A vacina nonavalente Gardasil 9, que oferece proteção ampliada contra nove tipos do papilomavírus humano (HPV), deu um passo importante na saúde pública brasileira. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou recentemente novas indicações terapêuticas para o imunizante, incluindo a prevenção de cânceres de orofaringe e de cabeça e pescoço, lesões pré-cancerosas, verrugas genitais e infecções persistentes causadas pelo HPV.
A decisão reforça o papel da vacinação como uma barreira robusta contra diversos tipos de tumores que afetam tanto homens quanto mulheres. Até então, a vacina era indicada para prevenção do câncer do colo do útero – que tem o HPV como a principal causa – e também para os cânceres da vulva, da vagina e do ânus.
No entanto, o acesso a essa tecnologia ainda esbarra no fator econômico: a vacina nonavalente, que chegou ao Brasil em maio de 2023, só está disponível em clínicas particulares. Na rede Saúde Livre Vacinas, por exemplo, quem precisa do esquema de três doses – casos de pessoas com baixa imunidade por diversas condições – precisa desembolsar mais de R$ 2.600.
Ampliação da proteção e eficácia comprovada
Diferente da vacina quadrivalente oferecida gratuitamente pelo SUS — que protege contra quatro tipos de HPV (6, 11, 16 e 18) —, a Gardasil 9 protege contra nove subtipos (os quatro anteriores e mais 31, 33, 45, 52 e 58). Na prática, isso significa elevar a proteção contra o câncer de colo do útero de 70% para 90%.
De acordo com a MSD Brasil, indústria farmacêutica que detém a patente da vacina – a nova indicação da Anvisa para tumores de orofaringe e cabeça e pescoço baseia-se em estudos que demonstram uma resposta imunológica robusta contra os tipos virais oncogênicos.
A fabricante da Gardasil 9 cita estudos internacionais de vida real evidenciam perfil de efetividade e segurança da vacinação contra o HPV na prevenção a esses tipos de câncer. Um desses estudos foi realizado no Brasil e analisou a prevalência do HPV em mais de cinco mil mulheres e homens de 16 a 25 anos de todas as capitais do país.
Entre as mulheres analisadas no estudo, a prevalência da infecção oral pelo HPV foi significativamente menor entre aquelas que foram vacinadas contra a IST (0,43%) em relação às que não receberam a vacina (1,65%). Entre os homens, não houve diferenças significativas.
Como não existem exames de rotina estabelecidos para certos cânceres relacionados ao HPV, com exceção do colo do útero, a vacinação ganha relevância extrema”, destaca Márcia Datz Abadi, diretora médica da MSD Brasil.
O desafio do acesso na rede privada
Para Fábio Argenta, sócio-fundador e diretor médico da Saúde Livre Vacinas, a novidade é um passo importante para a saúde preventiva. Ele ressalta que o imunizante é eficaz inclusive para quem já teve contato com o vírus. “Quem foi infectado por um subtipo ainda pode se proteger contra outros ao se vacinar”, explica o médico.
Ele cita estudos da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologistas e Obstetras), indicando que a vacina pode reduzir em até 80% as chances de retorno da infecção em pessoas que já tiveram lesões causadas pelo HPV. Apesar do entusiasmo da comunidade médica, o custo é o principal impeditivo. Na rede Saúde Livre Vacinas, os valores da Gardasil 9 são segmentados da seguinte forma:
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1ª dose: R$ 940
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Duas doses: R$ 1.786
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Três doses: R$ 2.679
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Quem pode se vacinar e qual o esquema de doses?
A Gardasil 9 é recomendada para crianças, homens e mulheres de 9 a 45 anos. A orientação da Anvisa é que a imunização ocorra preferencialmente antes do início da vida sexual, embora pessoas já ativas sexualmente também se beneficiem.
O esquema vacinal varia conforme a idade:
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Dos 9 aos 14 anos: Duas doses (com intervalo de 6 meses).
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A partir dos 15 anos: Três doses (esquema 0-2-6 meses).
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Imunodeprimidos: Independentemente da idade, o esquema indicado é de três doses a partir dos 9 anos.
Quem já completou o esquema com a vacina tetravalente (disponível no SUS) pode tomar a nonavalente para ampliar a proteção. A recomendação da médica Marcela Rodrigues, diretora da Salus Imunizações, é respeitar o intervalo de 12 meses após a última dose da vacina anterior para iniciar o esquema com a Gardasil 9.
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Vale lembrar que o HPV é responsável por quase 100% dos casos de câncer de colo de útero e por uma parcela significativa de tumores anais, de pênis e de garganta. A prevenção primária via vacinação continua sendo a estratégia mais eficaz para o Brasil alcançar a meta global da Organização Mundial de Saúde (OMS) de erradicar essas doenças até 2030.
É fundamental destacar que a proteção contra o HPV não é exclusiva da rede paga. A vacina quadrivalente está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) para meninas e meninos de 9 a 14 anos. O Ministério da Saúde também promove o resgate vacinal de adolescentes e jovens dos 15 aos 19 anos que ainda não receberam o imunizante, que agora é aplicado em dose única.
Já a vacina nonavalente pode ser aplicada também no SUS em pessoas de 9 a 45 anos em condições de imunossupressão (baixa imunidade), como pessoas que vivem com HIV/aids, transplantados de órgãos sólidos ou medula óssea e pacientes em tratamento contra o câncer. Nesses casos, é necessário apresentar receita médica. Outras exceções abrangem pessoas dos 15 aos 45 anos vítimas de violência sexual, mesmo que previamente saudáveis.
Fontes oficiais:

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