O Dia Internacional da Homeopatia (10/4) sempre desperta a atenção sobre essa prática que tem ampla adesão entre a população brasileira. No Brasil, a homeopatia é reconhecida como especialidade médica pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) desde 1980. Além disso, ela faz parte da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) desde 2006, sendo oferecida gratuitamente em diversas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS).

O que muita gente ainda não sabe é que uma forma complementar de medicina Integrativa frequentemente empregada em humanos também oferece soluções promissoras para o tratamento de animais. Essa terapia alternativa pode ser administrada ao pet em qualquer momento da vida, para qualquer animal e para diferentes tipos de problema, proporcionando uma abordagem mais holística e personalizada para o bem-estar do pet.

Segundo a médica veterinária Gabriela Pires Crispim, especialista em felinos e medicina homeopática do Hospital Veterinário Taquaral, em Campinas, é muito comum tutores recorrerem a homeopatia depois que os recursos da alopatia parecem ter se esgotado.

Outra motivação é dar mais qualidade de vida ao animal que está com o estômago frágil de tanto já ter recebido outras medicações. Ou ainda, como tratamento paliativo nas últimas fases da vida do paciente. A homeopatia pode ser procurada em qualquer momento e para qualquer condição, não apenas como última opção”, reforça a Dra. Gabriela.

A especialista ressalta ainda que a homeopatia e a alopatia podem trabalhar em sinergia, com a comunicação entre os veterinários especializados para oferecer o melhor plano de tratamento. Um dos grandes benefícios da homeopatia é a ausência de efeitos colaterais significativos. “Se percebermos que o tratamento não está tendo o efeito desejado, simplesmente podemos interrompê-lo sem riscos para o animal”, afirma ela.

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As diferenças entre alopatia e homeopatia

A Dra. Gabriela explica que a alopatia, ou medicina convencional, baseia-se na supressão dos sintomas usando medicamentos que produzem efeitos opostos aos sintomas da doença. “Já a homeopatia se apoia na ativação dos sistemas de cura do corpo, usando substâncias que em pequenas doses podem induzir sintomas semelhantes aos da doença”.

De acordo com a veterinária, a abordagem alternativa é baseada no princípio de “semelhante cura semelhante”, e cada tratamento é altamente individualizado, considerando aspectos físicos, emocionais e mentais do animal.

Assim como a consulta com um médico homeopata para humano, a primeira visita ao veterinário especializado tem duração de uma hora ou mais. Além do exame clínico,homeopata veterinário conversa com o tutor para conhecer a rotina, a personalidade, medos, hábitos e tudo o que envolve o animal.

Só depois ele pode indicar uma “medicação de fundo”, isto é, a medicação que mais se assemelha às características do paciente. A repertorização (anamnese) também tem o objetivo de identificar os impedimentos à cura e tirar os empecilhos do alcance do pet.

Anamnese completa do paciente na primeira consulta

Os tratamentos podem variar quanto à frequência e tipo de administração, dependendo da formulação e do problema específico que está sendo tratado, e também enfatiza a necessidade de remover quaisquer obstáculos à cura durante o tratamento.

Homeopatia é energia. É crucial agitar o conteúdo líquido para ativar e evitar a exposição a campos eletromagnéticos, como os gerados por celulares e micro-ondas, que podem inutilizar a medicação. Carregar na bolsa o frasco da medicação com o celular do lado é inviável”, alerta a médica veterinária.

Outras situações também podem interferir na eficácia do tratamento. Se um pet está sendo tratado por ansiedade, por exemplo, é essencial afastar objetos ou situações que possam estressá-lo.

Se o passarinho de estimação está medicado para combater a intoxicação por chumbo, mas tem contato na gaiola com o papel jornal que tem chumbo como matéria-prima para a tinta, a função do tratamento está anulada”, adiciona Dra. Gabriela.

Medicina integrativa veterinária é preventiva, curativa e paliativa

Terapia oferece um cuidado abrangente que traz qualidade de vida aos animais

A medicina veterinária tem evoluído em diversas áreas, e uma delas tem chamado cada vez mais a atenção de tutores preocupados com o bem-estar integral de seus animais: a medicina integrativa. Além da homeopatia, esse tipo de abordagem permite, por exemplo, que terapias como acupuntura, fitoterapia, ozonioterapia, aromaterapia, reiki, nutrição, cromoterapia, quiropraxia e terapia neural sejam associadas ao tratamento convencional, potencializando os resultados e promovendo uma evolução mais rápida e eficaz.

Muito além dos tratamentos convencionais, essa abordagem busca tratar o animal como um todo, cuidando de seu corpo, mente e emoções. Para quem já conhece os benefícios, os resultados são surpreendentes, mas para aqueles que ainda não ouviram falar, este pode ser o caminho para proporcionar uma vida ainda mais saudável e equilibrada aos seus pets.

Segundo Ellen Oliveira, veterinária fisiatra da equipe do setor de medicina integrativa do Hospital Veterinário Taquaral, em Campinas-SP, a medicina integrativa ultrapassa os limites da simples resolução de problemas de saúde.

Ela não foca apenas na doença ou no sintoma. O objetivo é tratar o animal como um ser global, levando em consideração fatores como alimentação, genética, ambiente e até mesmo o estado emocional“, explica a Dra. Ellen.

Em muitos casos, animais com câncer ou que sofrem de síndromes cognitivas podem ter suas vidas prolongadas e com mais qualidade graças a essas terapias. Outro grande benefício da medicina integrativa é a possibilidade de oferecer uma qualidade de vida superior a animais que, por motivos diversos, não podem ou não devem ser submetidos a procedimentos cirúrgicos.

Tratamento em doenças crônicas e problemas ortopédicos

Para animais em recuperação de cirurgias ou que sofrem de doenças crônicas, a medicina integrativa tem se mostrado especialmente assertiva. “Os animais idosos, que muitas vezes apresentam problemas articulares ou ortopédicos, podem se beneficiar muito dessa combinação de terapias, Aqui, por exemplo, utilizamos técnicas como a laserterapia e a magnetoterapia, para acelerar a cicatrização, aliviar a dor e melhorar a mobilidade”, enfatiza a Dra. Ellen.

fisioterapia é um dos pilares dessa abordagem integrativa, especialmente em casos de patologias ortopédicas e neurológicas, como displasia, luxações e hérnias de disco. Segundo ela, a recuperação nesses casos é muito mais ligeira quando utilizadas técnicas fisioterápicas, que ajudam a promover a analgesia (alívio da dor).

O tratamento é sempre personalizado, de acordo com a necessidade de cada paciente”, afirma. “Unida a tratamentos integrativos, a fisioterapia ajuda a aliviar a dor e fortalece o organismo, devolvendo ao animal mais disposição e alegria”, diz a especialista.

Mas, para que o tratamento seja realmente definitivo, o comprometimento do tutor é fundamental. “É essencial que o tutor siga à risca todas as orientações do veterinário, tanto em casa quanto durante as sessões de tratamento. O acompanhamento e a troca de informações entre veterinário e tutor são essenciais para que o animal tenha uma recuperação mais acelerada e eficiente”, reforça a Dra. Ellen.

Dia Mundial da Homeopatia – saiba mais

A data foi escolhida em homenagem ao nascimento de Samuel Hahnemann (1755–1843), o médico alemão que fundou essa prática terapêutica no final do século XVIII. Ele desenvolveu os princípios da homeopatia, baseados na “lei dos semelhantes” (Similia Similibus Curentur).
Órgãos de saúde e associações, como o Conselho Regional de Farmácia (CRF-RJ) e o Senado Federal, utilizam a data para promover os benefícios do tratamento e combater a desinformação. Em 21 de novembro, também é celebrado o Dia Nacional da Homeopatia no Brasil, que marca a chegada do médico francês Benoit Mure ao país em 1840, iniciando a prática por aqui.
Se você estiver buscando onde encontrar esse tipo de atendimento, pode consultar o portal do Ministério da Saúde ou unidades como a Ambesp/Uncisal que oferecem o serviço.
Com Assessorias
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