Após a morte da influenciadora digital Bianca Dias, de 27 anos, vítima de uma embolia pulmonar durante a recuperação de uma cirurgia plástica, a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional São Paulo (SBACV-SP) faz um alerta à população sobre os riscos da embolia pulmonar, doença que pode evoluir de forma silenciosa e está entre as principais causas de morte cardiovascular.
Ela havia feito uma lipoaspiração nas axilas e trocado as próteses de silicone aproximadamente 20 dias antes de morrer. No dia 19 de fevereiro, ela sofreu um mal súbito, com falta de ar e convulsões, enquanto passava o feriado de Carnaval com a família em uma casa de praia no Guarujá, litoral de São Paulo. Apesar de ter sido socorrida por familiares e levada a um hospital local, ela não resistiu e chegou à unidade de saúde sem vida.
O caso repercutiu internacionalmente, sendo classificado por tabloides estrangeiros como o britânico The Sun como uma “tragédia da beleza“, e as autoridades locais investigam as circunstâncias relacionadas ao procedimento cirúrgico.

Sociedade médica reforça orientações sobre condição potencialmente grave.

O tromboembolismo venoso, que engloba a trombose venosa e a embolia pulmonar, figura como a terceira causa de morte cardiovascular, atrás apenas do infarto agudo do miocárdio e do acidente vascular cerebral.  Além disso, representa a principal causa de morte evitável em pacientes hospitalizados.

A embolia pulmonar pode evoluir de forma silenciosa, com sintomas que muitas vezes são confundidos com outras condições clínicas. O reconhecimento precoce dos sinais de alerta e a avaliação médica imediata são determinantes para reduzir complicações e óbitos.

Um dos maiores desafios é que, em muitos casos, os sintomas iniciais são leves e podem ser confundidos com problemas respiratórios comuns. Essa semelhança atrasa o diagnóstico e aumenta o risco de complicações fatais”, diz o presidente da SBACV-SP, Prof. Dr. Antonio Eduardo Zerati.

Segundo ele, a embolia pulmonar é uma complicação potencialmente grave da trombose venosa profunda. Algumas condições de maior risco podem exigir medidas de prevenção que variam desde orientações gerais (estimular a movimentação, hidratação) até uso de medicamentos anticoagulantes (restrito a casos específicos e sempre sob orientação médica).

O desafio está justamente em identificar essas situações de maior risco. Para isso, é importante consultar um médico especialista, principalmente pessoas que já tiveram o diagnóstico de trombose venosa previamente, têm familiares próximos que já sofreram trombose venosa, vão passar por cirurgias de médio e grande porte ou que têm viagens aéreas com tempo de voo superior a duas horas”, alerta o médico.

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Fatores de risco que exigem atenção

A embolia pulmonar pode atingir qualquer idade, mas a incidência aumenta com o envelhecimento e em situações específicas, como:

  • Internação prolongada e imobilização
  • Cirurgias de grande porte, especialmente ortopédicas e abdominais
  • Fraturas em membros inferiores
  • Câncer e quimioterapia
  • Insuficiência cardíaca
  • Gravidez
  • Uso contínuo de anticoncepcionais hormonais
  • Tabagismo
  • Obesidade
  • Longos trajetos (acima de duas horas) com pouca mobilidade
  • Histórico familiar ou distúrbios hereditários da coagulação

Quando é hora de correr para uma emergência

O especialista da SBACV-SP orienta que sinais como falta de ar súbita, dor no peito que piora ao respirar, tosse com sangue, inchaço em uma perna ou mais acentuado em uma das pernas, palpitações, tontura e desmaio exigem avaliação médica imediata.

Em casos mais graves, a primeira manifestação pode ser um colapso cardiovascular. Quando o coágulo é volumoso, há comprometimento importante da circulação pulmonar e sobrecarga aguda do lado direito do coração, o que pode levar ao choque e à parada cardiorrespiratória.

Um ultrassom com doppler colorido pode evidenciar a trombose venosa profunda, enquanto o diagnóstico de embolia pulmonar é feito por tomografia computadorizada do tórax. “Quanto mais precoce a identificação da trombose ou da embolia pulmonar, maiores as chances de recuperação. Após o diagnóstico, o tratamento deve ser iniciado imediatamente com medicamentos anticoagulantes. Em alguns casos, procedimentos específicos podem ser necessários”, orienta o Dr. Zerati.

Para a SBACV-SP, a prevenção representa a estratégia mais eficaz. Pacientes hospitalizados ou com risco elevado devem passar por avaliação individualizada para definição de medidas preventivas adequadas. Já diante de suspeita de trombose venosa profunda e/ou embolia pulmonar, a orientação é procurar atendimento médico de urgência.

Com informações da SBACV-SP e de agências

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