
Mais dois casos acendem alerta para protocolo de segurança
- Smart Fit do Guará II (Distrito Federal): Em fevereiro de 2025, um homem de 46 anos (inicialmente confundido em alguns relatos preliminares como sendo uma mulher) faleceu na unidade da QE 26 do Guará II. Ele sofreu uma parada cardiorrespiratória durante o treino, caiu e bateu a cabeça violentamente em um dos aparelhos. Ele recebeu os primeiros socorros de uma aluna e de professores da unidade. Equipes do SAMU e dos Bombeiros tentaram reanimá-lo por 53 minutos, mas o óbito foi declarado no local.
- Smart Fit no bairro Papicu (Fortaleza – CE): Em dezembro de 2025, uma aluna faleceu após sofrer um mal súbito no final da tarde enquanto treinava em uma unidade da Smart Fit na Avenida Engenheiro Santana Jr.. Ela chegou a receber atendimento do SAMU, mas não resistiu. Esse episódio foi o quinto caso de morte registrado em academias no estado do Ceará em um intervalo de apenas seis meses naquele ano.
Morte de mais duas mulheres em academias no Rio e na Bahia
Outro caso de repercussão ocorreu na academia Forma Fitness, em Copacabana, no Rio de Janeiro. Na noite de 20 de maio de 2025, a universitária Dayane de Jesus Barbosa, de 22 anos, morreu após sofrer um mal súbito enquanto treinava na academia. Dayane cursava o último período de Relações Internacionais na UFRJ e teria tido uma parada cardiorrespiratória.
Câmeras de segurança registraram o momento em que ela sentou em um aparelho e caiu para trás. Um aluno que era médico tentou socorrê-la e pediu um desfibrilador, mas foi informado de que o estabelecimento não possuía o aparelho. O local foi interditado pela Polícia Civil por descumprir a legislação estadual e municipal que obriga academias a terem o equipamento e pessoal treinado para emergências.
Ainda em fevereiro de 2025, uma mulher de 43 anos morreu após sofrer um mal súbito enquanto se exercitava em uma academia em Santo Estêvão, na Bahia. Segundo a Polícia Civil, que investiga o caso, a vítima usava a cadeira extensora quando relatou uma forte dor de cabeça e começou a passar mal. Imagens do circuito interno da academia registraram o momento em que ela aparenta dificuldade para respirar antes de desmaiar.
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Pessoas saudáveis também podem sofrer mal súbito, diz cardiologista
o Especialistas reforçam que, embora raros, os episódios de mal súbito em academias geralmente estão ligados a condições cardíacas preexistentes não diagnosticadas que se manifestam durante o esforço físico intenso. Por isso, a comunidade médica sempre recomenda a realização de avaliações físicas e exames preventivos (como o eletrocardiograma) antes de iniciar ou intensificar rotinas de treinos.
Segundo ele, a prevenção começa por exames simples. “O eletrocardiograma (ECG) deve ser o primeiro passo. Em pessoas com fatores de risco, exames complementares como ecocardiograma e teste ergométrico são fundamentais”, orienta.
Fabrício também alerta para o uso indiscriminado de suplementos e bebidas energéticas. “Muitos pré-treinos contêm doses elevadas de cafeína e outros estimulantes que podem provocar arritmias e picos de pressão arterial, aumentando o risco de eventos cardíacos.”
E os primeiros socorros?
Além da prevenção, a estrutura de atendimento imediato pode ser decisiva para salvar vidas. O médico Paulo Guimarães, especialista em primeiros socorros, reforça que a resposta rápida é essencial.
Ao presenciar um mal súbito, é preciso verificar a consciência da vítima, acionar o Samu pelo 192 e iniciar a reanimação cardiopulmonar (RCP) se necessário. O uso de um desfibrilador externo automático (DEA), quando disponível, pode ser determinante”, explica.
Ele defende que todas as academias estejam equipadas com pelo menos um DEA e contem com funcionários treinados para utilizá-lo. “O desfibrilador pode restaurar o ritmo cardíaco e aumenta significativamente as chances de sobrevivência. É um equipamento de uso simples, mas que salva vidas.”
Guimarães também ressalta que os profissionais que atuam nesses ambientes devem ser capacitados em suporte básico de vida (BLS), incluindo técnicas de RCP e uso do DEA. “Esse tipo de treinamento já é obrigatório para profissionais que atuam em academias, mas infelizmente o tema não é levado tão a sério e quando tragédias como essas das últimas semanas ocorrem o assunto vem a tona”, reforça.





