O cenário da saúde pública no Rio de Janeiro ganha um reforço de peso com o avanço do programa Agora Tem Especialista. O Hospital e Maternidade São Francisco, em Niterói, tornou-se a primeira unidade privada do estado a realizar cirurgias oncológicas para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) por meio desta iniciativa federal.
Os procedimentos começaram efetivamente nesta segunda-feira (5), após uma etapa de exames pré-operatórios realizada em dezembro. O foco inicial desta unidade é a saúde da mulher, com a realização de cirurgias de alta complexidade para o tratamento de tumores ginecológicos, como histerectomias e a remoção de tumores de colo de útero.
Meta de 200 cirurgias anuais em Niterói
O convênio com o Hospital São Francisco prevê a realização de 204 cirurgias por ano, com um investimento federal de aproximadamente R$ 952 mil. A expectativa é manter uma média de 10 procedimentos mensais, ajudando a desafogar a fila da regulação estadual.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reforçou que a parceria é uma estratégia para otimizar a estrutura hospitalar já existente no país. “Se você receber um telefonema chamando para fazer um procedimento no Hospital São Francisco, não é trote; é o Agora Tem Especialistas abrindo as portas de um hospital particular para o SUS”, alertou o ministro.
Humanização e diagnóstico precoce
Para os pacientes, a experiência de ser atendido em uma unidade privada de alta complexidade tem gerado um impacto positivo imediato. Lucinda Barbosa de Sousa, 47 anos, moradora da Rocinha, foi uma das primeiras beneficiadas. Ela passou por uma cirurgia para retirada de lesões no colo do útero nesta segunda-feira (5/1).
Eu fiquei surpresa quando me ligaram, porque é uma clínica particular. Imaginava que seria atendida em uma clínica da família. Fiquei em êxtase. Quando você descobre algo que é o início, é maravilhoso, tem mais facilidade de cura”, relatou a paciente.
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Troca de dívidas por atendimento
A mecânica do programa, que o Vida e Ação vem acompanhando desde o lançamento, consiste em um modelo de compensação: hospitais privados e filantrópicos que aderem à iniciativa recebem créditos financeiros para abater tributos federais (vencidos ou a vencer) em troca dos serviços prestados à rede pública.
No estado do Rio, o programa já conta também com a adesão da Rede D’Or. Duas unidades do grupo — Glória D’Or (na capital) e Niterói D’Or — devem realizar cerca de 100 cirurgias cardiológicas anuais, um investimento de R$ 3,6 milhões voltado para uma das áreas de maior demanda na regulação.
O Agora Tem Especialista em números
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Abrangência: Mais de 150 propostas de instituições privadas aprovadas em todo o país.
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Investimento: R$ 150 milhões em contratos fechados até o fim de 2025.
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Áreas Prioritárias: Oncologia, ginecologia, cardiologia, ortopedia, oftalmologia, otorrinolaringologia e nefrologia.
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Unidades em operação: Além do Rio, hospitais em estados como Bahia, Minas Gerais, Pará, Ceará e Piauí já realizam os atendimentos.
Com informações do Ministério da Saúde





