O mundo da ginástica rítmica amanheceu de luto neste Natal. Morreu nesta quinta-feira (25), aos 18 anos, a campeã brasileira Isabelle Marciniak. A atleta, que tratava um linfoma de Hodgkin, teve o falecimento confirmado pela Federação Paraense de Ginástica.
De acordo com o obituário de Curitiba, divulgado pela prefeitura, Isabelle morreu no Hospital Nossa Senhora das Graças. Em nota, a federação destacou a trajetória da ex-ginasta e sua importância para o esporte.
Segundo o comunicado oficial, o sepultamento será realizado na capela do Cemitério Jardim Independência, em Araucária. A entidade ressaltou a passagem de Isabelle pelo Clube Agir, onde construiu conquistas relevantes e se destacou em campeonatos paranaenses e brasileiros.
Entre os últimos feitos da atleta, a federação destacou o título de campeã com o trio adulto do Clube Agir, conquistado em 2023, resultado atribuído ao comprometimento e ao espírito de equipe demonstrados por Isabelle ao longo da carreira. No comunicado, a instituição afirmou solidariedade a familiares, amigos, colegas de equipe, treinadores e à comunidade da ginástica.
A nota foi encerrada com uma mensagem de homenagem à jovem atleta, ressaltando que sua história, paixão pelo esporte e lembrança devem permanecer como inspiração para todos que veem a ginástica como ferramenta de formação humana e transformação social.
60% dos casos ainda são descobertos tardiamente
Detecção precoce é essencial no combate à doença. Esoecialista esclarece principais dúvidas e sintomas que devem ser investigados
Na última década, o termo Linfoma ganhou as manchetes após uma série de personalidades famosas revelarem o diagnóstico da doença. E não é à toa que ouvir falar sobre esse tipo de câncer está mais comum: de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), no Brasil, são estimados cerca de 15.120 novos casos de linfomas para cada ano do triênio de 2023-2025, sendo 3.080 do tipo Hogdking e 12.040 do não Hogdking.
E, segundo a entidade, por motivos ainda desconhecidos, o número duplicou nos últimos 25 anos, principalmente entre pessoas com mais de 60 anos. De acordo com uma pesquisa feita pelo Observatório de Oncologia, entre 2008 e 2017, foi mostrado que o linfoma costuma ser diagnosticado tardiamente no Brasil. Cerca de 58% dos pacientes descobrem a doença em estágio avançado e 60% dos homens e 57% das mulheres têm um diagnóstico tardio.
Mas, do que se trata esse tipo de tumor?
De forma simplificada, os linfomas podem ser classificados como Hodgkin, mais raro e que afeta em especial jovens entre 15 e 25 anos e, em menor escala, adultos na faixa etária de 50 a 60 anos, ou não-Hodgkin, cujo grupo de risco é composto por pessoas na terceira idade (mais de 60 anos). Para a onco-hematologista Mariana Oliveira, apesar de não haver prevenção por desconhecimento do que leva ao surgimento da neoplasia, a chave para deter a evolução progressiva do tumor é o conhecimento.
A boa notícia é o fato de os linfomas terem alto potencial curativo. O diagnóstico precoce é fundamental para alcançar o êxito no processo terapêutico, por isso o esclarecimento à população é essencial”, afirma.
Sintomas e tratamento
Os sintomas em geral são aumento dos gânglios linfáticos (linfonodos ou ínguas, em linguagem popular) nas axilas, na virilha e/ou no pescoço, dor abdominal, perda de peso, fadiga, coceira no corpo, febre e, eventualmente, pode acometer órgãos como baço, fígado, medula óssea, estômago, intestino, pele e cérebro.
As duas categorias – Hodgkin e não-Hodgkin -, contudo, apresentam outros subtipos específicos, com características clínicas diferentes entre si e prognósticos variáveis. Por isso, o tratamento não segue um padrão, mas usualmente consiste em quimioterapia, radioterapia ou a combinação de ambas as modalidades”, explica Mariana Oliveira.
Em certos casos, terapias alvo-moleculares, que tem como meta de ataque uma molécula da superfície do linfócito doente, podem ser indicadas. “Estas proteínas feitas em laboratório atuam como se fosse um ‘míssil teleguiado’ – que reconhece e destrói a célula cancerosa do organismo”, ressalta o médico. Ainda, dependendo da extensão dos tumores e eficácia das medicações, pode haver a indicação de transplante de medula óssea.
Novas alternativas terapêuticas
Diante dos desafios impostos pela crescente incidência da doença, novas alternativas terapêuticas vêm surgindo para combater os linfomas, especialmente para os que não respondem aos tratamentos convencionalmente indicados. “A medicina tem avançado nos últimos anos principalmente através da terapia celular”, afirma a especialista.
Ela conta que o autotransplante, tratamento no qual é realizada uma quimioterapia mais intensa seguida pela infusão da medula do próprio paciente, é uma delas. A terapia com imunoterapia é outra. Com bons resultados apontados por estudos e pesquisas de referência global, o tratamento estimula o organismo do paciente a reconhecer e combater as células tumorais.
De forma bastante simplificada, podemos dizer que os imunoterápicos desativam os receptores dos linfócitos e, assim, permite que as células doentes sejam reconhecidas. Isso faz com que o organismo volte a combater o tumor – e sem causar efeitos colaterais comuns a outras medicações habitualmente adotadas nos processos terapêuticos”, finaliza Mariana Oliveira.
Com Assessorias




