Uma pesquisa recente do Instituto Locomotiva revela uma face sombria da maior festa popular do Brasil: o medo e a violência de gênero. Segundo o levantamento, 80% das mulheres brasileiras têm medo de sofrer assédio no Carnaval, enquanto quase metade delas (47%) afirma já ter sido vítima de algum tipo de abuso durante as festividades.

Os dados indicam que o assédio não é apenas um incidente isolado, mas uma barreira ao direito de lazer e ocupação dos espaços públicos. Para muitas foliãs, a diversão dá lugar a estratégias de autodefesa, como evitar certos horários, planejar rotas específicas e nunca andar sozinha.

Percepções distorcidas alimentam a violência

O estudo, que ouviu 1.503 pessoas em todo o país, expõe uma desconexão preocupante entre os gêneros. A concordância com frases que justificam o assédio é sistematicamente maior entre os homens:

  • 22% dos brasileiros acreditam que quem pula Carnaval sozinho “quer ficar com alguém” (28% entre homens vs. 16% entre mulheres);

  • 18% associam a roupa da mulher à intenção de beijar;

  • 12% dos homens acham aceitável “roubar” um beijo de uma mulher alcoolizada.

Maíra Saruê, diretora de pesquisa do Instituto Locomotiva, reforça que o combate a esses comportamentos deve ser uma responsabilidade coletiva. “Precisamos mudar o comportamento de todo mundo para que as mulheres sejam encaradas de outra forma”, afirma.

Campanha “Se liga ou eu ligo 180” ganha adesão nacional

Para enfrentar essa realidade, o Ministério das Mulheres mobilizou secretarias estaduais em 18 estados para a campanha “Se liga ou eu ligo 180”. A iniciativa visa conscientizar a sociedade de que qualquer toque ou abordagem sem consentimento é crime, independentemente do figurino ou do consumo de álcool.

A ação inclui a distribuição de materiais informativos, instalação de pontos de apoio em grandes blocos e o envio de mensagens SMS para foliãs em capitais com grandes fluxos, como Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador.

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OAB-RJ terá plantão 24h para orientar vítimas

No Rio de Janeiro, a seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) reforçou o atendimento jurídico durante os dias de folia. Através da campanha “Respeito é Lei”, equipes de plantão orientam vítimas de violência contra a mulher, LGBTIfobia e intolerância religiosa ou racial.

Os atendimentos serão realizados via WhatsApp, facilitando o acesso rápido à informação:

  • Ouvidoria da Mulher: (21) 99753-9037 (de sábado, 14, até terça-feira, 17).

  • Diretoria de Defesa da Diversidade: Foco em casos de LGBTIfobia e crimes de intolerância (de sábado, 14, até quarta de cinzas, 18).

Além disso, o programa Rio Sem LGBTIfobia também funcionará 24 horas para receber denúncias de discriminação, garantindo que o direito ao lazer seja respeitado para todos os públicos.

Canais de denúncia e emergência

A Lei nº 13.718/2018 tipifica a importunação sexual como crime, com pena de um a cinco anos de reclusão. Se você presenciar ou for vítima de qualquer forma de violência, utilize os seguintes canais:

Serviço Canal Finalidade
Ligue 180 Telefone ou WhatsApp (61) 9610-0180 Orientação e registro de denúncias de violência contra a mulher.
Polícia Militar 190 Emergências e situações de risco imediato (agressão ou ameaça).
OAB-RJ (21) 99753-9037 Orientação jurídica e acolhimento especializado durante o Carnaval.
DEAMs Presencial Delegacias especializadas para registro de ocorrências e medidas protetivas.

Com informações da Agência Brasil

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