, só evolui.
A coordenadora do Capsi, Yasmin Morinigo, destacou que a iniciativa, além de promover a conscientização, compartilha experiência fora do espaço interno. “Continuamos na luta. Essa atividade busca demonstrar que todos têm direito a ocupar os espaços, além de ser uma oportunidade para falarmos de inclusão e preconceitos contra aqueles que sofrem com deficiência psíquica, emocional e psicológica “, disse a coordenadora.
O Capsi Oficina da Vida atende cerca de 200 crianças e adolescentes, por meio de trabalho de equipe multidisciplinar. Esta é constituída por psicólogos, psiquiatra, assistente social, fonoaudiólogos, terapeuta ocupacional, musicoterapeuta, fisioterapeuta, enfermeiro e técnico de enfermagem. O espaço trata de autismo, psicose, neuroses graves e vulnerabilidade social do público infanto-juvenil.

Dia Mundial de Conscientização do Autismo

A data, estabelecida em 2007, tem por objetivo difundir informações para a população sobre o autismo e assim reduzir a discriminação e o preconceito que cercam as pessoas afetadas por esta síndrome neuropsiquiátrica.
Os transtornos do espectro autista (TEA), como o próprio nome sinaliza, englobam uma série de diferentes apresentações do quadro, que têm em comum: maior ou menor limitação na comunicação, seja linguagem verbal e/ ou não verbal; na interação social; comportamentos caracteristicamente estereotipados, repetitivos e com gama restrita de interesses.
No Brasil, o Dia Mundial do Autismo é celebrado com palestras e eventos públicos, com o objetivo de conscientizar e informar às pessoas sobre o que é o Autismo e como lidar com esses pacientes.
Da Redação, com Assessorias
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