Falta de ar, tosse, um chiado no peito que chega a incomodar e uma agonia em não sentir o oxigênio entrando pelas vias respiratórias, sintomas comuns da Asma. A doença é considerada crônica e atinge quase 300 milhões de pessoas em todo o mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

No Brasil, 6,4 milhões de brasileiros com mais de 18 anos de idade convivem com a asma, e somando com crianças e adolescentes as estatísticas aumentam para 20 milhões, segundo dados do Ministério da Saúde. De acordo com o órgão, aproximadamente 20% da população asmática brasileira enfrenta a patologia de forma grave e 5% dos casos está sem controle.

asma é a quarta maior causa de hospitalização no país com cerca de 300 mil internações por ano. Em 2015, mais de 383 mil pessoas morreram da doença, quase três mortes por dia, a maioria com idade avançada. Por isso, é fundamental fazer acompanhamento com especialista para manter controle sobre a falta de ar e utilizar medicação correta. 

Especialistas explicam que a asma é uma inflamação crônica das vias aéreas, que provoca estreitamento dos canais de respiração, causando sintomas como tosse e dificuldade de respirar. Estudos relacionam crises de asma a ansiedade e estresse, o que dificulta o controle da doença. Exercícios aeróbicos podem ajudar a prevenir crises.

A doença pode ser de difícil diagnóstico e perdurar a vida toda, mas a boa notícia é que já existem tratamentos inovadores, que vão além da popular bombinha. “Nos últimos anos começaram a surgir os chamados anticorpos monoclonais e imunobiológicos, uma classe de medicamentos que age diretamente na causa da doença”, explica o otorrinolaringologista do Hospital Cema, Pedro Vieira.

O pneumologista Daniel Boczar, do Hospital Anchieta, afirma que a asma está ligada a fatores genéticos e ambientais, sendo uma doença passível de tratamento, mas ainda sem cura definida.

A asma refere-se a um termo mais amplo de acometimento de toda a via aérea com sintomas persistentes, enquanto a bronquite é apenas uma inflamação localizada dos brônquios, geralmente causada por vírus e bactérias com duração limitada”, esclarece.

Existem pacientes que iniciam com sintomas de asma apenas na vida adulta, após a prática de atividades físicas – chamada de asma induzida por exercício – ou durante a gestação, conhecida como asma gestacional. “Em qualquer uma destas situações, a consulta e o acompanhamento com o pneumologista são fundamentais”, comenta.

Abaixo, ele tira as dúvidas mais comuns sobre a doença:

asma é uma doença crônica. O que geralmente provoca a crise? Pode ter relação emocional?   

Principalmente a exposição a elementos irritantes como fumaça de cigarro, poluição, poeira, ar frio, além dos quadros infecciosos predominantes no inverno como viroses, sinusites e pneumonias. Existem estudos afirmando que a asma pode ser agravada por questões psicológicas, como a ansiedade e estresse, o que torna o controle da doença uma tarefa mais difícil.

O fator genético pode estar relacionado ao surgimento da asma. É possível afirmar que seja hereditária?

Sim, observamos que quando os pais possuem histórico de doenças alérgicas, como a rinite e a asma, existe uma tendência hereditária. Mas, apesar de ser comum o ocorrência de asma entre pais e filhos, não há como definir a probabilidade da doença continuar na família.

É possível ficar anos sem ter uma crise e ela voltar de repente? 

Como característica de uma doença crônica a asma pode persistir por um longo período. Os sintomas se iniciam logo na infância, embora a ocorrência tardia tenha sido frequente. Uma pessoa asmática pode sim permanecer por longos períodos assintomática, principalmente quando as medidas de controle do ambiente em que se vive são adotadas. Entretanto, a exposição a irritantes ou infecções podem desencadear crise ou retorno persistente dos sintomas.

Quanto às atividades físicas, existe alguma restrição para os asmáticos?           

A atividade física serve para melhorar o condicionamento cardiorrespiratório do asmático, levando a um aumento da tolerância ao esforço, fortalecimento da musculatura acessória do tórax e consequentemente a ventilação. Deste modo não há restrições às atividades habituais em pessoas com asma controlada. Pacientes com asma não controlada não vão obter benefícios e por vezes não conseguirão executar exercícios físicos.  

Quais os tratamentos? Dá pra viver sem utilizar a tradicional bombinha?          

O tratamento da asma envolve o controle do ambiente em que o indivíduo vive, além do uso de medicamentos. Existe uma nítida piora com a exposição a uma série de fatores como o tabaco, poeiras domiciliares (ácaros e fungos), infecções, ar frio, exposição ocupacional e alguns medicamentos. O controle destes fatores, associado a medidas educacionais, são medidas importantes no tratamento.

O tratamento medicamentoso é baseado nos dispositivos inalados, as bombinhas. Existem os medicamentos que controlam a doença e medicamentos que aliviam os sintomas da doença utilizados nas crises. É importante que o médico e o paciente saibam reconhecer que os medicamentos e utilizá-los da forma correta.

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Como prevenir uma crise de asma

É fundamental a higiene ambiental para a prevenção das crises. Deve-se evitar tudo que acumula poeira como tapetes, carpetes, cortinas, deixar os ambientes arejados com bastante iluminação natural e prevenção de infecções respiratórias (com destaque para a importância da vacina contra a gripe). Veja outros cuidados, segundo Daniel Boczar, do Hospital Anchieta.

– Fazer acompanhamento regular com médico especialista;

– Evitar ambientes fechados, com pouca ventilação e sem luz do sol;

– Arejar a casa para não acumular poeira e evitar mofo;

– Reforçar a limpeza da casa, inclusive se tiver animais porque os pelos são um fator para crises;

– Lavar com frequência as roupas de cama, sempre as trocando para não acumular ácaros, assim como os travesseiros;

– Evitar exposição à fumaça de cigarro, poluição, poeira, frio e outros fatores desencadeadores de crises;

– Praticar exercícios físicos regularmente e de forma controlada.

Fonte: Hospital Anchieta e Hospital Cema

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