O Carnaval de 2026 começa com um aviso fúnebre para os foliões de todo o Brasil. A confirmação da 12ª morte por intoxicação por metanol no estado de São Paulo — um jovem de 26 anos, morador de Mauá — reacende uma crise que muitos acreditavam estar controlada. O caso, confirmado nesta quarta-feira (4), eleva para 17 o número total de óbitos no país em decorrência do consumo de álcool clandestino desde o início do surto, em setembro do ano passado;

Com a chegada dos blocos de rua e das festas populares, o risco de exposição a bebidas adulteradas cresce exponencialmente. O metanol, um álcool industrial altamente tóxico, tem sido utilizado por criminosos para baratear custos de destilados falsificados, transformando o brinde de Carnaval em uma armadilha que pode causar cegueira definitiva ou morte em poucas horas.

Esta nova onda de casos ocorre pouco tempo após o Ministério da Saúde ter desmobilizado a sala de situação que monitorava o problema no final de 2025. O retorno das mortes às vésperas da maior festa popular do país indica que o mercado clandestino continua ativo e perigoso.

O rastro da crise: vítimas de todas as idades

Os dados oficiais da Secretaria de Saúde de São Paulo revelam que a intoxicação não escolhe perfil, atingindo desde jovens de 23 anos até idosos de 62. Atualmente, o estado registra 52 casos confirmados e ainda investiga mortes em cidades como Guariba, São José dos Campos e Cajamar.

Embora São Paulo seja o estado mais atingido, a crise do metanol é um problema nacional que já espalhou notificações por todas as regiões. O cenário atual apresenta o seguinte panorama de casos confirmados e óbitos:

Estado Casos Confirmados Óbitos Confirmados
São Paulo 52 12
Pernambuco 8 3
Paraná 6 3
Mato Grosso 2 1
Rio Grande do Sul 1 0
Bahia 2 1
TOTAL BRASIL 71 17

Além dos números confirmados, o Ministério da Saúde e as secretarias estaduais monitoram dezenas de casos suspeitos, incluindo os sete novos internados em Ribeira do Pombal, na Bahia, e quatro mortes sob investigação em cidades do interior paulista como Guariba e São José dos Campos.

Vida sem Álcool: a importância da procedência

Dentro da nossa série especial Vida sem Álcool, o portal Vida e Ação tem reiterado que a segurança no consumo é inegociável. No Carnaval, a vulnerabilidade aumenta devido à venda informal por ambulantes. Em praias como Ipanema, no Rio de Janeiro, ou nos circuitos de Salvador, o “drink pronto” ou a dose barata servida em copos de 500ml podem esconder substâncias proibidas.

É fundamental que o folião evite misturas de procedência desconhecida. O metanol não altera o sabor ou o cheiro da bebida, o que torna a identificação sensorial impossível. A única proteção real é o conhecimento da origem do produto.

Leia também no Vida e Ação:

Guia de sobrevivência: como não ser uma vítima

Para garantir que a folia não termine em tragédia, siga estas diretrizes de segurança:

  • Examine o lacre: Nunca aceite garrafas cujos lacres pareçam ter sido violados, colados ou que estejam frouxos.

  • Atenção ao rótulo: Bebidas legítimas possuem rótulos com impressão nítida, selo do IPI e o registro no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).

  • Fuja de preços milagrosos: Se uma dose de destilado premium está sendo vendida por um valor muito abaixo do mercado, desconfie imediatamente.

Sintomas e socorro imediato

Diferente da ressaca comum, a intoxicação por metanol evolui com sintomas graves que surgem horas após o consumo:

  • Visão “nevada”: O sintoma mais clássico é a perda da nitidez visual ou flashes de luz.

  • Dores agudas: Fortes dores abdominais e de cabeça.

  • Confusão e falta de ar: Sinais de que o organismo está entrando em colapso.

O que fazer?

Ao sentir qualquer um desses sinais, procure o pronto-socorro mais próximo imediatamente. Informe que consumiu bebida de origem desconhecida para que o protocolo de antídoto possa ser iniciado rapidamente.

O Vida e Ação reforça o alerta: a diversão não pode custar a sua vida. Beba com responsabilidade ou, melhor ainda, escolha celebrar sem álcool.

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