‘Fumar por tabela’: quando o risco de morte pode ser evitado

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Estima-se que quase 6 milhões de pessoas morrem por ano em decorrência do que já é chamado de “epidemia global do tabaco”. Até 2030, serão 8 milhões de pessoas. Mas o cigarro não traz consequências danosas e, muitas vezes, irreversíveis, apenas a quem o consome diretamente. Do total de óbitos, mais de 600 mil são vítimas do tabagismo passivo, que já é considerado a terceira causa de morte evitável no mundo, após o tabagismo ativo e o alcoolismo. Até mesmo bebês ainda no ventre da mãe ‘fumam por tabela’. Além da exposição de crianças à fumaça, fetos também são atingidos na vida intrauterina, quando a mulher grávida é fumante.

Ser fumante passivo significa inalar fumaça de cigarros (ou outros produtos derivados do tabaco) por pessoas que não fumam. O tabagismo passivo, que é uma exposição involuntária ao tabaco ou à poluição ambiental, ocorre nos domicílios, nos ambientes de trabalho, de lazer, escolas, transportes coletivos e individuais e demais espaços públicos fechados. Como as pessoas passam mais de 80% do seu tempo nesses recintos, estima-se que dois terços dos não fumantes tornam-se fumantes passivos, com destaque para as crianças. No Brasil as estimativas indicam que 9 a 12 milhões de crianças menores de 5 anos são expostas a essa poluição ambiental, das quais 43%  vivem em domicílios com pelo menos um fumante.

Pesquisa do IBGE divulgada em 2016 mostrou que 13,5% dos adultos não fumantes ainda são obrigados a conviver com o tabaco em ambiente fechado no trabalho, enquanto 10,7% respiram fumaça de cigarro dentro de casa. O levantamento mostrou ainda que 52,3% dos fumantes pensaram em parar de fumar devidos às mensagens nas embalagens de cigarros. As informações são da Pesquisa Nacional de Saúde 2013, feita pelo IBGE, e se referem a pessoas com 18 anos ou mais.

Essa fumaça se difunde no ambiente e faz com que as pessoas ao redor inalem a mesma quantidade de poluentes que os fumantes. Estudos comprovam que os efeitos imediatos da poluição ambiental pela fumaça do tabaco não são apenas de curto prazo, como irritação nasal e nos olhos, dor de cabeça, irritação na garganta, vertigem, náusea, tosse e problemas respiratórios. Essa exposição também está relacionada ao aumento do risco de câncer de pulmão, de infarto, e de várias outras doenças graves e fatais relacionadas ao tabagismo. Por isso é importante restringir o fumo em locais públicos fechados e ambientes de trabalho, criando ambientes 100% livres do tabaco e estimulantes para o abandono do tabaco.

Queda no tabagismo passivo dentro de casa

A boa notícia foi anunciada no final desse Dia Nacional de Combate ao Fumo pelo Ministério da Saúde: os brasileiros estão cada vez fumando menos em casa e expondo os familiares aos riscos do tabagismo passivo. Foi o que apontou a última edição da pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel). Em oito anos, o índice registrou queda de 42,5% no número de fumantes passivos no domicílio, caindo de 12,7%, no ano de 2009, para 7,3% no ano passado.
 Entre as capitais, todas apresentaram queda, com destaque para Cuiabá (MT) e Rio Branco (AC). Aracaju (5,1%) teve a menor incidência de fumantes passivos em domicílio, no ano passado. Já Porto Alegre (RS) apresentou o maior percentual (10,4%), no mesmo período. A frequência de fumantes passivos no domicílio foi mais alta entre os mais jovens (18 a 24 anos), em ambos os sexos. A pesquisa foi feita por telefone nas 26 capitais e no Distrito Federal e contou com 53.210 entrevistas.

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, comemorou a redução e destacou que as ações da pasta não vão parar. “Continuaremos investindo nessa área e ampliando a divulgação das campanhas. Vamos também orientar as crianças por meio do Saúde na Escola, criando resistência a esse início do vício de fumar que acontece, principalmente, na adolescência”, ressaltou.  Como parte da política de combate ao tabagismo, o SUS oferece tratamento gratuito para fumantes nas Unidades Básicas de Saúde. São ofertados adesivos, pastilhas e gomas de mascar. Apenas com esses tratamentos, o Ministério da Saúde gastou R$ 23,7 milhões.

Queda no consumo de cigarros

A queda no número de fumantes passivos em domicílio vem junto com a redução de fumantes no país. Nos últimos 10 anos, houve redução de 35% no número de usuários de produtos derivados do tabaco. A prevalência caiu de 15,7% em 2006, para 10,2% em 2016. Quando separado por gênero, a frequência de fumantes hoje é maior no sexo masculino (12,7%) do que no feminino (8%). Se analisado por faixa etária, a pesquisa mostra que a frequência de fumantes é menor entre os adultos jovens antes dos 25 anos (7,4%), ou após os 65 anos (7,7%) e maior na faixa etária dos 55 a 64 anos (13,5%). Em 2015, o Ministério da Saúde registrou 17.972 óbitos, sendo uma das principais causas de mortes atribuíveis ao tabaco.
Antonio Pedro Mirra, coordenador da Comissão de Combate ao Tabagismo da Associação Médica Brasileira (AMB), avalia que há um cenário mais positivo hoje.  Um dos motivos da diminuição percentual dos fumantes sobre a população é o Programa Nacional de Controle do Tabagismo do Brasil, considerado o mais efetivo da América Latina. “Aliado a isto a constante atuação dos órgãos federais e organizações não governamentais, como a AMB, têm favorecido essa melhora. Apesar de dados mais otimistas, ainda há necessidade de atuação para diminuir o número de fumantes, pois a mortalidade anual é de 130 mil óbitos,  de cada 100 pacientes que desenvolvem câncer, 30 são fumantes (Inca)”.

Análises do Instituto Nacional do Câncer (Inca) indicam que se alternativas de abandono ao vício não foram aderidas, a previsão é que mais de 8 milhões de mortes sejam registradas por ano, a partir de 2030. A maior incidência deverá ocorrer na população que vive em países de baixa e média renda, podendo alcançar o índice de 80% destas mortes evitáveis. “No Brasil, mesmo com a clara tendência de queda do número de fumantes em decorrência das políticas nacionais antitabagistas, os números ainda são preocupantes. Houve uma redução de homens fumantes, eles passaram de 29% para 12%, já as mulheres de 19% para 8%. Entretanto, seguimos como um dos dez países com maior índice de tabagismo no mundo”, ressalta a oncologista clínica do Grupo Oncologia D’Or, Tatiane Montella.

Mais de 60 substâncias cancerígenas

Especialistas alertam também que é importante que a população receba informações sobre os malefícios do fumo à saúde e as possibilidades de sua prevenção e tratamento. Eles lembram que os malefícios do tabaco atingem todos os tecidos e órgãos do corpo humano. Até hoje foram identificadas 4720 substâncias em 15 funções químicas na fumaça do cigarro, das quais mais de 60 apresentam atividade cancerígena.

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que o tabaco é um fator de risco (causal) de mais de 50 doenças, atingindo os aparelhos respiratório, cardio-vascular, digestivo, gênito-urinário, neoplasias malignas, riscos na gravidez e para o feto e queda de defesas imunitárias. De acordo com a OMS, o tabagismo é a principal causa de morte evitável em todo o mundo, sendo responsável por 63% das mortes relacionadas às doenças crônicas não transmissíveis.

Dessas, o tabagismo é responsável por 85% das mortes por doença pulmonar crônica (bronquite e enfisema), 30% por diversos tipos de câncer (pulmão, boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas, rim, bexiga, colo de útero, estômago e fígado), 25% por doença coronariana (angina e infarto) e 25% por doenças cerebrovasculares (acidente vascular cerebral).

Riscos socioeconômicos

Além dos malefícios à saúde pelo tabaco há também riscos socioeconômicos, a perda de produtividade, retenção maior no leito, mortes mais precoce, invalidez, acidentes no trabalho, maior ausência em seus empregos (na faixa etária de maior produtividade), e desvio de renda para as necessidades básicas para atender o uso do cigarro. Os custos estimados para o atendimento às doenças atribuídas ao fumo foram de R$ 23,37 bilhões em 2015, correspondendo ao triplo da arrecadação dos impostos incidentes. Devemos considerar também o mercado ilegal de cigarros (contrabando), com menor arrecadação de impostos e os incêndios (30%) nas matas e domicílios causados por cigarros acessos jogados no meio ambiente.

Confira a apresentação completa do Inca

Post atualizado às 19h de 29/08/2017

Fonte: Inca, AMB e Oncologia D´Or

 

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