O comerciante Jorge Luiz Pereira passou anos trocando de óculos diretamente em óticas, sem passar por um especialista. Ao chegar ao Instituto Estadual de Olhos  (IEO), na Zona Oeste do Rio de Janeiro, já tinha perdido a visão do olho direito.  “Quando fui a um especialista, ele me informou que eu não estava enxergando com uma das vistas”, lamentou.

Pereira encontrou na unidade pública de saúde a esperança de manter a saúde do olho esquerdo. Ele foi inserido no Sistema Estadual de Regulação (Sisreg) e direcionado ao IEO, onde teve acesso a equipamentos modernos e esclareceu todas as suas dúvidas sobre a doença. “Os médicos aqui foram extremamente atenciosos, o que me deu mais confiança no tratamento”, completou.

A maioria dos pacientes que chegam para tratar glaucoma no tem uma história em comum: danos irreversíveis à visão que poderiam ter sido evitados com um acompanhamento precoce. Caracterizada pela lesão progressiva no nervo óptico, a doença, que avança silenciosamente, é a principal causa de cegueira no Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO).

A importância da prevenção e do diagnóstico precoce

Campanha destaca a relevância do rastreamento clínico e da adesão ao tratamento em pacientes com fatores de risco
Celebrado neste dia 12 de março, o Dia Mundial do Glaucoma vai além do calendário para se tornar um alerta de saúde pública. O glaucoma é a principal causa de cegueira irreversível no mundo e, por ser uma doença silenciosa, costuma ser diagnosticado apenas em estágios avançados, quando os danos à visão já são significativos e muitas vezes irreparáveis. O objetivo da campanha é conscientizar a população sobre os riscos da doença e reforçar a importância do acompanhamento oftalmológico regular.
No Brasil, estima-se que cerca de 900 mil pessoas convivam com o glaucoma. A prevalência da doença é de aproximadamente 3,4% entre a população acima de 40 anos, aumentando para até 10% entre os maiores de 80 anos.  A Organização Mundial da Saúde projeta que, até 2040, o número de pessoas com glaucoma no mundo ultrapasse 111 milhões.
A boa notícia é que, se diagnosticada precocemente, o paciente pode evitar a perda da visão decorrente do glaucoma. no Brasil, o tratamento é acessível e disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo consultas, exames e medicamentos. Atualmente, existem 441 estabelecimentos de saúde habilitados para assistência ao glaucoma no país. Em 2021, foram realizados mais de 2,3 milhões de atendimentos ambulatoriais relacionados à doença.
O SUS fornece todos os colírios necessários, além de procedimentos a laser e cirurgias quando indicadas.
Segundo Arlindo José Freire Portes, oftalmologista e docente do Instituto de Educação Médica (Idomed), além da vigilância clínica, o combate ao glaucoma também depende de informação de qualidade e políticas públicas eficazes. A ampliação do acesso a exames oftalmológicos, especialmente em populações mais vulneráveis e o fortalecimento de campanhas de conscientização são passos decisivos para reduzir o número de casos avançados.
O glaucoma não espera e a cegueira provocada por ele é irreversível, porém isso pode ser evitado com um simples gesto, ou seja, a consulta oftalmológica regular. Manter um acompanhamento médico, seguir corretamente o tratamento prescrito e estar bem-informado são atitudes que podem fazer toda a diferença. Preservar a visão é ter autonomia, mobilidade, bem-estar e qualidade de vida”, comenta.

Como funciona o Instituto Estadual de Olhos

O Instituto Estadual de Olhos (IEO) oferece diagnóstico avançado, cirurgias e acompanhamento especializado. Especialistas fazem um alerta para que a população não recorra a soluções para problemas de visão sem o acompanhamento de um oftalmologista

O glaucoma é uma doença silenciosa. Os sintomas costumam surgir apenas em estágios mais avançados, quando o dano já é irreversível. Na maioria das vezes, o paciente não sente dor nem percebe a perda visual no início. Por isso, as consultas regulares ao oftalmologista são importantes”, explica a diretora médica do IEO, Marina Ferreira.

No Instituto Estadual de Olhos, unidade estadual de referência especializada no diagnóstico e tratamento do glaucoma. o paciente passa por todo o processo de avaliação já na primeira consulta. Após o atendimento inicial, os exames complementares são realizados no mesmo dia, sem necessidade de retorno para agendamento. Dessa forma, o diagnóstico e a indicação do tratamento podem ser definidos ainda na primeira visita à unidade.

O IEO é a a unidade realiza cirurgias de glaucoma e catarata, além de oferecer consultas, exames de alta complexidade e cirurgias para pacientes encaminhados pelo Complexo Estadual de Regulação (CER). Em 2025, foram mais de 2 mil cirurgias e 120 mil exames. Com uma equipe qualificada e infraestrutura de ponta, o IEO oferece cuidado integral e personalizado para garantir a saúde ocular da população.

Saiba mais sobre a doença

A Semana Mundial do Glaucoma (8 a 14/03) tem como principal objetivo alertar a população para a realização de exames oculares regulares, pois quando identificada nas fases iniciais, a doença pode ser controlada, reduzindo o risco de perda visual.

glaucoma é uma doença crônica que prejudica o nervo óptico, estrutura responsável pelo envio de informações visuais ao cérebro. Sem diagnóstico e tratamento adequados, a doença provoca perda progressiva da visão e pode levar à cegueira permanente.

Caracterizado pelo aumento da pressão intraocular, o glaucoma danifica progressivamente o nervo óptico — estrutura responsável por transmitir os estímulos visuais do olho ao cérebro. À medida que essa lesão avança, o campo visual do paciente vai se estreitando de forma imperceptível, até que, nos casos mais graves, ocorre a perda total da visão.
A ausência de sintomas nas fases iniciais dificulta o diagnóstico precoce e, por consequência, o início do tratamento adequado. Por isso, o acompanhamento oftalmológico deve ser constante, principalmente em grupos de risco.

Fatores de risco e diagnóstico precoce

Entre os principais fatores de risco para a doença estão: idade avançada, hipertensão arterial, diabetes, histórico familiar da doença, miopia de alto grau e uso prolongado de corticoides. Pessoas com pressão ocular elevada também devem ser acompanhadas regularmente, pois apresentam maior risco de desenvolver glaucoma ao longo do tempo.
Um ponto essencial é o fator hereditário: quem tem histórico familiar de glaucoma deve redobrar os cuidados e iniciar o acompanhamento oftalmológico ainda mais cedo, mesmo na ausência de qualquer incômodo visual”, ressalta Arlindo José Freire Portes;
O diagnóstico do glaucoma baseia-se principalmente no exame clínico oftalmológico que inclui o exame de tonometria e fundoscopia. Os exames de retinografia, campimetria visual computadorizada e Tomografia de Coerência Óptica (OCT) também podem ser usados para fins diagnósticos e controle do acometimento desta doença. O aumento da pressão intraocular é o principal fator de risco para o surgimento da doença.

Tratamento e controle do glaucoma

O tratamento do glaucoma tem como objetivo controlar a pressão intraocular e impedir a progressão da doença. O uso de colírios é o tratamento inicial mais comum, mas em casos mais avançados, quando o colírio não é suficiente, tratamentos a laser e até cirurgias podem ser indicados.

A cirurgia de catarata também pode ser uma opção eficaz para pacientes com glaucoma de ângulo fechado, já que a remoção do cristalino pode abrir o ângulo de drenagem ocular, aliviando a pressão intraocular.

O glaucoma não tem cura, mas com o tratamento adequado é possível controlar a doença e evitar que a cegueira aconteça. O mais importante é começar o tratamento o quanto antes. Se o paciente seguir as orientações médicas, o controle da pressão ocular pode ser mantido, e a perda visual pode ser evitada”, alerta a diretora.

Neste Dia Mundial da Conscientização ao Glaucoma, o alerta é claro: a prevenção é a única maneira eficaz de evitar a cegueira causada pela doença. Para isso, a população precisa estar informada. “A comunicação é a nossa maior aliada. Precisamos divulgar amplamente os riscos do glaucoma e a importância do acompanhamento oftalmológico preventivo. A conscientização salva a visão”, conclui o professor Rodrigo Petroni.

Fonte: SES-RJ e Idomed
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