Você sabia que a principal causa de cegueira irreversível no mundo pode estar avançando silenciosamente em seus olhos sem que você perceba? Segundo a Sociedade Brasileira do Glaucoma (SBG), o glaucoma – também conhecido como a “cegueira silenciosa” – já afeta quase 1 milhão de brasileiros, é um problema ocular grave que atinge o nervo óptico, com perda progressiva e irreversível das células ganglionares da retina.

Na Semana Mundial do Glaucoma (8 a 14 de março), a comunidade médica acende um alerta sobre aquela que é considerada a principal causa de cegueira irreversível no mundo. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença é responsável por cerca de 9% a 12% dos casos de perda total da visão no mundo, impactando aproximadamente 5,9 milhões de pessoas.

O cenário futuro é ainda mais desafiador indicando que até 2040, mais de 111 milhões de indivíduos poderão ser afetados por essa condição. Dados do Conselho Regional de Oftalmologia apontam que no Brasil, estima-se que mais de 1,7 milhão de pessoas tenham a doença, considerando que cerca de 2% da população acima de 40 anos está em risco.

O aumento da pressão intraocular é o principal fator de risco para o surgimento da doença. O diagnóstico do glaucoma baseia-se principalmente no exame clínico oftalmológico que inclui o exame de tonometria e fundoscopia, envolvendo a medição da pressão intraocular e a avaliação detalhada do nervo óptico.
Outros exames exames complementares – gonioscopia, retinografia, campimetria visual computadorizada e Tomografia de Coerência Óptica (OCT) – também podem ser usados para fins diagnósticos e controle do acometimento desta doença.

Inteligência Artificial no diagnóstico de glaucoma

Os dados reforçam a urgência de diagnósticos precoces e estratégias de prevenção mais robustas. Em meio a esses desafios, a medicina em 2026 celebra a consolidação da Inteligência Artificial (IA) como uma das maiores inovações tecnológicas na oftalmologia.

Atualmente, softwares de ponta conseguem identificar o glaucoma através de uma única imagem de retinografia, analisando a escavação do nervo óptico e as fibras nervosas da retina com uma acurácia que supera a análise visual isolada.

A oftalmologista e professora da Afya Montes Claros (MG), Amanda Picanço, comenta que em 2026, a IA já é uma realidade consolidada, atuando como um “GPS de alta precisão” ao utilizar algoritmos avançados para analisar exames de imagem ocular com mais agilidade.

A IA analisa exames como retinografia, tomografia de coerência óptica (OCT) e campo visual. Na prática, ela pode detectar alterações muito sutis, antes mesmo de serem perceptíveis ao olho humano, reduzir o tempo de análise dos exames e auxiliar médicos em regiões com poucos especialistas”.

No entanto, ressalta a especialista, a IA não substitui o médico, mas potencializa sua capacidade diagnóstica. “Isso significa mais agilidade, mais precisão e maior alcance populacional. Em um país de dimensões continentais como o Brasil, essa tecnologia pode ser transformadora”, complementa a oftalmologista.

Diagnóstico correto e precoce são fundamentais

Uma pesquisa divulgada em 2025 pela Glaucoma Research Foundation com mais de mil participantes revelou que 74% afirmam realizar exames oftalmológicos ao menos a cada dois anos. No entanto, apenas 43% relataram ter feito exames com dilatação da pupila, considerado o método mais eficaz para detectar alterações no nervo óptico e identificar o glaucoma precocemente.

O dado evidencia que, embora haja preocupação com a saúde ocular, nem sempre os procedimentos mais indicados são realizados. Dra Amanda Picanço explica que o exame com dilatação da pupila é fundamental, pois permite ao oftalmologista visualizar diretamente o nervo óptico, principal estrutura afetada pelo glaucoma.

Sem a dilatação, a avaliação pode ficar limitada. Com a pupila dilatada, é possível avaliar com mais precisão o formato e o grau de escavação do nervo óptico, identificar alterações iniciais, comparar os achados ao longo do tempo e direcionar melhor a solicitação de exames complementares.

É importante destacar que muitos pacientes podem apresentar pressão ocular dentro da normalidade e, ainda assim, já terem dano no nervo óptico, algo que só é detectado por meio de um exame detalhado do fundo do olho”.

A professora também destaca que os avanços nos diagnósticos são fundamentais, uma vez que a doença é conhecida como “ladrão silencioso da visão”.

Na maioria dos casos, a doença não provoca sintomas nas fases iniciais. A perda visual geralmente começa de forma sutil, afetando a visão periférica e avançando lentamente ao longo do tempo. Quando o paciente percebe alguma dificuldade para enxergar, o dano ao nervo óptico pode já estar em estágio significativo e, infelizmente, a visão que foi perdida não pode ser recuperada”, conclui a oftalmologista.

Acesso a exames oftalmológicos é fundamental

Para Arlindo José Freire Portes, oftalmologista e docente do Instituto de Educação Médica (Idomed) no Rio de Janeiro, além da vigilância clínica, o combate ao glaucoma também depende de informação de qualidade e políticas públicas eficazes.
A ampliação do acesso a exames oftalmológicos, especialmente em populações mais vulneráveis, e o fortalecimento de campanhas de conscientização são passos decisivos para reduzir o número de casos avançados.
O glaucoma não espera e a cegueira provocada por ele é irreversível, porém isso pode ser evitado com um simples gesto, ou seja, a consulta oftalmológica regular. Manter um acompanhamento médico, seguir corretamente o tratamento prescrito e estar bem-informado são atitudes que podem fazer toda a diferença. Preservar a visão é ter autonomia, mobilidade, bem-estar e qualidade de vida”, comenta.

‘O ladrão invisível da visão’

O oftalmologista e professor do Curso de Medicina da Faculdade Santa Marcelina, Rodrigo Petroni, explica que o maior perigo do glaucoma está justamente no fato de ser uma doença assintomática nos estágios iniciais. “Por esse motivo, é a principal causa de cegueira irreversível do mundo. Quando o paciente percebe algo errado, muitas vezes o dano já é extenso”, alerta.

A ausência de sintomas iniciais faz com que muitos negligenciem a importância de consultas oftalmológicas regulares. “A única forma de detectar precocemente o glaucoma é por meio de um exame oftalmológico completo, que deve ser realizado pelo menos uma vez por ano”, reforça Petroni, destacando a importância do diagnóstico precoce dessa doença assintomática e irreversível

Quem corre mais risco?

Entre os principais fatores de risco para a doença estão: idade avançada, hipertensão arterial, diabetes, histórico familiar da doença, miopia de alto grau e uso prolongado de corticoides. Pessoas com pressão ocular elevada também devem ser acompanhadas regularmente, pois apresentam maior risco de desenvolver glaucoma ao longo do tempo.
Um ponto essencial é o fator hereditário: quem tem histórico familiar de glaucoma deve redobrar os cuidados e iniciar o acompanhamento oftalmológico ainda mais cedo, mesmo na ausência de qualquer incômodo visual”, ressalta Arlindo José Freire Portes.

Embora qualquer pessoa possa desenvolver glaucoma, existem fatores que aumentam consideravelmente o risco da doença. Entre eles estão:

  • Pressão intraocular elevada
  • Histórico familiar de glaucoma
  • Idade acima de 40 anos
  • Altos graus de miopia ou hipermetropia
  • Etnia afrodescendente ou asiática
  • Uso prolongado de corticoides
  • Doenças como diabetes, condições autoimunes e tabagismo

 

Semana Mundial do Glaucoma

glaucoma é uma doença crônica que prejudica o nervo óptico, estrutura responsável pelo envio de informações visuais ao cérebro. Sem diagnóstico e tratamento adequados, a doença provoca perda progressiva da visão e pode levar à cegueira permanente.

Caracterizado pelo aumento da pressão intraocular, o glaucoma danifica progressivamente o nervo óptico — estrutura responsável por transmitir os estímulos visuais do olho ao cérebro. À medida que essa lesão avança, o campo visual do paciente vai se estreitando de forma imperceptível, até que, nos casos mais graves, ocorre a perda total da visão.
A ausência de sintomas nas fases iniciais dificulta o diagnóstico precoce e, por consequência, o início do tratamento adequado. Por isso, o acompanhamento oftalmológico deve ser constante, principalmente em grupos de risco.

Neste Dia Mundial da Conscientização ao Glaucoma, o alerta é claro: a prevenção é a única maneira eficaz de evitar a cegueira causada pela doença. Para isso, a população precisa estar informada.

A comunicação é a nossa maior aliada. Precisamos divulgar amplamente os riscos do glaucoma e a importância do acompanhamento oftalmológico preventivo. A conscientização salva a visão”, conclui o professor Rodrigo Petroni.

Com Assessorias
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